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(A) :: Líderes que vieram mudar a história, miúdos que escreveram a sua história: quem são e o que fizeram os 30 campeões para o 31 do FC Porto

Líderes que vieram mudar a história, miúdos que escreveram a sua história: quem são e o que fizeram os 30 campeões para o 31 do FC Porto

Francesco Farioli utilizou 30 jogadores até chegar ao 31.º Campeonato do FC Porto. Uns saíram, outros chegaram depois, todos tiveram a sua importância – e foi com isto que contribuíram para o título.

Bruno Roseiro
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Pode um título ficar resumido à taxa de sucesso no mercado de transferências? À partida, a ideia parece ser redutora, ainda para mais tratando-se de uma competição marcada pela regularidade e que atravessa vários meses (e momentos) ao longo da temporada. No entanto, e entre muitos sucessos do novo campeão numa época marcada pelo precoce desaparecimento de Jorge Costa em agosto, essa parte revelou-se fundamental para o sucesso coletivo. Francesco Farioli chegou, criou uma identidade, montou uma nova estrutura e teve o mérito de potenciar pontos fortes que poucas ou nenhumas fragilidades deixavam para haver pontos fracos. A par disso, teve o condão de trabalhar da melhor forma com os jogadores – e foram 30 os campeões.

O mercado de verão trouxe as bases dessa nova versão de FC Porto, com a chegada de jogadores de perfis diferentes mas com a mesma importância: Bednarek e Kiwior pela experiência e competitividade, Froholdt por ser a marca identitária de uma nova ideia, Gabri Veiga pela criatividade a meio-campo, Borja Sainz pela velocidade e largura que dava o jogo. Mais tarde, em janeiro, Oskar Pietuszewski fez toda a diferença pelos desequilíbrios a partir da esquerda com apenas 17 anos, Seko Fofana foi um pulmão extra para o meio-campo e o próprio Moffi, não tendo uma folha de golos muito extensa para um 9, foi importante para ir rodando num ataque que perdeu Samu e Luuk de Jong por lesão. Ainda houve mais contratações importantes e que foram somando muitos minutos, como Alberto Costa ou Pablo Rosario. Tudo feito de forma cirúrgica.

A tudo isso, Farioli juntou o melhor de quem estava. William Gomes teve a época de explosão depois de ter deixado boas indicações no Mundial de Clubes, Pepê ganhou uma segunda vida, Samu continuava como o melhor marcador da equipa até lesionar-se, Alan Varela manteve-se como equilíbrio de todas as manobras, Diogo Costa teve uma das temporadas mais conseguidas no Dragão (sobretudo na Liga, com números que nunca tinha atingido). A simbiose de quem veio com quem já estava tornou o FC Porto na melhor, mais regular e mais competitiva formação do Campeonato até ao título que fugia há quatro anos, entre o sucesso de Roger Schmidt no Benfica e o bicampeonato do Sporting. E estes são os 30 nomes que contribuíram para o fim do segundo maior jejum dos dragões este século, apenas separado pelo hiato de cinco anos sem vitórias na Liga de 2013 e 2018, o primeiro ano da era Sérgio Conceição no Dragão.

99. Diogo Costa

32 jogos, 2.835 minutos, 15 golos sofridos, 0 assistências, 3 amarelos e 0 vermelhos

Em condições normais, e num ano de remodelação mais profunda do plantel, a saída de Diogo Costa surgia como uma base para sustentar todo o investimento no mercado. Questão? Perante sondagens que apareciam, os valores apontavam para a proximidade de uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros. Também por isso, as potenciais ofertas que podiam surgir de Inglaterra nunca passaram à prática, com o FC Porto a ter o plano B de fazer outras mais valias no mercado por valores substanciais (como Otávio, João Mário e Gonçalo Borges, além de Francisco Conceição). O guarda-redes ficou, acabaria por renovar em dezembro não só com uma melhoria salarial mas também com o aumento da cláusula para 75 milhões e assumiu-se como um dos líderes de um grupo que ficara sem Pepe e, no ano seguinte, sem Marcano. A resposta em campo não podia ter sido melhor: Diogo Costa fez uma das melhores épocas no Dragão, consentindo menos de meio golo por jogo em média, um foi um dos pilares para a solidez defensiva que segurou a conquista do título ao longo de 32 encontros onde só não realizou 45 minutos quando saiu lesionado na receção ao AVS.

