No púlpito do Congresso dos EUA, na primeira viagem oficial ao país como chefe da Família Real Britânica, Carlos III apelou à união dos dois países. “O laço de amizade e identidade que nos une é incalculável e eterno, não pode ser substituído e é inquebrável”, afirmou o monarca perante congressistas democratas e republicanos no órgão legislativo esta terça-feira.
O Rei começou o discurso a condenar a tentativa de ataque a Donald Trump no Jantar de Correspondentes no Hotel Hilton, em Washington DC, “Tais atos de violência nunca vão ter sucesso”, garantiu, lamentando o aumento da violência por todo o mundo e os tempos de incerteza causados pelas guerras na Europa e no Médio Oriente.
É por isso, que nas palavras de Carlos III, a aliança militar da NATO “é mais importante do que nunca”. “O empenho e a experiência das Forças Armadas dos EUA e dos seus aliados são a essência da NATO, empenhados na defesa mútua, protegendo os nossos cidadãos e interesses, mantendo os norte-americanos e os europeus a salvo dos nossos adversários comuns”, afirmou.
“Rezo com toda a força para que possamos continuar a defender os nossos valores, assim como os nossos parceiros na Europa”, acrescentou o monarca britânico, que fez questão de referir que as “palavras da América acarretam um peso e significado e isso acontece desde a sua independência”. As ações deste país importam ainda mais”, assegurou Carlos III, sendo que Trump tem criticado repetidamente a NATO por não se envolver no conflito com o Irão, chegando mesmo a ameaçar retirar os EUA da organização militar.
Carlos III faz também questão de mencionar o 11 de setembro de 2001, uma tragédia cujo “choque” se “espalhou pelo mundo”. “É um dia que nunca deverá ser esquecido”, disse o Rei, lembrando o momento em que o artigo 5º da NATO foi invocado pela primeira vez. “Respondemos à chamada juntos”, assegura, e é assim que apela a que continue a acontecer.
Mesmo com “diferenças e discórdias”, Carlos III diz que se mantém união entre os dois países
O Rei de Inglaterra admitiu que os desafios que os EUA, Reino Unido e o resto do mundo enfrentam “são demasiado grandes para uma nação os enfrentar sozinha”. “As nossas nações combinam talento e recursos para as tecnologias do amanhã. As nossas parcerias na fusão nuclear e na Inteligência Artificial preveem a possibilidade de serem salvas milhares de vidas”, garantiu.
Num dos momentos em que recebeu uma das ovações mais longas por parte dos congressistas, Carlos III referiu-se à religião cristã enquanto “uma âncora firme que guia” os dois países e apelou a que a “luz ganhe sobre a escuridão”, referindo-se aos vários conflitos bélicos promovidos pelas diferenças religiosas nestes “tempos turbulentos”, ressalvando a importância de respeitar as “pessoas que professam todas as fés”.
De forma ligeira, o monarca reconheceu que nas relações entre EUA e Reino Unido há momentos em que se “concorda que nem sempre concorda”. Mas ressalvou que, entre “diferenças e discórdias”, é mantida a união no “compromisso para proteger a democracia” e os dois “povos do mal”.
Carlos III destacou o “maior respeito pelo Congresso dos EUA que representa a voz de todos os norte-americanos”, recordando também a intervenção da mãe, a rainha Isabel II, no Capitólio, em 1991.
O que ficou por dizer e a foto dos “dois reis” na Casa Branca
Horas antes de Carlos III chegar ao Congresso dos EUA já se dizia que “seria de esperar que este fosse um momento para o Rei enviar uma mensagem ao mundo de que está ao lado das sobreviventes” do caso de Jeffrey Epstein.
As palavras são de Sky Roberts, irmão de Virginia Giuffre, a mulher que acusou o príncipe André de abuso sexual em 2021 e que morreu em 2025. “Os sobreviventes estão aqui, sentados com membros do Congresso, ainda a lutar para serem ouvidos, ainda a pressionar pela responsabilização real, enquanto muitas das figuras poderosas ligadas a estes sistemas permanecem fora de alcance, incapazes de reconhecer as sobreviventes cara a cara”, afirmou o familiar de Giuffre, citado pelo The Guardian.
Ro Khanna, congressista democrata e coautor da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein promoveu uma mesa redonda no Congresso norte-americano com vários sobreviventes e familiares do caso Epstein antes do discurso do monarca britânico.
Após a intervenção de Carlos III, Khanna criticou o Rei por não mencionar as sobreviventes de Jeffrey Epstein no seu discurso. “É muito dececionante porque o embaixador britânico disse-me pessoalmente que faria isso. E o facto de ele não ter tido a decência de reconhecer os sobreviventes que estavam neste prédio demonstra uma grande falta de introspeção e responsabilidade”, disse, citado pela CNN Internacional.
Por outro lado, ainda decorria o discurso do monarca de Inglaterra no órgão legislativo norte-americano e a página oficial da Casa Branca na rede social X partilhava uma fotografia de Donald Trump e Carlos III, sorridentes, na Casa Branca. A descrição escolhida foi “dois reis”, com a adição de um emoji de uma coroa.
https://twitter.com/WhiteHouse/status/2049208884280062270?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2049208884280062270%7Ctwgr%5E9fe4c442193346ea589898dc214430f39c352748%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fobservador.pt%2Fliveblog-partial-admin%2F
[As fotografias da câmara de Carlos Castro são apenas um dos elementos de prova a que o Observador teve acesso. Os ficheiros da investigação permitem reconstituir como a relação com Renato Seabra se começou a deteriorar, dias antes do homicídio num hotel de luxo em Nova Iorque. Ouça o quarto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]
