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(A) :: Histórico. Papa Leão XIV e arcebispa da Cantuária rezaram juntos. "Seria um escândalo se não trabalhássemos para ultrapassar diferenças"

Histórico. Papa Leão XIV e arcebispa da Cantuária rezaram juntos. "Seria um escândalo se não trabalhássemos para ultrapassar diferenças"

Os dois líderes religiosos encontraram-se no Vaticano e rezaram juntos, num momento inédito. Ambos disseram querer ultrapassar diferenças, mesmo que estas pareçam "insuperáveis".

Mariana Lima Cunha
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Um gesto simbólico e histórico. O Papa Leão XIV rezou esta segunda-feira, no Vaticano, ao lado da arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally, a líder espiritual dos anglicanos. O momento de oração serviu para prometerem trabalhar para ultrapassar as suas diferenças, “por mais insuperáveis possam parecer”.

Como a Associated Press escreve, o encontro entre as duas figuras mais famosas do atual cristianismo teria sido impensável há poucos anos, dadas as divisões entre as duas igrejas e especialmente sobre a ordenação de mulheres — em outubro de 2025, e tendo sido até então bispa de Londres, Mullally era a primeira mulher escolhida para liderar a Igreja de Inglaterra e toda a Comunhão Anglicana (há cerca de 100 milhões anglicanos espalhados por todo o mundo).

Esta segunda-feira, o Papa reconheceu que houve “novos problemas” que vieram somar-se a “assuntos historicamente divisivos“, mas ainda assim quis dar um sinal de tentativa de união entre a Igreja Católica e os anglicanos. Por isso, lembrou também as palavras do antecessor, o Papa Francisco, aos anglicanos: “Seria um escândalo se, graças às nossas divisões, não cumpríssemos a nossa vocação comum de dar a conhecer Cristo”.

“Pelo meu lado, acrescento que também seria um escândalo se não continuássemos a trabalhar para ultrapassar as nossas diferenças, por mais insuperáveis que possam parecer”, acrescentou. “Enquanto o nosso mundo sofredor tem profunda necessidade da paz de Cristo, as divisões entre os cristãos enfraquecem a nossa capacidade de sermos portadores eficazes dessa paz. Se queremos que o mundo acolha com o coração a nossa pregação, devemos ser perseverantes na oração e nos esforços para remover qualquer pedra de tropeço que impeça a proclamação do Evangelho”, cita o Vatican News.

Como a AP conta, Mullally agradeceu a Leão por recebê-la na primeira visita internacional que faz desde que ocupa o cargo e depois reuniram-se para um “momento de oração” dentro do Palácio Apostólico. A líder dos anglicanos também falou no “trabalho comum” que ambos devem fazer.

“Diante de violência desumana, divisões profundas, e mudanças sociais rápidas, temos de continuar a contar uma história de maior esperança: que cada vida humana tem valor infinito porque somos filhos preciosos de Deus; que a família humana é chamada a viver como irmãos e irmãs. Temos de trabalhar juntos pelo bem comum — sempre a construir pontes, nunca muros”.

Mullally está neste momento a fazer aquilo a que chamou uma peregrinação de quatro dias a Roma, tendo num comunicado oficial explicado que o objetivo da visita é “fortalecer as relações católicas romanas-anglicanas através da oração, do encontro pessoal, e diálogo teológico formal. Quer-se aprofundar os laços de comunhão, afirmar um testemunho partilhado, e encorajar a colaboração a nível local e global”.

Em outubro, o Papa recebeu no Vaticano os reis britânicos, e estes rezaram na Capela Sistina — sendo que o rei Carlos III é o chefe da Igreja de Inglaterra, este momento marcou a primeira vez que os dois líderes destas duas igrejas cristãs rezaram juntos.

Os anglicanos separaram-se da igreja romana em 1534, quando o rei Henrique VIII não conseguiu que o Papa Clemente VII permitisse a anulação do seu casamento com Cristina de Aragão. Uma das maiores diferenças que permanecem é o facto de os anglicanos ordenarem mulheres, ao contrário do que acontece com a Igreja Católica. Mas a escolha de Mullally veio criar divisões também entre os próprios anglicanos, que mantêm discordâncias internas sobre o papel das mulheres ou o tratamento das pessoas LBGTQ, por exemplo.

Esta terça-feira, a arcebispa vai presidir à missa vespertina na igreja de Santo Inácio de Loyola, durante a qual dará posse ao bispo Anthony Ball, diretor do Centro Anglicano de Roma, como representante do arcebispo de Cantuária junto à Santa Sé, adianta o Vatican News. Na quarta-feira irá ainda fazer uma visita ao Centro de Refugiados Joel Nafuma.

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