As odds para uma meia-final eletrizante entre Atl. Madrid e Arsenal já não eram propriamente as melhores, a possibilidade de isso poder acontecer depois do que tinha acontecido apenas 24 horas antes no PSG-Bayern no Parque dos Príncipes reduziam essa percentagem para 0,000001% (e de forma simpática). Houve golos, teve futebol caviar, acabou com champanhe a rodos pela forma como um dos encontros mais importantes da temporada se transformou num desafio à identidade de duas equipas que só conseguem encarar o jogo num sentido vertical à procura da baliza adversária – com outras particularidades “anormais”, como o facto de Manuel Neuer ter sofrido cinco golos sem fazer uma única defesa. Mas quer isso dizer que o “bom futebol” se tem de resumir apenas a isso? Para quem vê, sim. Para quem anda lá dentro, não necessariamente. E era isso que iria estar à prova em pleno Metropolitano entre duas equipas ainda sem vitórias na Champions.
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Da parte do Atl. Madrid, todas as atenções estavam centradas nesta meia-final. A Liga está resumida a acabar em terceiro ou quarto lugar entrando sempre em lugares de acesso à Liga milionária, a final da Taça teve um desaire nas grandes penalidades frente à Real Sociedad, o último ano de figuras como Griezmann estava só apontado à principal prova europeia. “Pressão? Não, nada. Há um sentimento de responsabilidade e um sentimento especial de antecipação. No final do dia, é um jogo de futebol e são os jogadores que decidem o resultado, só temos de nos preparar bem. Queremos jogar o jogo que imaginámos e levar o encontro para uma fase em que possamos causar problemas ao Arsenal. Se a Champions nos deve alguma coisa depois das três finais perdidas? Não. Somos todos humanos. Toda a gente tem uma opinião diferente mas uma prova não deve nada a ninguém. As coisas têm de ser merecidas e alcançadas”, lançava Simeone antes do jogo.
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Já o Arsenal, a atravessar o período mais titubeante da época jogando não só por um regresso à final da Liga dos Campeões mas também pela quebra do longo jejum na Premier League, via nesta primeira partida das meias-finais uma possível de rampa de lançamento para um final em crescendo – e afastava cenários de uma aproximação do precipício para mais uma temporada do “quase”. “É um privilégio estar aqui novamente, pelo segundo ano consecutivo, nas meias-finais da Champions. É uma oportunidade, vamos agarrá-la. Vão ver uma equipa a querer dominar, a querer vencer e a querer começar a decidir a eliminatória”, referira Mikel Arteta, passando ao lado do interesse dos gunners em Julián Álvarez ventilado pelo próprio Simeone e também de uma polémica falada na imprensa britânica sobre o possível tamanho mais alto… da relva.
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Estava preparado o duelo que de política não tinha nada mas que iria colocar em confronto a necessidade de colocar anarquia do jogo por parte do Atl. Madrid (que teve os seus melhores momentos com Tottenham e Barcelona dessa forma) e a vontade de privilegiar a organização democrática de todos os momentos como o Arsenal fazia com sucesso na primeira metade da época. Mais: acima do medo de falhar que tem vindo a ensombrar os dois conjuntos num passado recente, era a vontade de querer ganhar que podia desbloquear uma meia-final teoricamente equilibrada e sem muitos golos que se antevia. No final, foi isso que se viu. Apesar de ter visto o Arsenal ser melhor na primeira parte com Viktor Gyökeres em foco no dia em que rendeu mais 1,25 milhões de euros ao Sporting pelo 40.º encontro oficial com 45 ou mais minutos feitos, o Atl. Madrid entrou com tudo no segundo tempo, não teve medo daquilo que podia ser a transição ofensiva dos ingleses, empatou e acabou a merecer mais numa eliminatória que fica em aberto.
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O Arsenal teve o mérito de saber perceber os momentos de jogo para se adequar a tudo o que o Atl. Madrid ia tentando ia fazer. Primeiro com mais posse e circulação ainda que em zonas afastadas do último terço, depois teve uma ameaça inicial por Hincapié ao segundo poste depois de uma grande jogada individual de Madueke na direita, mais tarde com Viktor Gyökeres a ganhar em força pela esquerda como fazia tantas vezes nos seus tempos em Alvalade antes do remate de Ödegaard que bateu num defesa contrário quando ia para a baliza. Pelo meio, Julián Álvarez ainda teve um grande movimento à entrada da área com remate para defesa de David Raya mas os gunners estavam melhor sem bola, tinham atenuado em larga medida aquela fúria dos adeptos no arranque da partida e entravam numa zona de conforto que secava o ataque colchonero.
O encontro caminhava para o intervalo sem golos, sem grandes oportunidades a não ser num remate em arco de Madueke após diagonal da direita para o meio que passou perto do poste da baliza de Oblak (30′) e até sem motivos de interesse a não ser o jogo tático a meio-campo que permitia que o Arsenal estivesse bem mais confortável no encontro dentro da clara vitória das defesas contra os ataques. Foi aí que apareceu quem costumava ser o herói inevitável mas que tem andado arredado dos grandes momentos: Viktor Gyökeres foi carregado na área, assumiu a marcação do penálti e colocou os ingleses na frente em cima do descanso (44′).
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O Arsenal tinha as chaves do jogo na mão, o Arsenal teve falta de comparência no reatamento. Na altura em que deveria estancar uma maior projeção ofensiva do Atl. Madrid, o conjunto londrino não soube identificar todas as alterações que Diego Simeone fez ao intervalo, não teve capacidade para travar a projeção dos dois laterais numa linha defensiva que sem bola ficava a três e não encontrou forma de desbloquear a primeira fase de construção, sendo “engolido” pela pressão dos colchoneros que ameaçaram por Julián Álvarez de livre direto, viram depois David Raya a evitar o golo de Lookman antes da recarga de Griezmann que bateu em Gabriel Magalhães e saiu para canto e chegaram mesmo ao empate também de grande penalidade, com Ben White a cortar um remate de Marcos Llorente com o braço para Julián Álvarez fazer o 1-1 (56′).
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Nem mesmo a igualdade mexeu com o estado de espírito sombrio do Arsenal, que continuava sem ter essa capacidade de reentrar de novo na partida apesar das entradas sucessivas de Eze, Bukayo Saka, Trossard e Gabriel Jesus. O banco é um dos melhores da Liga dos Campeões, o banco trouxe pouco crédito para a Liga dos Campeões e continuou a ser o Atl. Madrid por cima no jogo, com uma bola de Griezmann que bateu com estrondo na trave com David Raya batido (63′) e um lance em que Lookman surgiu sozinho na área depois de novo erro defensivo dos gunners para nova defesa de David Raya (74′). Hancko ainda teve uma entrada mais arriscada sobre Eze na área que chegou a dar penálti que seria revertido e seria esse lance a marcar os últimos minutos, com a intensidade de jogo a baixar e com as equipas a “aceitarem” o empate.
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