14. Cláudio Ramos

1 jogo, 45 minutos, 0 golos sofridos, 0 assistências, 0 amarelos e 0 vermelhos

Realizou apenas 45 minutos (até ao momento), na receção ao AVS, entrando ao intervalo depois da saída de Diogo Costa por lesão contraída no final da primeira parte. Ainda assim, e naquela que é a sexta temporada no Dragão, voltou a ter um papel determinante no balneário como um dos capitães, trabalhando da mesma forma numa época em que chegou a pensar poder ser o seu momento caso o número 1 tivesse deixado o clube no verão. Foi também titular em dois jogos da Taça de Portugal e na única partida na Taça da Liga.

20. Alberto Costa

27 jogos, 2.045 minutos, 1 golo marcado, 8 assistências, 7 amarelos e 0 vermelhos

Foi um amor antigo que chegou num romance de verão com uma quebra inesperada. Expliquemos: sabendo que o Sporting tinha de novo sondado a Juventus por Alberto Costa, o FC Porto, que tinha o jogador já antes referenciado, avançou para a sua contratação colocando no meio das conversações João Mário, que era dono e senhor da posição. Os negócios foram feitos em separado, o efeito acabou por ser “conjunto”: o lateral que deu nas vistas no V. Guimarães chegou ao Dragão para ser titular, algo que aconteceu quase sempre tirando um período em que Martim Fernandes aproveitou o menor rendimento e alguns problemas físicos para ficar com o lugar. Alberto Costa teve um início fulgurante, com cinco assistências nas cinco rondas iniciais, perdeu depois algum gás mostrando a espaços fragilidades defensivas no jogo nas costas mas voltou a acabar da melhor forma a época com assistências e o primeiro golo na Liga pelos dragões, com o Famalicão.

52. Martim Fernandes

20 jogos, 1.120 minutos, 1 golo marcado, 1 assistência, 4 amarelos e 1 vermelho

Foi jogo de Taça e não de Campeonato, para o que é também serve. Se existe um bom exemplo daquilo que Martim Fernandes representa e “encarna” no FC Porto basta recuar ao clássico frente ao Benfica no Dragão, em que aguentou 60 minutos em campo com o nariz partido, foi trocando várias vezes de camisola mas nem por isso virou a cara à luta – e no jogo seguinte colocou-se à disposição de Farioli. Não teve um início fácil com uma expulsão por acumulação em Arouca, também viveu noites para esquecer como aquela em que fez um autogolo na receção ao Nottingham Forest para a Liga Europa, mas foi sempre um fiel escudeiro com as lições estudadas de tudo o que é o ADN Porto, pronto para jogar à direita ou na esquerda consoante aquilo que a equipa necessitasse. Mesmo sem fazer tantos encontros como em 2024/25, foi uma peça importante entre as opções para a linha defensiva numa época marcada pela renovação de contrato e que teve como cereja no topo do bolo o primeiro golo na equipa principal frente ao Gil Vicente no Dragão.

5. Jan Bednarek

31 jogos, 2.589 minutos, 2 golos marcados, 0 assistências, 8 amarelos e 0 vermelhos

Victor Foholdt foi a contratação que maior impacto teve no estilo de jogo do FC Porto na própria Liga, Jan Bednarek foi a contratação mais importante para a reconstrução daquilo que é o ADN Porto. Por um lado, veio ocupar uma posição fragilizada no plantel e que há muito necessitava de uma referência que se perdera depois das saídas de Pepe (sobretudo) e Marcano. Por outro, trouxe consigo a experiência e a voz de liderança que muitas vezes faltou a Vítor Bruno e Martín Anselmi nos momentos mais complexos da última temporada. Não foi por acaso que se tornou campeão sendo um dos elementos com mais minutos ao longo do Campeonato: imperial no jogo aéreo, farol no setor recuado e peça vital nos esquemas táticas contra e a favor, o polaco de 30 anos ganhou uma segunda vida no Dragão após quase uma década na Premier.

