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UKMTO: a unidade naval britânica que resgata tripulações no Estreito de Ormuz

Criada há mais de 25 anos, a base britânica coordena resgates e alerta autoridades em tempo real nas rotas mais perigosas do Médio Oriente, acompanhando a tensão entre Israel, Estados Unidos e Irão.

Manuel Nobre Monteiro
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Quando um navio é atacado no Estreito de Ormuz, um dos primeiros pedidos de ajuda pode ser ouvido a milhares de quilómetros de distância, numa base militar nos arredores de Portsmouth, no sul do Reino Unido. É a partir daí que opera o United Kingdom Maritime Trade Operations Centre (UKMTO), uma estrutura liderada pela marinha britânica que funciona como centro de emergência para o transporte marítimo comercial numa das zonas mais movimentadas do mundo.

“Os momentos mais angustiantes são aqueles em que somos contactados pela tripulação ou pelo comandante de um navio que acabou de ser atacado“, explicou a comandante Joanna Black, responsável pelas operações do centro, ao jornal The Telegraph.

Criada há mais de 25 anos, a organização surgiu como uma resposta britânica aos atentados de 11 de Setembro de 2001 e, mais tarde, adaptou-se ao combate da pirataria ao largo da Somália. Agora, voltou a ganhar destaque com o conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, iniciado a 28 de fevereiro, que tem colocado sob pressão as principais rotas marítimas do Mar Vermelho, Oceano Índico e Golfo Pérsico, com especial incidência no Estreito de Ormuz.

Sempre que um navio reporta um incidente (por telefone satélite ou e-mail), o centro alerta as autoridades locais mais próximas, como as guardas costeiras ou as forças militares. Paralelamente, divulga informação atualizada no seu site e nas redes sociais, tornando-se uma fonte relevante para acompanhar o que acontece na região.

Em situações críticas, o papel do UKMTO pode ser determinante. “Já tivemos casos em que tripulações acabaram na água e, ao alertarmos as autoridades locais, foram resgatadas”, relatou a comandante, acrescentando que o ambiente “pode tornar-se muito intenso, mas quando tudo acontece, é de concentração total”.

Tanto os Estados Unidos como o Irão têm tentado controlar a passagem no Estreito de Ormuz. Teerão afirma que apenas autoriza a travessia de navios com permissão da Guarda Revolucionária Islâmica, enquanto a marinha norte-americana tem intercetado embarcações com origem ou destino em portos iranianos.

https://observador.pt/2026/03/12/teerao-exige-permissao-a-navios-que-queiram-passar-em-ormuz/

Desde o início de março, o centro registou 41 incidentes na região, dos quais 26 foram ataques diretos com consequências graves, como incêndios ou inundações a bordo. A maioria ocorreu nas primeiras semanas da guerra.

A organização sublinha a sua neutralidade como fator-chave para a credibilidade. A equipa, composta por 18 pessoas e a operar 24 horas por dia, recolhe informação de navios de qualquer bandeira, independentemente das relações políticas com Londres. A cooperação é voluntária, mas permite às empresas reduzir os custos de seguros. O centro trabalha ainda em articulação com serviços semelhantes, nomeadamente um sistema francês ativo no Golfo da Guiné.

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