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"Continuo inocente": ex-diretor do FBI enfrenta mandado de prisão por foto de conchas interpretada como ameaça a Trump

James Comey foi indiciado por dois crimes porque publicou no Instagram foto com conchas dispostas em "86 47", gíria interpretada nos EUA como ameaça a Trump. Ex-diretor do FBI diz "não ter medo".

Mariana Furtado
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Agência Lusa
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James Comey, o ex-diretor do FBI e um dos críticos mais vocais de Donald Trump, diz não ter medo das acusações da administração Trump, depois de ter sido indiciado esta terça-feira no Distrito Leste da Carolina do Norte. A acusação, que resultou na emissão de um mandado de prisão por um júri, não se baseia em documentos classificados ou atos administrativos, mas sim numa fotografia com conchas publicada no Instagram. Segundo fontes citadas pela CNN, esta é a segunda tentativa de a administração norte-americana processar um dos seus principais oponentes políticos.

O júri indiciou Comey por dois crimes federais: ameaça de morte ou agressão contra Donald Trump e transmissão da ameaça entre estados via Instagram. Em conferência de imprensa, os procuradores alegam que o ex-diretor agiu “consciente e intencionalmente”, violando a lei que protege o chefe de Estado.

“Embora este caso seja único, e esta acusação se destaque devido ao nome do réu, a conduta alegada é exatamente o tipo de conduta que nunca toleraremos e que sempre investigaremos e processaremos”, declarou o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche. Momentos depois, o atual diretor do FBI, Kash Patel, esclareceu que o processo resultou de uma investigação levada a cabo nos últimos “nove/10/11” meses, ressalvando, porém, que a decisão final de avançar com a acusação coube ao grande júri.

https://twitter.com/FBI/status/2049237461788729628

Na fotografia, as conchas surgem dispostas de modo a formar os números “86 47”. Segundo a acusação, a sequência constitui uma expressão de intenção de causar dano: no vernáculo americano, “86” é uma gíria para eliminar ou descartar, enquanto “47” identifica o atual mandato de Donald Trump.

Por volta de 15 de maio de 2025, no Distrito Leste da Carolina do Norte, o réu, consciente e intencionalmente ameaçou tirar a vida e infligir danos corporais ao Presidente dos Estados Unidos, ao publicar uma fotografia na rede social Instagram que mostrava conchas do mar dispostas num padrão que formava o número ’86 47′, o qual um destinatário razoável familiarizado com as circunstâncias interpretaria como uma séria expressão de intenção de causar dano ao Presidente dos Estados Unidos”, lê-se na acusação.

Quando partilhou a fotografia — que entretanto voltou a circular nas redes sociais —, o ex-diretor escreveu na legenda: “Formação de conchas incrível durante o meu passeio na praia”.

Ao ser questionado no programa de Stephen Colbert, na CBS, o ex-diretor explicou: “A minha mulher e eu estávamos a passear na praia e vimos aqueles números formados com conchas na areia… foi outra pessoa que fez!”, garantiu.

https://twitter.com/WatchSalemNews/status/1925198756909048030

“Continuo inocente”. Ex-diretor do FBI diz “não ter medo” da Casa Branca

Já esta terça-feira, depois de terem sido formalizadas as duas acusações de ameaça contra Donald Trump, Comey reiterou a sua inocência e garantiu “não ter medo” da Casa Branca. “Continuo inocente, continuo a não ter medo e continuo a acreditar numa justiça federal independente”, declarou James Comey, num vídeo divulgado na terça-feira.

“Ameaçar atentar contra a vida do Presidente dos Estados Unidos nunca será tolerado pelo Departamento de Justiça”, declarou o procurador-geral interino, Todd Blanche, numa conferência de imprensa, sublinhando que cada uma das duas acusações é passível de uma pena máxima de dez anos de prisão.

A publicação gerou críticas imediatas de republicanos e funcionários da administração. Na altura, a secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, anunciou uma investigação do Serviço Secreto, classificando a publicação como um “apelo ao assassinato” de Trump. No âmbito desta investigação, o ex-diretor foi submetido a um interrogatório de várias horas em Washington — uma medida considerada invulgar para uma ameaça não especificada — onde explicou ter encontrado as conchas numa praia da Carolina do Norte. Em declarações à Fox News na altura, o próprio Presidente manifestou a convicção de que a publicação de Comey não fora um acaso, mas sim uma ameaça deliberada.

https://observador.pt/2025/05/16/presumivel-ameaca-contra-trump-resulta-em-investigacao-contra-ex-diretor-do-fbi/

Comey removeu a publicação no mesmo dia, admitindo ter presumido que os projéteis representavam “uma mensagem política”,  mas negando qualquer conhecimento da associação dos números à violência. “Nunca me passou pela cabeça, mas sou contra qualquer tipo de violência, então apaguei a publicação”, justificou na altura.

Notícia atualizada pelas 7h15 desta quarta-feira com a reação de James Comey

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