3. Thiago Silva

7 jogos, 485 minutos, 0 golos marcados, 0 assistências, 0 amarelos e 0 vermelhos

Foi uma oportunidade que chegou quase “por acaso” mas que permitiu reescrever uma história que ficara por escrever duas décadas antes. Quando o telefone de André Villas-Boas tocou e os representantes de Thiago Silva manifestaram a disponibilidade do central em regressar ao FC Porto depois da passagem pela equipa B marcada pelo caso de tuberculose (acabaria por ser vendido depois ao Dínamo Moscovo, antes de passar por clubes como AC Milan, PSG ou Chelsea), o líder dos dragões não teve dúvidas. Num instante tudo ficou fechado, num instante o internacional brasileiro mostrou que estava em condições de jogar. E foram meses intensos, entre os sete encontros realizados para o Campeonato num total de 13 pelos dragões, entre o jogo 1.000 em termos oficiais e a morte da mãe e do sogro em março que mostrou toda a união do grupo.

18. Nehuén Pérez

5 jogos, 365 minutos, 1 golo marcado, 0 assistências, 0 amarelos e 0 vermelhos

Apesar das renitências que foi gerando pelas exibições na última época, Nehuén Pérez viu o FC Porto acionar a cláusula de compra após o empréstimo da Udinese e foi opção inicial no eixo recuado dos azuis e brancos ao lado de Jan Bednarek, mostrando um rendimento muito acima daquele que evidenciara em 2024/25. No entanto, acabou por ser um dos maiores “azarados” nos dragões ao longo da campanha: depois de quatro encontros iniciais como titular com um golo marcado frente ao Casa Pia, começou no banco frente ao Nacional na estreia da dupla Bednarek-Kiwior, entrou na segunda parte para o lugar de Francisco Moura e sofreu cinco minutos depois uma rotura total do tendão de Aquiles, o que lhe retirou o resto da temporada.

21. Dominik Prpic

5 jogos, 92 minutos, 0 golos marcados, 0 assistências, 0 amarelos e 0 vermelhos

Foi uma das primeiras contratações da era Farioli, foi também um sinal de que o departamento de scouting dos azuis e brancos apontava a vários mercados e tentava jogar em antecipação (mesmo não obrigando a um grande investimento). No entanto, o internacional Sub-21 da Croácia poucas oportunidades foi tendo sobretudo no Campeonato, somando apenas 92 minutos em cinco encontros sempre como suplente utilizado (o último já no longínquo mês de outubro). Terá na próxima temporada uma espécie de teste à evolução que possa ter feito na presente época, com “professores” como Bednarek, Kiwior ou Thiago Silva.

4. Jakub Kiwior

25 jogos, 2.132 minutos, 0 golos marcados, 0 assistências, 3 amarelos e 0 vermelhos

Foi uma das últimas contratações no mercado de verão, foi também uma das caras novas que Villas-Boas e Farioli mais desejavam. Depois de duas temporadas a fazer 30 encontros oficiais por época no Arsenal, Kiwior tinha espaço limitado com as chegadas de Hincapié e Mosquera e o FC Porto ganhou essa corrida pelo empréstimo do internacional polaco – que vai agora ficar a título definitivo no Dragão. O defesa que antes passara pelo Spezia cumpria todos os requisitos que faltavam: canhoto, capaz de jogar ao meio ou como lateral esquerdo, com saída de bola, experiente, forte em termos físicos, bom no jogo aéreo. Toda essa polivalência valeu-lhe a titularidade indiscutível, começando por jogar mais como central com o compatriota e amigo Bednarek antes de descair para a esquerda perante os problemas físicas de Francisco Moura e Zaidu.

Zé Pedro

2 jogos, 29 minutos, 0 golos marcados, 0 assistências, 0 amarelos e 0 vermelhos

Depois de uma época de maior afirmação na equipa principal do FC Porto, cumprindo um total de 30 jogos em 2024/25, o defesa formado que chegou aos dragões via formação B ainda esteve nos encontros iniciais do Campeonato, sendo suplente utilizado com o Gil Vicente e o Casa Pia, mas acabou por ser transferido para o Cagliari a troco de dois milhões de euros por 50% dos direitos económicos, num acordo entre as partes assumido perante a perda de espaço que teria com as chegadas de Bednarek, Kiwior e Alberto Costa.

