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Governo propõe lei que deixa TAP fora da alçada do Tribunal de Contas. Medida pode acelerar processo de privatização

Executivo enviou ao Parlamento proposta que retira da alçada do Tribunal de Contas as empresas públicas em mercados competitivos com gestão privada. Medida facilita privatização da companhia aérea.

Manuel Nobre Monteiro
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As empresas do setor empresarial do Estado que atuem em mercados internacionais de concorrência e tenham capital privado com peso relevante podem deixar de estar sob a alçada do Tribunal de Contas, adianta o Negócios. A proposta consta de um diploma do Governo que deu entrada no Parlamento e que altera a lei de organização e funcionamento da entidade.

De acordo com o jornal, ficam fora da jurisdição e do controlo financeiro do tribunal as empresas públicas em que o acionista privado seja maioritário ou, mesmo sendo minoritário, tenha poderes de gestão através de acordos parassociais ou regras estatutárias. A medida ainda terá de ser votada pela Assembleia da República.

A TAP está abrangida nesta medida já num cenário pós-privatização. A transportadora aérea opera num mercado internacional competitivo e, com a entrada de capital privado e transferência da gestão, passará a cumprir os critérios definidos na proposta.

Atualmente, a TAP está sujeita à fiscalização do Tribunal de Contas, incluindo o visto prévio para contratos acima de determinados montantes e auditorias posteriores. Este controlo tem sido apontado pela gestão da companhia como um fator de rigidez operacional, especialmente em decisões rápidas de contratação.

O Eco nota que a alteração legislativa é vista como relevante no contexto da privatização, já que elimina uma das condições consideradas críticas pelos interessados (Air France-KLM e Lufthansa). Com esta possível mudança, o Governo deixa de depender da aprovação do Tribunal de Contas em algumas fases, o que lhe dá mais liberdade para avançar com a privatização. Na prática, significa menos burocracia e menos risco de o processo ficar parado por questões legais.

O modelo previsto de compra da empresa aponta para a venda de 49,9% do capital a privados (com uma parcela de 5% reservada a trabalhadores) e a atribuição da gestão ao novo acionista.

https://observador.pt/especiais/governo-tem-pressa-em-fechar-venda-da-tap-porque-pode-vir-ai-uma-crise-propostas-muito-proximas-dao-mais-relevancia-ao-preco/

Ainda assim, o processo continua marcado por incertezas. Entre elas está a questão europeia relacionada com as ajudas de Estado concedidas durante a pandemia, contestadas pela Ryanair, assim como o contexto internacional do setor da aviação, marcado por pressões nos custos, nomeadamente no combustível, que pesa significativamente nas contas das companhias aéreas.