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Empresários próximos de Orbán enviam fortunas para o estrangeiro

Empresários próximos de Orbán estão "sob pressão" e desviam fundos para o estrangeiro, antes da tomada de posse de Magyar, que promete recuperar bens e investigar origem de riquezas.

Agência Lusa
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Empresários próximos do primeiro-ministro cessante da Hungria, Viktor Orbán, estão a transferir fortunas para o estrangeiro antes da chegada ao poder do conservador Péter Magyar, noticiou esta terça-feira a imprensa húngara.

Por seu lado, a polícia húngara anunciou ter iniciado investigações sobre alegados casos de desvio de fundos de dinheiro público e pediu à população que partilhasse informações com as autoridades.

O portal independente húngaro avançou que empresários próximos de Orbán estão “sob pressão contra o tempo” e tentam por isso transferir ativos para o estrangeiro, nomeadamente Emirados Árabes Unidos, Singapura e Hong Kong, entre outros.

Durante os 16 anos de poder do ultranacionalista Orbán, vários empresários acumularam fortunas significativas, incluindo familiares e amigos próximos do próprio primeiro-ministro, como a oposição e organizações não-governamentais (ONG) húngaras têm vindo a denunciar há anos.

Orbán sofreu uma pesada derrota eleitoral a 12 de abril frente a Magyar, cujo partido (Tisza) vai ter uma maioria de dois terços no novo parlamento, o que lhe dará amplos poderes de alterações legislativas.

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Além disso, o futuro primeiro-ministro anunciou a criação de um Gabinete Nacional para a Recuperação e Proteção do Património, dedicado a investigar como estas riquezas foram acumuladas, e promete recuperar esses bens.

A mera criação desta entidade representa uma ameaça para essas fortunas, mas também para a liberdade pessoal dos oligarcas, disse Szabolcs Panyi, jornalista e editor do portal de investigação VSquare, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

“Os oligarcas de Orbán estão a tentar transferir a riqueza para o estrangeiro, enquanto o regime se desintegra”, disse Panyi nas redes sociais, referindo-se ao “modo pânico” entre os afetados.

Segundo fontes ligadas ao Governo cessante, vários jatos privados estariam a partir da Hungria e da vizinha Áustria para transportar dinheiro e “bens de valor” para países no Médio Oriente, Singapura, Hong Kong e até para a Austrália, disse o jornalista de investigação.

De acordo com uma investigação recente do jornal britânico The Guardian, o Uruguai também está entre esses destinos.

O portal económico húngaro G7 indicou na segunda-feira que, segundo dados do final de 2024, das 100 empresas húngaras com maior volume de caixa, pelo menos 29 estão claramente ligadas a círculos próximos do governo de Orbán.

“No final de 2024, estas entidades tinham mais de 2.740 milhões de euros em ativos imediatamente disponíveis”, afirmou o G7.

A ONG Transparência Internacional classificou a Hungria como o país mais corrupto da UE nos últimos quatro anos.

As alegações de corrupção chegam ao círculo mais próximo do primeiro-ministro, como o próprio genro, István Tiborcz, e um amigo de infância, Lorincz Mészáros, que durante a década e meia de Orbán no poder fez fortuna, calculada no ano passado em 4.450 milhões de euros em 2025.

Segundo analistas locais, Magyar venceu as eleições legislativas em parte porque centrou a campanha no combate à corrupção e prometeu recuperar os bens “roubados”.

O novo parlamento húngaro deverá tomar posse no fim de semana de 9 e 10 de maio, anunciou Magyar pouco depois da vitória eleitoral.

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