74. Francisco Moura

19 jogos, 1.146 minutos, 2 golos marcados, 2 assistências, 5 amarelos e 0 vermelhos

Começou a temporada de novo como titular indiscutível mesmo sendo quase sempre substituído por todo o desgaste que a posição obrigava, teve depois alguns problemas físicos que o condicionaram um período da época, não mais voltou ao rendimento que tinha mostrado em 2024/25 até pelo “ressurgimento” de Zaidu e pela possibilidade de fazer descair Kiwior para a posição tendo Thiago Silva ao lado de Bednarek. Ainda assim, apesar de todos esses condicionalismos, conseguiu ser a chave em alguns jogos mais difíceis do Campeonato, fazendo a assistência no 1-0 frente ao Famalicão e marcando no triunfo por 3-1 com o Estrela.

12. Zaidu

17 jogos, 998 minutos, 1 golo marcado, 1 assistência, 2 amarelos e 0 vermelhos

Depois de uma temporada marcada pela grave lesão que o obrigou a estar vários meses fora dos relvados, o lateral nigeriano, que se tornou numa espécie de talismã desde aquele famoso golo no Estádio da Luz que confirmou o último título do FC Porto até este sábado, Zaidu foi tendo mais competição alternando com Francisco Moura na lateral esquerda, esteve depois concentrado com a seleção nigeriana na Taça das Nações Africanas e regressou para ser opção mais constante sobretudo a partir de fevereiro, quase igualando aquele que foi o número de encontros realizados por Moura. Fez uma assistência em Barcelos frente ao Gil Vicente, marcou um golo em Arouca, guardou as exibições mais consistentes para as últimas rondas do Campeonato.

13. Pablo Rosario

22 jogos, 1.366 minutos, 2 golos marcados, 0 assistências, 6 amarelos e 0 vermelhos

Quando o mercado parecia fechado, Pablo Rosario chegou ao Dragão num raide de pouco tempo entre os contactos iniciais e a assinatura de contrato. Era mais um, foi tudo menos isso. Sendo um jogador que conhece bem as ideias de Francesco Farioli por terem trabalhado juntos no Nice, o dominicano que chegou como médio foi dando outro descanso a Alan Varela sobretudo depois da saída de Eustáquio em janeiro a pensar nos minutos que lhe faziam falta para o Mundial-2026 mas atuou também como central e até como lateral quando a equipa necessitou. Mais: em alguns encontros foi o posicionamento de Rosario no corredor central que conseguiu desbloquear jogos que pareciam mais fechados. Marcou ainda dois golos na Liga.

22. Alan Varela

28 jogos, 2.163 minutos, 2 golos marcados, 0 assistências, 7 amarelos e 0 vermelhos

O médio argentino cumpriu a terceira temporada no Dragão mas funcionou, a par de Diogo Costa, como a “cola” para fazer a ponte entre passado e presente no clube – daí estar também na hierarquia de capitães. A concorrência direta aumentou, com Pablo Rosario a juntar-se a Eustáquio (e Froholdt como hipótese para jogar mais recuado como um falso 6 em caso de necessidade), mas nem por isso Varela viu beliscado o estatuto de indiscutível nos dragões, não sendo utilizado apenas por motivos físicos ou disciplinares. Ganhou outras valências no seu jogo com a chegada de Farioli, que pedia outras características nesse lugar, e foi preponderante no triunfo em Guimarães, marcando de penálti quando Samu já tinha falhado um castigo máximo. Outra curiosidade: mesmo sendo um 6, está no top 5 dos jogadores com mais valor de mercado.

6. Stephen Eustáquio

8 jogos, 183 minutos, 0 golos marcados, 0 assistências, 0 amarelos e 0 vermelhos

Depois de três temporadas consecutivas com 40 ou mais jogos realizados pelos dragões, Eustáquio perdeu espaço nas opções com a chegada de Farioli. Primeiro, pelo 4x3x3 que o italiano definiu como a identidade tática da equipa e que colocava a revelação Froholdt na posição onde o canadiano poderia render mais. Em paralelo, pela versão mais física que o técnico foi querendo imprimir, e que explica também a chegada de um jogador com as características de Fofana. No entanto, Eustáquio nunca deixou de assumir o papel de um dos líderes do grupo, ficando como exemplo o discurso que teve antes da receção ao Gil Vicente que impressionou todos os companheiros e o próprio Farioli (“Deixou-me com pele de galinha, foi arrepiante”, viria a confidenciar”). Acabou por sair em janeiro, num ano em que queria somar muitos tendo em vista um Campeonato do Mundo que terá o seu país como um dos anfitriões com o objetivo de chegar à fase seguinte.

