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(A) :: Uma Faculdade de Teologia no tempo da exposição

Uma Faculdade de Teologia no tempo da exposição

Uma Faculdade de Teologia não deve ser apenas uma escola de conteúdos religiosos. Deve ser laboratório de pensamento eclesial, cultural e social.

Luís Miguel Figueiredo Rodrigues
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Uma instituição só permanece viva quando aceita sair de si mesma e dialogar com o tempo em que vive. A Faculdade de Teologia é uma dessas instituições. Se se fecha no seu vocabulário interno ou numa tradição apenas repetida, torna-se irrelevante quando mais necessária seria. Mas, se abdica da sua gramática própria para se dissolver no comentário cultural do momento, perde a densidade que lhe permite dizer uma palavra diferente.

O desafio está em habitar o presente sem se confundir com ele; escutar as perguntas da sociedade sem reduzir a fé a uma resposta funcional; dialogar com outras racionalidades sem renunciar à inteligência rigorosa da fé. A teologia não existe para repetir fórmulas gastas, nem para correr atrás de todas as novidades. Existe para pensar a fé com seriedade, tornar mais inteligível a experiência crente e oferecer ao espaço público uma leitura profunda do humano.

Em Portugal, esta tarefa tem hoje uma urgência particular. A teologia já não pode ser entendida apenas como saber de conservação, destinado a guardar patrimónios ou a alimentar a vida interna das igrejas. Tudo isso continua necessário, mas é insuficiente. A sociedade contemporânea vive mutações profundas: fragmentação dos vínculos, fragilidade institucional, tecnicização da vida, crise de sentido, pluralização religiosa e enfraquecimento das referências transcendentes. Perante este cenário, a Faculdade de Teologia sabe-se como lugar de discernimento, não para impor respostas, mas para formular melhor as perguntas.

A recente avaliação positiva da investigação em Teologia pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) confirma que este caminho não é marginal. Mostra que há, entre nós, uma base científica séria, capaz de sustentar uma reflexão pública sobre questões religiosas, éticas, culturais e históricas. Mas esse reconhecimento não pode ser apenas motivo de satisfação institucional. Deve tornar-se responsabilidade: consolidar uma visão, alargar redes, intensificar a colaboração interdisciplinar e assumir que a teologia tem lugar público pela qualidade do seu contributo.

Uma fé que pensa procura radicar-se e interpretar-se a partir da vida concreta de um povo. Por isso, a teologia torna-se estéril quando se separa da vida; torna-se ideologia quando interrompe a comunicação entre a Tradição recebida e a realidade concreta; torna-se superficial quando confunde atenção ao presente com submissão à novidade. Exige-se uma fidelidade criativa, capaz de pôr em diálogo o rio vivo da Tradição e as perguntas da história.

Uma Faculdade de Teologia não deve ser apenas uma escola de conteúdos religiosos. Deve ser laboratório de pensamento eclesial, cultural e social: lugar onde se aprende a ler os sinais dos tempos, a pensar a fé sem medo da crítica e a acolher a crítica sem medo da fé. Num país que precisa de pensamento longo e futuro partilhado, a teologia pode recordar que o humano não se esgota no útil e que a esperança é também uma forma de inteligência.