Mais um jogo de Campeonato, mais uma vitória frente ao rival Benfica, mais um título que parece estar a caminho e que só não foi carimbado porque o FC Porto não vacilou frente ao Águas Santas. Com 25 vitórias noutros tantos jogos, entre fase regular e poule final, o Sporting está perto da conquista do tricampeonato e daquele que pode ser o nono título nacional consecutivo entre Liga, Taça de Portugal e Supertaça, bastando para isso um empate na receção aos dragões no próximo sábado para carimbar esse objetivo. Ainda assim, e apesar de haver lotação esgotada também para esse encontro do Campeonato, o foco centrava-se agora na Liga dos Campeões e na segunda tentativa de fazer (ainda) mais história nos quartos da competição.
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“Todos os atletas têm de estar prontos para competir ao mais alto nível e ajudar, seja um minuto, dez ou 30. Os jogadores têm sido capazes de entender a importância de cada um neste grupo, que é alargado, e para mim é fácil fazer essa gestão quando todos estão preparados. Por isso, temos de continuar a fazer o que temos vindo a fazer. Conto com todos e todos estão preparados em cada momento para jogar”, relativizava Ricardo Costa, técnico dos leões, em relação à possibilidade de ser tricampeão entre a eliminatória europeia.
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“Diria que não há muito a surpreender, relativamente aos jogos que tivemos já contra o Aalborg. Sabemos a dificuldade, sabemos que têm jogadores que fazem parte da seleção da Dinamarca, que tem dominado o panorama internacional do andebol, mas estou confiante em 60 minutos muito fortes em casa para chegar a um sonho com tanto de difícil como de audaz. Temos de jogar com o menor sentimento possível. Temos um ano de jogos ao mais alto nível. Sabemos aquilo que temos de fazer e jogar com demasiado sentimento pode polir-nos o pensamento, polir as nossas ações. Neste momento o mais importante é fazermos aquilo que temos vindo a fazer e não atribuir ao jogo outro significado”, acrescentara sobre o duelo frente à formação escandinava e a possibilidade de ser dado um passo para uma inédita Final Four da Champions.
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Os dois encontros entre ambos os conjuntos mostravam as bases com que chegava a primeira mão no João Rocha. Por um lado, e num plano teórico, o Aalborg, que entrou de forma direta nos quartos, estava acima do Sporting a vários níveis. Por outro, e olhando de forma prática para os jogos na fase inicial, tudo aquilo que os leões fizeram sobretudo nas segundas partes mostravam que havia margem para surpreender de novo os dinamarqueses, como aconteceu em Lisboa no final de fevereiro. Mais: mesmo sem ter feito uma fase de grupos tão forte como a da época passada, era legítimo ambicionar com algo mais depois da eliminação nos detalhes frente aos franceses do Nantes em 2024/25 com desaires por margens mínimas. Agora, tudo acabou num empate. Que vale como uma vitória tendo em conta a desvantagem de quatro golos na primeira parte, que tem um sabor agridoce pelo avanço de cinco golos no último tempo. Kiko Costa foi o melhor marcador com 12 golos mas André Kristensen, com uma eficácia de 37%, foi o maior contra o Golias.
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A partida começou num ritmo frenético “empurrada” pelo ambiente que se vivia nas bancadas do Pavilhão João Rocha lotado, com o Sporting a conseguir equilibrar na frente aquilo que o Aalborg ia desequilibrando no ataque. Para os menos atentos, a primeira linha dos dinamarqueses era um autêntico desfile de estrelas que poderiam entrar sem favor numa qualquer equipa ideal do Mundial com Sander Sagosen, Mads Hoxer, Thomas Arnoldsen ou Juri Knorr a rodarem sempre com alternativas de ataque que conseguiam desmontar a bem organizada defesa 6:0 dos leões. Ainda assim, só mesmo perto dos dez minutos começou a haver um ascendente ligeiro dos visitantes, que chegaram ao 7-4 com um parcial de 3-0 que criou a dúvida na equipa verde e branca se era mesmo possível jogar de igual frente a uma autêntica constelação de estrelas.
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Era. E era tanto que, depois de uma aproximação paulatina no marcador até ao 12-11, o Sporting teve várias oportunidades para chegar ao empate numa fase em que a entrada de André Kristensen para a baliza por troca com Mohamed Aly dava resultados mas falhou cinco ataques seguidos para novo avanço de três do conjunto nórdico. Apesar desse revés, quebrado com um golo de Kiko Costa, os leões teriam ainda uma vida extra para jogar antes do intervalo entre retificações que Ricardo Costa ia fazendo nas ações ofensivas. Foi essa vida que, secando o ataque do Aalborg nos últimos dois minutos e meio e permitindo um parcial de 3-0 que levava tudo empatado para o descanso com a vantagem de Felix Möller ter sido excluído (16-16).
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Foi essa vantagem numérica a permitir ataques 6×5 depois da curta experiência no fim da primeira parte em 7×6 com Edy Silva e Victor Romero como pivôs que catapultou o Sporting para seis minutos de sonho logo no arranque do segundo tempo que mudaram aquilo que tinha sido a tendência da partida: entre muitos ataques rápidos e contra-ataques a aproveitarem o pior período de jogo dos dinamarqueses, os leões chegaram a uma vantagem impensável de cinco golos (22-17) que colocava o sonho da passagem como algo real. O que faltava? Segurar esse avanço como não aconteceu por exemplo na segunda parte da partida com o Wisla Plock, que na primeira mão terminou com uma diferença de quatro quando chegou a estar nos dois dígitos.
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O mais “difícil” parecia feito mas, na verdade, o mais difícil estava agora a começar. O Aalborg tinha de ir à procura de novas soluções ofensivas, que tinha mas que não se encontravam a sair nessa fase, e sobretudo passaria a aumentar a profundidade da sua linha defensiva com especial atenção para as ações de primeira linha dos irmãos Costa. A primeira metade desse esforço foi conseguido, de novo com Kristensen a fechar a baliza e com a estabilidade do ataque a manter os cinco golos de avanço (28-23). A partir daí, tudo se foi complicando, com a própria entrada de Fabian Norsten para a baliza em vez do experiente Niklas Landin a contribuir para a recuperação do Aalborg, que “secou” o ataque leonino e chegou mesmo ao empate a cinco minutos do final. Nada ficaria decidido na primeira mão, havia ainda um resultado por definir e que foi discutido até ao derradeiro segundo, com o 12.º golo de Kiko Costa o 31-30 mas um livre de sete metros já com o tempo do jogo esgotado marcado por Buster Juul-Lassen acabou por fazer o 31-31 final.
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