58. Seko Fofana

11 jogos, 221 minutos, 3 golos marcados, 0 assistências, 1 amarelo e 0 vermelhos

A saída de Eustáquio e a vontade de trazer mais músculo ao meio-campo colocou Seko Fofana como um dos reforços do FC Porto no mercado de inverno, sendo mais um jogador que Farioli conhecia bem da passagem pela Ligue 1 quando comandou o Nice. Não chegou para ser titular, não chegou para consolidar uma posição na equipa (até pelo estatuto de emprestado até ao final da temporada), chegou para ajudar em tudo o que fosse necessário – e acabou por ganhar um outro estatuto por ser o jogador que saía do banco para marcar golos nos jogos chave. Contra o Sporting não foi decisivo porque houve empate, contra o Famalicão não foi decisivo porque houve empate, contra o Sp. Braga foi mesmo decisivo e marcou naquele que foi o encontro em que os dragões começaram a encomendar as faixas de campeão. Ficando ou não, foi uma aposta de justificou a todos os níveis, com uma média de um golo por cada… 68,3 minutos.

8. Victor Froholdt

32 jogos, 2.761 minutos, 6 golos marcados, 6 assistências, 2 amarelos e 0 vermelhos

Há muitos jogadores que podem entrar na eleição de MVP da Liga de 2025/26. Do FC Porto, do Sporting, no limite até do Benfica. No entanto, e dentro do novo campeão, Victor Froholdt acabou por ter um destaque como mais nenhum outro. Chegado como um “desconhecido” para muitos, tendo ainda esse “peso” dos 20 milhões pagos ao Copenhaga, o médio dinamarquês não demorou a assumir-se como titular e a revolucionar por completo o futebol dos azuis e brancos. A aposta acertou em cheio, o scouting portista mostrou que pode chegar a mercados pouco explorados mas com tanto ou mais talento, o jogo dos dragões ganhou a extensão que mais nenhum jogador consegue dar naquele meio-campo, mais ou meio ou a descair na direita. Correu, jogou, marcou, assistiu. Tudo uma, duas, várias vezes. A partir de agora, o complicado é segurá-lo.

10. Gabri Veiga

29 jogos, 1.579 minutos, 3 golos marcados, 8 assistências, 6 amarelos e 0 vermelhos

Foi o próprio André Villas-Boas que assumiu: Gabri Veiga é aquele tipo de jogadores com ADN Porto que não tinha outro destino possível que não o Dragão. Perante a possibilidade aberta pelo Al Ahli, assim foi. Depois de ter dado nas vistas por aceitar ir para a Arábia Saudita na sequência da melhor temporada no Celta de Vigo com 21 anos feitos há pouco tempo, o médio percebeu que tinha sido um passo maior do que a perna, não tanto pelo que jogava (e jogava muito) mas pelo futebol que “pedia” ainda os maiores palcos da Europa. Foi desta forma que chegou à Invicta e que se tornou uma peça chave no meio-campo com a particularidade de apenas por duas vezes ter feito os 90 minutos pelo desgaste que a função obrigava. Termina como um dos elementos com mais assistências, marcou três golos e conseguiu surgir em crescendo nos últimos encontros.

86. Rodrigo Mora

26 jogos, 1.006 minutos, 1 golo marcado, 1 assistência, 1 amarelos e 0 vermelhos

Primeiro esteve com pé e meio fora, tentado pelos muitos milhões que chegavam da Arábia Saudita (mais concretamente do campeão, o Al-Ittihad). Ficou. Depois percebeu que dificilmente teria o protagonismo da temporada anterior por encontrar um sistema tático que secundarizava a figura do médio ofensivo/segundo avançado a que estava habituado em 2024/25. Não desistiu. Agora, cumpre o sonho de sagrar-se campeão pelo clube de sempre aos 18 anos, já com um contrato de longa duração até 2030. Rodrigo Mora não teve o ano de afirmação que todos esperavam e nem sequer assumiu o papel de indiscutível na equipa mas acaba a temporada sendo mais jogador, mostrando valências que não eram conhecidas e que ajudaram o coletivo e confirmando que, com todo o talento inato conhecido, pode assumir outro protagonismo em 2026/27.

