(c) 2023 am|dev

(A) :: No meio de ovações, Rei Carlos III atou o "laço inquebrável" entre EUA e Reino Unido e defendeu a NATO no Congresso norte-americano

No meio de ovações, Rei Carlos III atou o "laço inquebrável" entre EUA e Reino Unido e defendeu a NATO no Congresso norte-americano

Monarca britânico recordou o 11 de setembro para notar a importância da NATO após o ataque sem precedentes aos EUA. Aliança militar "é mais importante que nunca" nestes "tempos turbulentos", defende.

Marina Ferreira
text

No púlpito do Congresso dos EUA, na primeira viagem oficial ao país como chefe da Família Real Britânica, Carlos III apelou à união dos dois países. “O laço de amizade e identidade que nos une é incalculável e eterno, não pode ser substituído e é inquebrável”, afirmou o monarca perante congressistas democratas e republicanos no órgão legislativo esta terça-feira.

O Rei começou o discurso a condenar a tentativa de ataque a Donald Trump no Jantar de Correspondentes no Hotel Hilton, em Washington DC, “Tais atos de violência nunca vão ter sucesso”, garantiu, lamentando o aumento da violência por todo o mundo e os tempos de incerteza causados pelas guerras na Europa e no Médio Oriente.

É por isso, que nas palavras de Carlos III, a aliança militar da NATO “é mais importante do que nunca”. “O empenho e a experiência das Forças Armadas dos EUA e dos seus aliados são a essência da NATO, empenhados na defesa mútua, protegendo os nossos cidadãos e interesses, mantendo os norte-americanos e os europeus a salvo dos nossos adversários comuns”, afirmou.

“Rezo com toda a força para que possamos continuar a defender os nossos valores, assim como os nossos parceiros na Europa”, acrescentou o monarca britânico, que fez questão de referir que as “palavras da América acarretam um peso e significado e isso acontece desde a sua independência”. As ações deste país importam ainda mais”, assegurou Carlos III, sendo que Trump tem criticado repetidamente a NATO por não se envolver no conflito com o Irão, chegando mesmo a ameaçar retirar os EUA da organização militar.

Carlos III faz também questão de mencionar o 11 de setembro de 2001, uma tragédia cujo “choque” se “espalhou pelo mundo”. “É um dia que nunca deverá ser esquecido”, disse o Rei, lembrando o momento em que o artigo 5º da NATO foi invocado pela primeira vez. “Respondemos à chamada juntos”, assegura, e é assim que apela a que continue a acontecer.

Mesmo com “diferenças e discórdias”, Carlos III diz que se mantém união entre os dois países

O Rei de Inglaterra admitiu que os desafios que os EUA, Reino Unido e o resto do mundo enfrentam “são demasiado grandes para uma nação os enfrentar sozinha”. “As nossas nações combinam talento e recursos para as tecnologias do amanhã. As nossas parcerias na fusão nuclear e na Inteligência Artificial preveem a possibilidade de serem salvas milhares de vidas”, garantiu.

Num dos momentos em que recebeu uma das ovações mais longas por parte dos congressistas, Carlos III referiu-se à religião cristã enquanto “uma âncora firme que guia” os dois países e apelou a que a “luz ganhe sobre a escuridão”, referindo-se aos vários conflitos bélicos promovidos pelas diferenças religiosas nestes “tempos turbulentos”, ressalvando a importância de respeitar as “pessoas que professam todas as fés”.

De forma ligeira, o monarca reconheceu que nas relações entre EUA e Reino Unido há momentos em que se “concorda que nem sempre concorda”. Mas ressalvou que, entre “diferenças e discórdias”, é mantida a união no “compromisso para proteger a democracia” e os dois “povos do mal”.

Carlos III destacou o “maior respeito pelo Congresso dos EUA que representa a voz de todos os norte-americanos”, recordando também a intervenção da mãe, a rainha Isabel II, no Capitólio, em 1991.

O que ficou por dizer e a foto dos “dois reis” na Casa Branca

Horas antes de Carlos III chegar ao Congresso dos EUA já se dizia que “seria de esperar que este fosse um momento para o Rei enviar uma mensagem ao mundo de que está ao lado das sobreviventes” do caso de Jeffrey Epstein.

As palavras são de Sky Roberts, irmão de Virginia Giuffre, a mulher que acusou o príncipe André de abuso sexual em 2021 e que morreu em 2025. “Os sobreviventes estão aqui, sentados com membros do Congresso, ainda a lutar para serem ouvidos, ainda a pressionar pela responsabilização real, enquanto muitas das figuras poderosas ligadas a estes sistemas permanecem fora de alcance, incapazes de reconhecer as sobreviventes cara a cara”, afirmou o familiar de Giuffre, citado pelo The Guardian.

Ro Khanna, congressista democrata e coautor da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein promoveu uma mesa redonda no Congresso norte-americano com vários sobreviventes e familiares do caso Epstein antes do discurso do monarca britânico.

Após a intervenção de Carlos III, Khanna criticou o Rei por não mencionar as sobreviventes de Jeffrey Epstein no seu discurso. “É muito dececionante porque o embaixador britânico disse-me pessoalmente que faria isso. E o facto de ele não ter tido a decência de reconhecer os sobreviventes que estavam neste prédio demonstra uma grande falta de introspeção e responsabilidade”, disse, citado pela CNN Internacional.

Por outro lado, ainda decorria o discurso do monarca de Inglaterra no órgão legislativo norte-americano e a página oficial da Casa Branca na rede social X partilhava uma fotografia de Donald Trump e Carlos III, sorridentes, na Casa Branca. A descrição escolhida foi “dois reis”, com a adição de um emoji de uma coroa.

https://twitter.com/WhiteHouse/status/2049208884280062270?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2049208884280062270%7Ctwgr%5E9fe4c442193346ea589898dc214430f39c352748%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fobservador.pt%2Fliveblog-partial-admin%2F

[As fotografias da câmara de Carlos Castro são apenas um dos elementos de prova a que o Observador teve acesso. Os ficheiros da investigação permitem reconstituir como a relação com Renato Seabra se começou a deteriorar, dias antes do homicídio num hotel de luxo em Nova Iorque. Ouça o quarto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]