Quase uma semana depois das polémicas declarações de Pedro Nuno Santos, que regressou ao Parlamento a disparar contra “taticistas” dentro do PS — atingindo o seu antigo amigo e aliado Duarte Cordeiro –, chegou a resposta e crítica do seu principal alvo. “Não sei a quem se dirigia, se por acaso se dirigia a mim, falha o alvo“, disse Duarte Cordeiro, na noite desta terça-feira.
No seu espaço de comentário no canal Now, Cordeiro criticou que o antigo líder regresse ao Parlamento com uma declaração que “diz muito pouco aos portugueses”, sobretudo numa altura de crise e de aumento do custo de vida. “A polémica não tem interesse nenhum“, “era dispensável” e “não traz nada de positivo”, acrescentou o socialista sobre as palavras de Pedro Nuno na quarta-feira passada. Convencido de que “os portugueses não estão interessados neste tipo de polémicas”, o antigo ministro do Ambiente disse também que não vai “acompanhar” Pedro Nuno neste tipo de declarações.
Mas acusou o toque, ao sublinhar que na sua “vida política, em diversos momentos” as suas “convicções” o levaram “a tomar posições que nem sempre eram as mais populares”, pelo que não se revê no que disse Pedro Nuno Santos sobre “taticismo”.
Há duas semanas, Duarte Cordeiro recusou o convite de José Luís Carneiro para fazer parte dos órgãos de direção do partido, por sentir “uma grande preocupação da liderança, nas notícias que foi promovendo, em projetar que quem aceitava o convite da Comissão Política Nacional ou era da equipa ou apoiava o líder”. Quis conservar “liberdade para discordar”, o que foi lido como um posicionamento para o futuro do partido. E o socialista não se coloca fora do lote de possibilidades para o pós-Carneiro.
https://observador.pt/2026/04/19/duarte-cordeiro-quer-ficar-menos-comprometido-com-lider-do-ps-e-ter-mais-liberdade-para-discordar/
Questionado sobre se exclui candidatar-se à liderança do PS em 2028, Cordeiro refugiou-se na “dificuldade em antecipar” o que vai fazer num prazo tão longo para não rejeitar essa via. “Neste momento” disse, mais uma vez, estar “concentrado na vida profissional”, optando por ficar afastado dos órgãos nacionais do PS. E utiliza novamente a expressão para recusar estar a preparar essa corrida: “Neste momento, não estou a preparar nenhuma candidatura”.
O fim público de um pacto político com décadas, entre Cordeiro e Pedro Nuno Santos, agitou o PS na semana passada. O antigo líder garante que regressa para “ajudar a combater um Governo medíocre“, mas o seu mediatismo e os moldes do regresso levantaram dúvidas sobre a sua ambição neste momento. Tem garantido não ter agenda, mas o regresso estrondoso provocou algum mal-estar entre socialistas.
Já a decisão de Duarte Cordeiro, com este distanciamento de órgãos do partido, é interpretada como uma marcação para o futuro. “Vou continuar a agir de acordo com as minhas convicções”, disse ainda no Now sobre a sua decisão para o presente e a sua posição para o futuro.
https://observador.pt/especiais/pedro-nuno-ataca-taticistas-e-atinge-cordeiro-como-colapsou-uma-amizade-de-decadas-no-ps/
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