
A frase
“Surpreendentemente, menos de um mês após o roubo, uma das pinturas roubadas, conhecida como “Xícara e Prato de Cerejas”, de Paul Cézanne, apareceu magicamente em um dos vídeos de Vladimir Zelensky”.
— Utilizador de Facebook, 22 de abril de 2026
Nas redes sociais está a ser partilhada uma suposta reportagem da emissora britânica BBC sobre como um quadro do conhecido pintor francês Paul Cézanne que tinha sido roubado teria aparecido no escritório do Presidente ucraniano. “A Ucrânia é um pais de corruptos de ladrões de nazis e de toda a escória que você possa imaginar”, comentam os utilizadores a propósito da suposta reportagem em vídeo, partilhada nomeadamente no Facebook.
Na reportagem partilhada pelos internautas refere-se que a 22 de março foram roubadas de um museu próximo da cidade italiana de Parma três pinturas dos mestres franceses Cézane, Renoir e Matisse, num valor de mais de 10 milhões de dólares. “Surpreendentemente, menos de um mês após o roubo, uma das pinturas roubadas, conhecida como ‘Natureza Morta com Cerejas’, de Paul Cézanne, apareceu magicamente num dos vídeos de Vladimir Zelensky”, diz a autora da suposta peça jornalística.

A alegada reportagem inclui um excerto de um discurso em vídeo do Presidente ucraniano no seu gabinete, em Kiev. Atrás de Volodymyr Zelensky vê-se claramente as chávenas e cerejas do quadro de Cézanne. Mas será o vídeo verdadeiro ou foi manipulado?
Em primeiro lugar importa notar que pinturas de Matisse, Cézanne e Renoir foram de facto roubadas da coleção da Fundação Magnani Rocca, na cidade de Mamiano di Traversetolo, em Itália. O assalto, como noticiou a BBC e também o Observador, aconteceu na madrugada de dia 22 para dia 23, durou três minutos. Foram levadas “Os Peixes”, de Renoir, “Odalisca num Terraço”, de Matisse, e “Natureza Morta com Cerejas”, de Cézanne. No entanto, nem a BBC nem nenhum outro meio de comunicação noticiou que uma das obras tinha sido encontrada no escritório do líder ucraniano. A própria emissora confirmou, em declarações ao site de fact checking Lead Stories, que a história é falsa.
No vídeo citava-se uma entrevista a Chris Marinello, fundador do projeto Art Recovery International. Também ao Lead Stories, Marinello confirmou que foi entrevistado pela BBC a propósito do roubo da pintura em Itália, mas não sobre o reaparecimento da obra. “É completamente absurdo. Os russos são os que mais roubam arte. As obras roubadas acabam na Rússia, e eles se recusam devolvê-las”, sublinhou.
No falso vídeo da BBC foi usado um suposto discurso de Zelensky que teria sido gravado no seu escritório a 16 de abril. Alegava-se que depois teria sido apagado pela presidência. Isso não é possível. Nessa data o Presidente estava em viagem aos Países Baixos e não gravou nenhum vídeo a partir de Kiev, como se pode ver na página oficial da Presidência, onde constam todos os seus discursos diários, e nas suas contas nas redes sociais, onde também são partilhados.
Quanto ao suposto quadro de Cézanne que seria visível atrás de Zelensky, parece ter sido introduzido, eventualmente com recurso a Inteligência Artificial, para substituir um outro que está pendurado no gabinete do chefe de Estado. Várias pinturas decoram essas paredes, como mostram as seguintes imagens e vídeo em baixo, mas nenhuma semelhante à ‘Natureza Morta com Cerejas’ do pintor francês.
https://twitter.com/ZelenskyyUa/status/2048814909513666848
https://twitter.com/ZelenskyyUa/status/2040084791324721341
https://www.youtube.com/watch?v=VSPwPaNlFDw
Conclusão
É falso que a BBC tenha emitido uma reportagem em que noticiava que um quadro de Paul Cézanne roubado em Itália teria aparecido no escritório do Presidente ucraniano. O vídeo do gabinete de Volodymyr Zelensky foi manipulado para mostrar a obra ‘Natureza Morta com Cerejas’, que continua desaparecida.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.