Cole Allen, suspeito da tentativa de assassinato do Presidente norte-americano, Donald Trump, terá liderado um grupo de estudantes cristãos na faculdade, avançou o The Washington Post.
“Eu via-o a morrer pelas suas crenças”, afirma uma antiga colega de Allen no Instituto de Tecnologia da Califórnia (também conhecida como Caltech. Mas não o via “matar” ninguém pela sua religião, garante Elizabeth Terlinden, que serviu como co-líder da Irmandade Cristã de Caltech com o suspeito, em 2015.
Porém, afirma Terlinden ao jornal norte-americano, a ideia de o suspeito fazer tudo por “dever religioso e moral, independentemente das consequências pessoais”, constituía o seu “carácter”.
A antiga colega frisa que, durante o período em que ambos lideraram o grupo de estudantes cristãos, Allen “não mostrava nenhum apetite por violência“. Elizabeth Terlinden acabou por se afastar da direção da Irmandade quando divergiram do destino de doações, se era para uma instituição local ou no estrangeiro.
Na época, o suspeito seria uma pessoa pouco focada em política, mas que se opunha à homossexualidade, tendo chegado mesmo a apoiar uma proposta de proibir líderes da irmandade de terem relações com pessoas do mesmo género. No entanto, Terlinden afirma que as posições de Allen terão mudado ao longo do tempo.
Outros dois antigos membros da irmandade relembram, sob anonimato, que Allen estudava a Bíblia “diligentemente”. No grupo eram ensinados a serem “disciplinados, humildes, caridosos, como guiados pelo estudo da Bíblia e o exemplo dado por Jesus”.
A fé do suspeito da tentativa de assassinato de Donald Trump tem estado no centro do debate desde o incidente. O Washington Post refere que a fé constituía uma das “principais prioridades” do suspeito, que, no manifesto, a que a imprensa norte-americana teve acesso, agradeceu à sua família “tanto pessoal como de Igreja”.
Allen congregava na igreja cristã Reformada Unida de Pasadena, em Los Angeles, enquanto estudava na Caltech, adianta a BBC, mas o suspeito tem sido acusado por Trump e membros da sua administração de ser um “anticristão“. Em entrevista à Fox News, no passado domingo, o Presidente norte-americano acusou o suspeito de ser um “homem doente” e de ser “anticristão“. “Quando se lê o manifesto [percebe-se que] ele odeia cristãos”, afirmou Trump.
O manifesto refere uma das passagens bíblicas do Evangelho de Lucas (“ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra”), contestada por Allen por considerar que o ato “quando *outra pessoa* é oprimida, não é um comportamento cristão; é cumplicidade para com os crimes do opressor”.