Um grupo de investigadores da Universidade de Alicante (UA) e do Instituto de Investigação em Saúde e Biomedicina (ISABIAL) criou uma plataforma de inteligência artificial para a identificação precoce da doença de Alzheimer através da análise da voz.
O projeto, financiado pelo Ministério da Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Comunidade Valenciana com recursos do programa Next Generation EU, centrou-se na deteção da doença de Alzheimer, dado que os tratamentos atuais se mostraram mais eficazes quando administrados nas fases iniciais da doença.
A UA explicou, em comunicado, que a Plataforma de Inteligência Artificial para a Deteção Precoce da Doença de Alzheimer através da Voz (IAEAV) foi concebida para identificar padrões de declínio cognitivo através da análise de sinais acústicos e linguísticos na voz humana, noticiou na terça-feira a agência Efe.
Para tal, utilizaram tecnologias avançadas de processamento de linguagem natural (PLN) e de aprendizagem profunda que permitem aos utilizadores, através de uma aplicação móvel, gravar as suas vozes em diversos contextos, como a leitura de textos, a narração espontânea ou a resposta a perguntas padronizadas.
Posteriormente, as gravações são processadas para extrair características acústicas, incluindo o tom, a intensidade e as pausas, bem como características linguísticas, como a riqueza semântica e as lacunas de fluência. Estas características são depois avaliadas por modelos de aprendizagem automática para obter uma deteção mais precisa e personalizada.
A equipa de investigação foi liderada por Miguel Ángel Teruel, da UA, como investigador principal, e Ángel Pérez Sempere, do ISABIAL. A aplicação foi concebida para utilização tanto em ambientes clínicos como domiciliários, o que, segundo os investigadores, “reduz as barreiras de acesso e facilita a recolha de dados em populações com recursos limitados”.
Esta tecnologia “não só procurou melhorar a deteção clínica, como também contribuiu para o desenvolvimento científico ao gerar grandes volumes de dados de voz, o que pode facilitar a investigação mais aprofundada sobre a relação entre as perturbações da linguagem e as alterações neurodegenerativas, promovendo avanços no tratamento e controlo da doença”, realçou Teruel.