7. William Gomes

26 jogos, 1.048 minutos, 8 golos marcados, 1 assistência, 5 amarelos e 1 vermelho

O Mundial de Clubes já tinha deixado sinais positivos, a chegada de Farioli acabou polir o diamante em bruto que tinha sido recrutado de forma discreta no mercado de janeiro de 2024/25. William Gomes começou a temporada ao mais alto nível decidindo o clássico em Alvalade com um grande golo, teve depois uma maior intermitência na titularidade pela aposta em Pepê no flanco direito quebrando essa tendência para colocar os alas a jogar com o pé contrário, nunca deixou de ser uma das principais armas ofensivas dos dragões para fazer a diferença no plano ofensivo, terminando como o segundo melhor marcador da equipa na Liga. Foi também o brasileiro que mais vezes conseguiu explorar os movimentos individuais da direita para o meio com remate e as saídas em transição com a aposta na profundidade. Próximo objetivo? A seleção.

11. Pepê

29 jogos, 2.164 minutos, 3 golos marcados, 4 assistências, 2 amarelos e 0 vermelhos

A última época não ficou marcada propriamente pelos melhores motivos, com o ala brasileiro a ficar como a cara do principal “choque” interno que houve com o antigo técnico, Vítor Bruno. Francesco Farioli conseguiu agora trazer a melhor versão de Pepê, numa espécie de segunda vida no Dragão que colocou o jogador como indiscutível na equipa sendo titular nos 28 jogos em que foi utilizado (mesmo sendo substituído em… 23). Começou a época com dois golos e duas assistências nas primeiras cinco jornadas, teve uma queda de produção também pelo acumular de jogos dos azuis e brancos entre Campeonato e Liga Europa, voltou a subir na parte final com um momento importante quando inaugurou o marcador na vitória no Estoril.

17. Borja Sainz

28 jogos, 1.485 minutos, 5 golos marcados, 2 assistências, 5 amarelos e 0 vermelhos

Os 19 golos e quatro assistências em 43 jogos pelo Norwich no Championship não passaram ao lado do FC Porto, que encontrou em Borja Sainz o tipo de extremo para corporizar a identidade tática de Farioli a partir do lado esquerdo do ataque: velocidade, procura da profundidade, capacidade de jogar por dentro, entrada nas zonas de finalização. Foi com esses argumentos que o espanhol foi dono e senhor da posição durante a primeira volta, que fechou com cinco golos e duas assistências, antes de uma segunda metade que foi menos conseguida, muitas vezes a sair do banco de suplentes por troca com Pietuszewski, e marcado também pela morte da mãe, que fez com que todo o plantel o homenageasse no encontro com o Arouca.

77. Oskar Pietuszewski

14 jogos, 760 minutos, 3 golos marcados, 2 assistências, 2 amarelos e 0 vermelhos

Parecia muito dinheiro em janeiro, agora é encarado com um dos melhores negócios do FC Porto nos últimos anos. Oskar Pietuszewski já tem duas internacionalizações A pela Polónia mas nem por isso deixava de ser um miúdo de 17 anos que jogava no Jagiellonia. O departamento de scouting sabia o que estava ali, Farioli potenciou o que estava ali, os dragões ganharam muito com o que estava ali – e arriscam-se a ganhar muito mais depois do valor até dez milhões de euros investido. A maneira como se estreou em Guimarães e os minutos que somou nos dois jogos seguintes estenderam a passadeira da titularidade, com o polaco a dar ao lado esquerdo do ataque a criatividade e o rasgo que tinham deixado de existir com Borja Sainz. Do golo no primeiro minuto contra o Arouca à forma como passou por Otamendi para deixar a sua marca no primeiro clássico nacional, Pietuszewski foi providencial na parte final da temporada portista.

