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Líderes do judaísmo progressista no Reino Unido avisam que ações do governo de Israel são "ameaça existencial" à religião

Charley Baginsky e Josh Levy, co-líderes do judaísmo progressista no Reino Unido, olham para os comportamentos do governo israelita enquanto incompatíveis com os valores judaicos.

Marina Ferreira
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A atual direção política de Israel pode representar uma “ameaça existencial” não só para a própria nação, mas também para o judaísmo, defenderam em declarações ao The Guardian os mais importantes rabinos progressistas do Reino Unido. Charley Baginsky e Josh Levy, que co-lideram a corrente religiosa no país, garantem que as “ações do Governo de Israel refletem-se nos judeus” e no seu judaísmo e que é uma “obrigação” judaica “dialogar com isto de alguma forma”.

Levy defendeu que explorar as questões difíceis que envolvem a posição de Israel nos conflitos no Médio Oriente não é um sinal de deslealdade para com o Estado ou para com a comunidade judaica. “Trata-se de participar numa conversa milenar sobre os valores judaicos, o que Deus espera de nós no mundo e a nossa relação com a terra”, defendeu.

As declarações dos dois líderes decorreram antes do lançamento do primeiro livro do movimento, assinado pelos dois rabinos e por Ed Kessler, intitulado “Judaísmo Progressista, Sionismo e o Estado de Israel”. Baginsky e Levy manifestaram também a esperança de que uma mudança de direção política e militar ainda seja possível por parte do governo israelita.

“O que acontece quando a direção do governo israelita leva o país por um caminho que o torna incompatível com os nossos valores judaicos? Essa é uma grande preocupação”, reforçou Baginsky.

Como explica o The Guardian, o livro reúne 40 ensaios de clérigos e líderes comunitários judeus, refletindo uma vasta gama de perspetivas sobre os complexos debates em torno da identidade judaica, do sionismo e de Israel.

A co-líder da corrente religiosa judaica, que fundiu as correntes do judaísmo liberal e do judaísmo reformista, falou ainda ao The Times of Israel. “Para muitos de nós no judaísmo progressista, a nossa relação com Israel molda grande parte da nossa identidade judaica”, afirma, notando que a maioria dos judeus em posições de liderança no Reino Unido passaram muito tempo em Israel. “A nossa relação com Israel permeia a nossa identidade, bem como a nossa liturgia, a nossa teologia e a nossa leitura da Torá”, acrescentou.

“Quando vemos o governo israelita conduzir o país por um caminho em que os seus comportamentos são tão incompatíveis com o judaísmo isso fragmenta a nossa relação com Israel e a nossa compreensão do que significa ser judeu“, afirmou ainda o jornal israelita.

Baginsky criticou que se chegue a um ponto em que não é “permitido que uns falem aos outros”, e de não haver disposição para se “ouvir uns aos outros”. Dessa forma, garante, os membros da comunidade judaica “herdam a polarização que vemos no mundo e uma liderança que não nos leva a bons caminhos.”

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