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(A) :: Obrigado, futebol, por este jogo, perdão por só ter 90 minutos: PSG vence Bayern num duelo de loucos com nove golos

Obrigado, futebol, por este jogo, perdão por só ter 90 minutos: PSG vence Bayern num duelo de loucos com nove golos

Chamam-lhe Parque dos Príncipes, foi o Campo de todos os Reis: PSG e Bayern fizeram um dos melhores jogos da história da Champions e com um golo português. Melhor notícia? Foi só a primeira mão (5-4).

Bruno Roseiro
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Há determinados episódios na história do futebol que acabam por passar entre os pingos da chuva quando decorrem mas que, com a suficiente distância, assumem outro protagonismo pela importância que podiam ter. Um deles, a propósito da receção do PSG ao Bayern, era recordado pelo El País. Qual? O dia em que um reforçado Vincent Kompany pediu ao presidente dos bávaros a contratação de Xavi Simons para reforçar as opções que tinha para o meio-campo. “Se quiseres podes comer uma fatia de maçã mas não vais ter o Xavi”, respondeu Hoeness, numa saída que viria mais tarde a ser um tema de piada com o líder da Baviera, Markus Söder. Não é por acaso que para muitos o clube de Munique é um exemplo de gestão, mesmo tendo as fases menos conseguidas como qualquer outro. Com este técnico, tudo voltou ao “normal” – mesmo sem Xavi.

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O médio neerlandês do Tottenham até foi notícia este fim de semana pelas piores razões, após contrair uma lesão grave que o vai afastar da fase final do Campeonato do Mundo de seleções, mas funciona como exemplo paradigmático daquilo que outros técnicos que passaram antes pelos bávaros, como Julian Nagelsmann ou Thomas Tuchel, já tinham visto: num plantel equilibrado por cima em termos de qualidade, que perante as vendas de Mathys Tel, Kingsley Coman ou Paul Warner (além do empréstimo de João Palhinha e das saídas a custo zero de Thomas Müller, Leroy Sané e Eric Dier) se reforçou com figuras como Luis Díaz, Jonathan Tah, Nicolas Jackson e Tom Bischof, as características dos médios continuavam a ser limitadas em termos de ‘8’ mais box to box que tivesse presença em zonas de finalização mas soubesse jogar em posse. Agora, chegava o grande desafio de Kompany: combater essa lacuna contra alguém que faz disso a sua identidade.

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Em parte, Luis Enrique, técnico do PSG, tinha colocado essa temática em cima da mesa quando, antes da partida, falou na importância do jogo sem bola face à organização ofensiva em posse. “Para mim não há favoritos nestes jogos. Foi o mesmo contra o Chelsea e o Liverpool, também não éramos favoritos. O meio-campo? Farei como sempre, escolherei os melhores jogadores para iniciar o jogo. E, atenção, para ganhar a meia-final, vamos precisar de todos os jogadores que podem jogar. Vou escolher por sorteio, farei assim…”, ironizou o espanhol. “Se há equipas que atacam bem, é preciso saber defender. A chave será atacar da melhor maneira possível e saber defender. Achas que ganhámos a Champions com o Nuno [Mendes] e o Achraf [Hakimi] a defender? São dois jogadores que defendem muito bem mas para ganhar é preciso atacar mais do que defender. Não negociamos isso. Queremos ganhar este jogo e também o segundo”, assegurou.

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Kompany, que ao contrário de Luis Enrique tem outra margem para gerir opções por já ser bicampeão (sem perder a competitividade, virando na última jornada um 0-3 ao intervalo para 4-3 com o Mainz) e ter a final da Taça assegurada, não se deixava ficar perante a confiança dos franceses. “Acho que o atual campeão sempre tem o direito a dizer certas coisas mas espero que na próxima temporada esteja na posição de dizer o mesmo. O que vamos fazer contra Kvaratskhelia, Ousmane Dembélé e Désiré Doué? Respondo com outra pergunta: o que vão fazer contra Harry Kane, Luis Díaz e Michael Olise? As duas equipas são muito criativas, tanto no posicionamento quanto nos duelos individuais e na procura de soluções em espaços curtos. Não há segredo, é tudo sobre detalhes, intensidade e energia”, referiu o belga, que iria cumprir castigo.

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Sem saber ainda onde ficaria durante o encontro, por não conhecer o Parque dos Príncipes, Kompany fez questão de garantir que estaria suficientemente perto para tentar manter uma espécie de regra nesta edição da Liga dos Campeões: em 70% dos casos, quem joga primeiro fora consegue avançar para a ronda seguinte (que neste caso era a final). E havia também contas por “ajustar”, depois do triunfo dos germânicos na primeira fase em Paris com bis de Luis Díaz a vingar a vitória dos franceses nos quartos do Mundial de Clubes, no verão. Agora, numa partida que ficará como uma das melhores de sempre da competição e logo numa meia-final, Paris foi o Campo de todos os Reis num triunfo por 5-4 do PSG que mantém o Bayern na luta pela passagem à decisão. Com uma certeza: estas são, de longe, as duas melhores equipas da atualidade.