9. Samu

20 jogos, 1.408 minutos, 13 golos marcados, 1 assistência, 3 amarelos e 0 vermelhos

Tinha tudo para fazer uma época tão boa ou melhor do que a anterior, ganhou em Luuk de Jong uma espécie de “professor” com outra experiência para continuar a evoluir como referência ofensiva, terminou a época no início de fevereiro após sofrer uma rotura no ligamento cruzado anterior do joelho direito no clássico frente ao Sporting. Até esse momento, o jovem avançado espanhol, que já tinha visto o avançado neerlandês ficar de fora com uma lesão grave, somou 13 golos num total de 20 jogos para o Campeonato, sendo decisivo e com impacto direto nos triunfos diante de Nacional, Moreirense, Estrela, AVS e Santa Clara. Apesar dessa contrariedade, e mesmo falhando os últimos três meses da época, é o melhor marcador da equipa na prova.

26. Luuk de Jong

5 jogos, 259 minutos, 1 golo marcado, 0 assistências, 1 amarelo e 0 vermelhos

O neerlandês foi aquele tipo de contratação que todas as estruturas sonham: não teve o nome a ser ventilado na imprensa, não viu ninguém à sua espera na chegada, surpreendeu tudo e todos quando foi chamado no jogo de apresentação aos adeptos do FC Porto. Mais: era uma contratação que fazia sentido apesar dos 35 anos, pela experiência, pela profundidade que dava ao banco, pelo que podia ajudar na evolução de Samu. No entanto, e depois de uma primeira ausência por lesão, teve de ser operado em dezembro ao ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, falhando o resto da época. Só marcou um golo… e ao Sporting.

27. Deniz Gül

27 jogos, 1.028 minutos, 4 golos marcados, 1 assistência, 3 amarelos e 0 vermelhos

Depois de uma primeira temporada no Dragão mais discreta, Deniz Gül apostava em 2025/26 para ganhar outro protagonismo na equipa do FC Porto mesmo sabendo que tinha pela frente o “titular” Samu. Começou com chamadas a sair do banco que muitas vezes assumiam uma dupla de avançados na frente, marcou em Arouca e em Moreira de Cónegos, só mesmo com a lesão do avançado espanhol passou a contar com mais minutos de utilização. Apesar dessa aposta, com Moffi a ficar opção número 1 para a Liga Europa, o jovem avançado turco teve de esperar seis meses para voltar aos golos, bisando no triunfo na Amadora.

29. Terem Moffi

9 jogos, 243 minutos, 1 golo marcado, 1 assistência, 2 amarelos e 0 vermelhos

Chegou ao FC Porto também no mercado de inverno por empréstimo do Nice, reencontrando no Dragão o antigo treinador Francesco Farioli. Em boa hora aconteceu, tendo em conta que, pouco tempo depois, uma lesão grave iria afastar Samu dos relvados por largas semanas. O nigeriano foi alternando com Deniz Gül a titularidade, sendo sobretudo opção na Liga Europa, mas deixou também uma pequena marca nessa campanha rumo ao título com um golo frente ao Arouca e uma assistência na receção ao Famalicão.

72. André Miranda

1 jogo, 6 minutos, 0 golos marcados, 0 assistências, 0 amarelos e 0 vermelhos

Depois de uma temporada em que jogou várias competições ao mesmo tempo, entre Segunda Liga pela equipa B, Sub-19 pelos juniores e Youth League no mesmo escalão, André Miranda teve também a chance de fazer a estreia pela formação principal, entrando a seis minutos do final na receção frente ao Arouca.

75. Yann Karamoh

1 jogo, 7 minutos, 0 golos marcados, 0 assistências, 0 amarelos e 0 vermelhos

Assinou já depois do fecho do mercado, chegando ao Dragão a custo zero depois de uma época em que fez 31 jogos no Torino (antes chegou a passar pelo Inter), entrou como suplente utilizado na deslocação do FC Porto a Moreira de Cónegos mas não voltaria a ser opção de Farioli na primeira equipa a não ser na Taça da Liga, tendo passado depois para as opções da equipa B, onde já realizou oito jogos com dois golos.

47. Ángel Alarcón

3 jogos, 56 minutos, 0 golos marcados, 0 assistências, 0 amarelos e 0 vermelhos

Depois de uma temporada em que foi uma das revelações da equipa B, Ángel Alarcón, extremo espanhol que fez a formação no Barcelona, começou a temporada como opção de Francesco Farioli saindo do banco, teve depois oportunidade de ser uma vez titular na Taça da Liga e outra na Liga Europa, mas acabou por ser emprestado a meio da época aos neerlandeses do Utrecht “tapado” pela chegada de Oskar Pietuszewski.