(c) 2023 am|dev

(A) :: A defesa ganhou o Campeonato mas foi o ataque que ganhou muitos jogos: como foram os 64 golos do FC Porto até ao título

A defesa ganhou o Campeonato mas foi o ataque que ganhou muitos jogos: como foram os 64 golos do FC Porto até ao título

Farioli montou a versão de sucesso do FC Porto a partir de trás. Foi aí que ganhou solidez, foi daí que veio liderança. Contudo, a forma de atacar a baliza contrária não ficou atrás e rendeu 64 golos.

Bruno Roseiro
text

Nada acontece por acaso. Quando se olha com atenção para o mercado do FC Porto, uma das preocupações mais prementes passava pela reconstrução da defesa – por uma questão de solidez mas também numa ótica de encontrar novas referências. Foi por isso que, no verão, chegaram à Invicta nomes como Jan Bednarek e Kiwior, a par de Alberto Costa e Dominik Prpic. Foi por isso que, no inverno, foram contratados Thiago Silva e o próprio Pablo Rosario, que é pau para toda a obra. Francesco Farioli desenhou uma nova era que estava assente de trás para a frente com a premissa de que não sofrer aproximava a equipa azul e branca de marcar e ganhar. Apostou forte, ganhou a aposta. Mas o título chegou também com tudo o que fez na frente.

Os números mostram bem a importância de sofrer pouco no desfecho do Campeonato, contrariando até a lógica do que se passara na última temporada em que o Sporting se sagrou campeão sem ser a melhor defesa. Mais: a duas jornadas do final, o FC Porto está em boa posição para superar até o melhor registo dos tempos recentes, quando na época de estreia de Sérgio Conceição (2017/18) os dragões consentiram apenas 18 golos. Ainda assim, e num trajeto que teve oito triunfos por 1-0 e 13 pela margem mínima – quase metade dos 27 conquistados em 32 jornadas –, o ataque também teve o seu papel de protagonismo sobretudo na primeira volta da competição, num total de 43 golos que terminaram agora com a festa do título nacional.

Mas como é que o FC Porto marcou? Olhando para todas as finalizações com sucesso, foram várias as armas aproveitadas por Farioli para levar a melhor. Logo à cabeça, a bola parada: o plantel portista aumentou e muito a sua envergadura, algo que teve depois reflexo nos dez golos marcados na sequência de cantos ou livres laterais (além de sete grandes penalidades), com essa “coroação” final do golo de Jan Bednarek que decidiu a última partida com o Alverca. Depois, aquela que ficou como jogada tipo para chegar ao golo: circulação rápida até aos corredores, vantagem para cruzar, três opções para finalizar entre avançados, alas e até laterais do flanco oposto e médios mais box to box como Froholdt ou Gabri Veiga. O número de jogadores que a equipa colocava para o último passe criou desequilíbrios difíceis de contornar.

Mais ao detalhe, os cerca de dois golos de média por jogo encontraram outros “caminhos”. Por um lado, os lances em diagonal dos alas, sobretudo William Gomes (segundo melhor marcador da equipa na Liga com oito golos, só atrás de Samu com 13) e Oskar Pietuszewski, que se tornou numa espécie de gémeo no flanco oposto do brasileiro a partir da sua chegada em janeiro. A par disso, as segundas bolas ganhas na área para fazer recargas ou as zonas de pressão altas a forçar o erro contrário também estiveram na origem de alguns dos golos do FC Porto no trajeto até ao título. Outra curiosidade: apenas três dos golos surgiram na sequência de remates de fora da área, neste caso de Mora (que desviou quase de forma inadvertida um tiro de longe de Samu frente ao Sp. Braga), de Borja Sainz em Alverca e de Martim Fernandes com o Gil Vicente. A defesa pode ter ganho o Campeonato mas o ataque contribuiu para o triunfo em muitos jogos até ao título.

[Clique nas imagens para ver todos os golos do FC Porto no Campeonato em vídeo]

V. Guimarães (casa, 3-0): Pepê (12′) e Samu (32′ e 79′)

Gil Vicente (fora, 2-0): Froholdt (20′) e Pepê (47′)

Casa Pia (casa, 4-0): Borja Sainz (20′ e 67′), William Gomes (25′) e Nehuén Pérez (40′)

Sporting (fora, 2-1): Luuk de Jong (60′) e William Gomes (64′)

Nacional (casa, 1-0): Samu (31′)

Rio Ave (fora, 3-0): Pablo Rosario (4′), Samu (13′) e Gabri Veiga (52′)

Arouca (fora, 4-0): Samu (12′), Deniz Gül (51′), Francisco Moura (60′) e Zaidu (85′)

Benfica (casa, 0-0)

Moreirense (fora, 2-1): Samu (45+4′) e Deniz Gül (88′)

[Imagens não disponíveis pela transmissão na TVI do encontro]

Sp. Braga (casa, 2-1): Rodrigo Mora (44′) e Borja Sainz (79′)

Famalicão (fora, 1-0): Froholdt (36′)

Estoril (casa, 1-0): William Gomes (8′)

Tondela (fora, 2-0): Samu (48′) e William Gomes (49′)

Estrela (casa, 3-1): Samu (17′ e 73′) e Francisco Moura (63′)

Alverca (fora, 3-0): Borja Sainz (29′ e 69′) e Alan Varela (57′)

AVS (casa, 2-0): Samu (48′ e 64′)

Santa Clara (fora, 1-0): Samu (49′)

V. Guimarães (fora, 1-0): Alan Varela (85′)

Gil Vicente (casa, 3-0): Samu (37′), Martim Fernandes (75′) e William Gomes (86′)

Casa Pia (fora, 1-2): Pablo Rosario (46′)

Sporting (casa, 1-1): Seko Fofana (76′)

Nacional (fora, 1-0): Bednarek (59′)

Rio Ave (casa, 1-0): Froholdt (22′)

Arouca (casa, 3-1): Pietuszewski (1′), William Gomes (90+1′) e Moffi (90+8′)

Benfica (fora, 2-2): Froholdt (10′) e Pietuszewski (40′)

Moreirense (casa, 3-0): Gabri Veiga (14′), Pietuszewski (25′) e William Gomes (81′)

Sp. Braga (fora, 2-1): William Gomes (69′) e Fofana (80′)

Famalicão (casa, 2-2): Alberto Costa (35′) e Fofana (90+1′)

Estoril (fora, 3-1): Pepê (14′), Xeka (32′, p.b.) e Froholdt (72′)

Tondela (casa, 2-0): Gabri Veiga (48′) e Froholdt (65′)

Estrela (fora, 2-1): Deniz Gül (17′ e 37′)

Alverca (casa, 1-0): Bednarek (40′)