As autoridades chinesas ordenaram à Meta que anule a aquisição da startup Manus. No fim de 2025, a dona do Facebook e Instagram anunciou que a compra da startup de agentes de inteligência artificial (IA), por um valor superior a dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros).
A Manus deu nas vistas em março de 2025, com a sua lógica de automatização de tarefas. A empresa nasceu na China, tem fundadores chineses, mas transferiu a sede para Singapura — uma movimentação feita por várias companhias tecnológicas chinesas para tentar escapar às limitações de Pequim.
https://observador.pt/2025/12/30/meta-compra-empresa-chinesa-de-inteligencia-artificial-manus/
Esta segunda-feira, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China emitiu uma nota em que “proíbe o investimento estrangeiro na Manus, em conformidade com as leis e regulamentos, e exige que as partes envolvidas desistam da operação de aquisição”, cita a Reuters. O comunicado não menciona diretamente a norte-americana Meta ou outros investidores da Manus.
https://observador.pt/2025/03/11/ha-um-novo-agente-de-ia-vindo-da-china-o-que-e-o-manus-que-esta-a-ganhar-atencao-da-industria/
Após a notícia, um porta-voz da Meta disse que “a transação cumpriu totalmente com as regras aplicáveis”, dizendo que a companhia “espera uma resolução apropriada”.
A aquisição da Manus começou a ser analisada pelas autoridades chinesas em janeiro, que questionaram se o negócio cumpria as regras de exportação de tecnologia. Segundo o Wall Street Journal (WSJ) e o Financial Times (FT) as autoridades chinesas chamaram a Pequim os dois fundadores da Manus, Xiao Hong e Ji Yichao, para apresentarem mais informação. Terá sido dito aos dois empreendedores para não abandonarem o país até a investigação estar concluída.
Depois da conclusão das autoridades chinesas, não é claro quais serão os próximos passos. Até porque, segundo a Meta, as equipas da Manus e da Meta estarão já “profundamente integradas”. De acordo com o New York Times, muitos dos funcionários da Manus, de nacionalidade chinesa, já passaram a trabalhar nos escritórios da Meta em Singapura. A gigante das redes sociais também já terá integrado a tecnologia da Manus nos seus sistemas.
A proibição das autoridades chinesas acontece um mês antes da visita de Donald Trump a Pequim.
Na altura do anúncio de aquisição, a Meta disse que a integração da equipa da Manus permitiria “disponibilizar agentes de uso geral” nos produtos para consumidores e empresas, “incluindo na Meta AI”. “Vamos continuar a operar e a vender o serviço Manus, assim como a integrá-los nos nossos produtos.”
Segundo o FT, a Manus encerrou em junho as operações na China, onde tinha dois escritórios, um em Wuhan e outro em Pequim.