O 11º aniversário de Manpreet foi celebrado no centro de processamento de imigrantes de Dilley, no Texas, onde permanece com a família, proveniente de Punjab, na Índia, após a sua detenção pelo Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE).
A criança foi detida em fevereiro juntamente com os pais e o irmão, Guri, de 12 anos, depois de serem chamados ao gabinete das autoridades de imigração. A família tinha solicitado asilo aos EUA, em 2022, alegando perseguição religiosa depois de o pai se converter à religião católica. “Naquele momento, senti que a minha força vital desapareceu completamente”, confessou Gurwinder, mãe das crianças, ao The Guardian.
No aniversário de Manpreet — que ocorreu cerca de um mês após o início da detenção — os pais improvisaram uma espécie de ‘bolo’ feito com aperitivos que compraram na cantina. Não havia velas. Se houvesse, tê-las-ia apagado e pedido um desejo: que ela e a sua família pudessem ir para casa, contou a criança ao jornal inglês.
“A vida dos meus filhos está a ser arruinada”. Mas “o que podemos fazer?”
Tanto Manpreet como o irmão apresentam problemas de saúde e sinais de sofrimento psicológico. A condição da mãe também piorou. Os sintomas de artrite agravaram-se desde a detenção. O centro médico de Dilley não forneceu medicação apropriada e em vez disso, foi-lhe receitado ibuprofeno e esteroides, que agravaram o controlo dos diabetes. “Receio ter vindo para aqui para me salvar e ter acabado por arruinar três vidas. As crianças continuam a fazer as mesmas questões: ‘o que vai acontecer depois? Quando é que vamos sair daqui? Para onde vamos?’”, assume Jagdish, pai de Manpreet e Guri.
Em 2023, investigadores da Universidade de Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts analisaram os registos médicos de 165 crianças detidas entre 2018 e 2020 numa antiga instalação de detenção familiar e encontraram evidências de negligência médica e danos mentais e físicos resultantes da detenção. Mas nada parece ter mudado.
Organizações de direitos humanos, profissionais de saúde e responsáveis políticos têm continuado a denunciar as condições nestas instalações. Entre as principais críticas estão a insuficiência de cuidados médicos, a qualidade da alimentação e a ausência de apoio educativo estruturado para menores. Vários pais relataram que os seus filhos contraíram doenças respiratórias e problemas gastrointestinais graves que a instalação não está preparada para tratar. Revelaram também que as crianças adormecem a chorar, apresentam regressões no desenvolvimento e que se tornam ansiosas, irritadas ou apáticas. Crianças mais velhas voltaram a urinar na cama, e adolescentes começaram a automutilar-se.
Num relatório publicado em abril, a organização sem fins lucrativos de serviços jurídicos Raíces e o grupo de defesa Human Rights First documentaram testemunhos de crianças que afirmam ter deixado de brincar no pátio da instalação porque os guardas lhes gritavam, e que não frequentam mais a escola porque o professor falava constantemente sobre a situação em que se encontravam, instalando o medo.
Em Dilley, a única aula disponível para o nível escolar das crianças é direcionada a alunos que falam espanhol. “Também não há muitos livros infantis adequados na biblioteca, e os poucos que existem são em espanhol, afirmou Guri. “A vida dos meus filhos está a ser arruinada. A educação deles está a ser prejudicada. O que podemos fazer?”, desabafaram os pais.
Ryan Gustin, diretor sénior de assuntos públicos da CoreCivic (empresa que opera o centro de detenção), contestou “muitas das alegações” levantadas pelo jornal, mas não especificou quais, num comunicado à publicação britânica. Questionado sobre as preocupações médicas específicas da família, Ryan Gustin afirmou que a empresa não comenta casos individuais, mas referiu que “avalia continuamente as práticas para garantir que as famílias recebem atenção médica segura, adequada e oportuna”.
*Texto editado por Cátia Andrea Costa
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