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Londres é, atualmente, passado: a verdadeira “relação especial” de Washington é com Israel. E quem o defende é o embaixador britânico nos EUA, Christian Turner, cujas declarações privadas num encontro com estudantes em fevereiro foram esta terça-feira reveladas pelo Financial Times. A gravação, que surge num momento de sensibilidade diplomática, ameaça ensombrar a visita oficial do Rei Carlos III à Casa Branca.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico já respondeu, afirmando que se trataram de “comentários privados e informais” que “certamente não refletem a posição do Governo”. “Esses foram comentários privados e informais feitos a um grupo de estudantes britânicos do ensino médio que visitavam os EUA no início de fevereiro. Certamente não refletem a posição do Governo do Reino Unido”, declarou ao jornal britânico.
Poucas semanas antes dos ataques conjuntos de Washington e Telavive contra o Irão, Turner confessou não apreciar o termo tradicional, descrevendo-o como uma expressão “nostálgica, retrógrada e carregada de bagagem”. No seu entender, a verdadeira prioridade dos EUA reside noutra geografia: “Acho que provavelmente existe um país que tem uma relação especial com os Estados Unidos — e esse país é provavelmente Israel”.
Apesar da análise crítica, o diplomata salvaguardou que a ligação entre as duas nações permanece “muito forte”, embora exija uma nova roupagem. “A relação continuará a ser ‘especial’, se quiser, mas acho que terá de ser diferente”, afirmou, reforçando que, em setores como a defesa e a segurança, os países continuam “interligados” por uma “afinidade profunda”.
O embaixador estendeu ainda as suas críticas ao sistema judicial norte-americano, utilizando o caso Epstein como exemplo. Turner considerou “extraordinário” que o escândalo tenha provocado a queda de figuras de relevo no Reino Unido — mencionando o príncipe André, Peter Mandelson e “potencialmente” o primeiro-ministro Keir Starmer — enquanto, nos EUA, o processo “não afetou ninguém”. Para o diplomata, este desfecho levanta uma “questão interessante” sobre os “diferentes níveis de responsabilidade entre os dois sistemas”. Simultaneamente, a monarquia britânica continua sob pressão em solo americano, resistindo aos apelos de ativistas para um encontro com as vítimas de Epstein durante a visita oficial.
A nível interno, Turner especulou sobre a sobrevivência política de Starmer, descrevendo-o como “um indivíduo teimoso” que dificilmente abandonaria o cargo por iniciativa própria. Contudo, admitiu que uma derrota nas eleições de maio poderia mudar o cenário: “Se o Partido Trabalhista tiver um desempenho muito mau… suspeito que o partido conseguirá ultrapassar esse limite e removê-lo”. Mas, “se eles se saírem bem”, Starmer “poderá continuar”. E quanto a isso, deixa uma ressalva: “Isto é apenas uma especulação minha como cidadão, pois tenho de servir quem estiver lá”.
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