(c) 2023 am|dev

(A) :: Soldado dos EUA declara-se inocente de lucrar com aposta sobre a operação que retirou Maduro do poder

Soldado dos EUA declara-se inocente de lucrar com aposta sobre a operação que retirou Maduro do poder

Apesar das imagens que alegadamente o captam fardado num navio ao nascer do sol, logo após a operação, a palavra do soldado vestido à civil no tribunal de Nova Iorque foi uma: inocente.

Mariana Furtado
text

O soldado das forças especiais que participou na captura de Nicolás Maduro declarou-se inocente, esta terça-feira, da acusação de ter transformado a operação militar num esquema de lucro pessoal. Gannon Ken Van Dyke, militar de 38 anos, foi acusado na quinta-feira de ter utilizado informações confidenciais ao apostar no sucesso da missão que retirou Maduro do poder, em Caracas, e com isso obter mais de 400 mil dólares (cerca de 342 mil euros).

Perante a juíza Margaret Garnett, num tribunal de Nova Iorque, o militar — que se apresentou vestido à civil — viu a sua liberdade ser concedida sob condições. Para aguardar o julgamento fora da prisão, Van Dyke foi obrigado a entregar o seu passaporte e todas as armas de fogo que possuía, mantendo-se a fiança de 250 mil dólares (cerca de 214 mil euros) já fixada anteriormente.

https://observador.pt/2026/04/24/sargento-norte-americano-acusado-de-usar-informacoes-confidenciais-para-apostar-na-queda-de-nicolas-maduro/

A acusação sustenta que Van Dyke, aproveitando o seu envolvimento direto no planeamento da incursão a Caracas, na madrugada de 3 de janeiro, antecipou o desfecho da missão na plataforma Polymarket. Horas antes de retirar o líder venezuelano do palácio presidencial sob fogo intenso, o soldado terá apostado 32 mil dólares (cerca de 27 mil euros) na queda do regime.

Uma das provas centrais apresentadas pelos procuradores é uma fotografia do arguido tirada logo após a intervenção. Na imagem, Van Dyke surge “no que parece ser o convés de um navio no mar, ao nascer do sol, vestindo uniforme militar americano e carregando uma espingarda, ao lado de três outros indivíduos também vestidos com uniformes militares americanos”, indica a acusação.

É a primeira vez que procuradores federais avançam com acusações criminais por apostas em mercados de previsão baseadas em informação privilegiada. O processo, que envolve cinco tipos de crimes (uso indevido de informações governamentais, roubo de dados não públicos, fraude sobre mercadorias, fraude eletrónica e envolvimento em transações monetárias com bens provenientes de atividades ilegais), terá nova audiência a 8 de junho. “Somos como um dentista aqui”, afirmou a juíza, rematando: “Não o deixo sair sem a próxima consulta marcada”.

[As fotografias da câmara de Carlos Castro são apenas um dos elementos de prova a que o Observador teve acesso. Os ficheiros da investigação permitem reconstituir como a relação com Renato Seabra se começou a deteriorar, dias antes do homicídio num hotel de luxo em Nova Iorque. Ouça o quarto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo e aqui o terceiro episódio]