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Com Zaire-Emery a manter lugar inicial no meio-campo com Fabián Ruíz no banco e com Musiala a ocupar de forma natural a vaga do lesionado Gnabry tendo Stanisic e Alphonso Davies como laterais (colocando com isso Laimer de fora), foi o Bayern que começou a ganhar os primeiros capítulos de um encontro que podia ser a final da maior prova europeia de clubes. O que fazia a diferença? A capacidade de pressão em zonas altas, a condicionar a saída do PSG e a forçar muitas vezes o erro direto ainda no meio-campo contrário. Vitinha não “pensava”, os laterais estavam bloqueados, os alas não apareciam, Luis Díaz fazia a diferença: na sequência de uma arrancada fantástica que deitou por terra a transição defensiva dos franceses, os bávaros ganharam vantagem, combinaram curto à entrada da área e Pacho carregou o colombiano na área para Harry Kane fazer de penálti o 1-0 (17′). Estava aberto o champanhe, por pouco a rolha não saltou de seguida e só mesmo Safonov evitou que os alemães aumentassem de seguida, com Olise muito perto de marcar (20′).

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Luis Enrique ia demonstrando algum desconforto mas sem perder por completo a postura tranquila de quem sabe o que é preciso fazer – e percebia o que não estava a ser feito. O que mudou? A procura da profundidade perante as linhas subidas do Bayern, com Dembélé a surgir isolado em frente a Neuer depois de uma linha mal desenhada por Upamecano mas a rematar de pé direito ao lado (23′). No minuto seguinte, o empate: jogada de envolvimento a percorrer pelos três jogadores da frente, iniciativa individual de Kvaratskhelia e remate em arco sem hipóteses para o 1-1. O encontro voltava ao seu estado inicial mas com um ritmo de loucos assumido pelas duas equipas, sem receio de deixar que a toada se partisse como se fosse um daqueles treinos em que os treinadores insistem para que quatro/cinco elementos possam sair rápido para o ataque. Estava dado o mote para 15 minutos com inúmeras oportunidades… e três golos até ao intervalo.

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João Neves esteve no melhor e no quase pior. Primeiro, numa tentativa de compensação na área após mais uma jogada em que Olise deixou Nuno Mendes e Marquinhos para trás, o português teve um desvio de forma inadvertida para a própria baliza que acabou por bater no poste (31′). Pouco depois, na sequência de canto do lado esquerdo ganho num remate de Doué que rasou a baliza de Neuer, João Neves apareceu de rompante ao primeiro poste para fazer o desvio de cabeça para o 2-1 (33′). Os bávaros ficavam em desvantagem em menos de dez minutos, os bávaros não demoraram a empatar, com Olise a ir encontrar o espaço que lhe estava a começar a faltar à direita no meio para receber, avançar e rematar quase ao meio da baliza mas forte para o 2-2 (40′). E não, ainda não tinha acabado: no terceiro de cinco golos até ao descanso de bola parada, Davies cortou um cruzamento com a mão na área ainda com um ressalto e Dembélé marcou de penálti (45+5′).

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O lateral canadiano ficaria no balneário ao intervalo por troca com Laimer, que deixou o primeiro sinal de perigo no segundo tempo, mas seria por esse lado esquerdo da defesa alemã que nasceriam mais dois golos em menos de três minutos: Vitinha teve um passe fantástico para a subida de Hakimi, Dembélé deixou passar o cruzamento rasteiro e Kvaratskhelia rematou colocado para o 4-2 (56′), depois Doué fez a diagonal da direita para o meio, assistiu Dembélé e o avançado francês atirou colocado ainda a bater no poste sem hipóteses para Neuer (58′). O Parque dos Príncipes estava ao rubro com o 5-2 conseguido em menos de um hora numa meia-final da Liga dos Campeões, o Bayern teria uma palavra a dizer neste hino ao futebol.

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Entre alguma quebra física das setas parisienses e outra capacidade para voltar a tirar posse ao PSG com as zonas de pressão mais subidas, os alemães fizeram prevalecer aquela que era a maior superioridade no duelo direto e reduziram de novo na sequência de um livre lateral com desvio de cabeça de Upamecano (65′) que funcionou como uma segunda vida para o Bayern no encontro antes de mais um lance de génio entre tantos outros num encontro para a história da competição: Luis Díaz recebeu um passe na profundidade com uma receção difícil mas de forma orientada, tirou o adversário direto do caminho e atirou colocado para o 5-4 (68′). Os visitantes estiveram perto de deixar fugir a eliminatória, recuperaram quase até ao ponto inicial e tiveram ainda a felicidade de verem uma bomba de Mayulu bater com estrondo no poste de Neuer (87′) antes da última oportunidade no quarto minuto de descontos, com Pacho a salvar em cima da linha de baliza.

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