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(A) :: Novo IRA assume autoria de atentado com carro-bomba na Irlanda do Norte. Polícia detém suspeito de 66 anos

Novo IRA assume autoria de atentado com carro-bomba na Irlanda do Norte. Polícia detém suspeito de 66 anos

Grupo promete atacar agentes e qualquer pessoa suspeita de colaborar com autoridades. Entretanto, a unidade antiterrorista da polícia da Irlanda do Norte já fez uma detenção.

António Moura dos Santos
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O Novo IRA — reencarnação da antiga organização paramilitar nacionalista que defende a unificação da Irlanda — reivindicou esta terça-feira a explosão de um carro-bomba à frente de uma esquadra nos arredores de Belfast, afirmando que vai atacar as casas de agentes da polícia da Irlanda do Norte.

A organização, descrita como “o maior e mais ativo grupo terrorista republicano dissidente na Irlanda do Norte”, assumiu a autoria do atentado num comunicado enviado ao jornal Irish News, no qual revelou ter como intenção “matar os polícias que saíssem da esquadra”. O jornal diz ter confirmado a veracidade desta nota ao ter recebido uma palavra-passe apenas usada pelo grupo paramilitar.

Em causa está a explosão de um carro em frente a uma esquadra do Serviço Policial da Irlanda do Norte (PSNI) em Dunmurry, nos subúrbios da capital norte-irlandesa, na madrugada de domingo, 26 de abril. O incidente não provocou feridos, mas obrigou à retirada de vários residentes.

A investigação preliminar do PSNI apontou desde logo para a possibilidade de tratar-se de um atentado planeado pelo Novo IRA, dadas as suas semelhanças com um incidente ocorrido em março em Lurgan, quando um motorista de entregas foi forçado por homens mascarados e armados a transportar um dispositivo explosivo até uma esquadra da polícia nessa localidade.

https://observador.pt/2026/04/27/explosao-de-carro-bomba-na-irlanda-do-norte-pode-ser-da-autoria-do-novo-ira-assumem-autoridades/

Entretanto, o PSNI anunciou esta terça-feira ter detido um homem de 66 anos na zona onde decorreu o ataque, fruto de várias operações de busca a decorrer ao longo do dia em vários pontos de Belfast e arredores da cidade pela Unidade de Investigação ao Terrorismo desta força policial, escreve o Belfast Telegraph.

“Fiquem tranquilos, pois continuaremos, incansavelmente, a envidar todos os esforços para levar os responsáveis à justiça e proteger as nossas comunidades locais”, afirmou um porta‑voz da PSNI, pedindo às pessoas que contactem as autoridades se tiverem qualquer informação quanto ao incidente, garantindo o seu anonimato.

A PSNI confirmou ainda que, nos próximos dias, será realizada uma “operação de policiamento de alta visibilidade” em todo o território da Irlanda do Norte, tendo como objetivo contrariar a ação de grupos dissidentes como o Novo IRA.

Na missiva enviada ao Irish News, o grupo assume ter feito carjacking a um estafeta, colocando um dispositivo com Semtex — um tipo de explosivo plástico altamente potente —, um detonador elétrico e um temporizador regulado para 30 minutos, destinado “a dar tempo ao motorista para se afastar”.

À vítima que conduzia a viatura foi ordenado que gritasse “há uma bomba no carro” e abandonar o local, com o objetivo de atrair agentes do PSNI para a área de explosão. “Isto não foi um ataque à esquadra, foi um ataque dirigido aos polícias que estavam a sair da esquadra”, explicitou o grupo. Para aumentar o potencial de mortandade, foi colocado um cilindro de gás na parte de trás do veículo para que formasse “uma bola de fogo” na explosão, potencialmente afetando ainda mais pessoas nas redondezas.

Um vídeo entretanto divulgado pelo PSNI, captado pela bodycam de um agente, mostra o quão perto esteve de ser atingido pela explosão.

Após a descrição da operação em Dunmurry, o comunicado avisa que os ataques vão continuar e vão passar a ser dirigidos às casas de agentes do PSNI. “É nossa intenção, se continuarem a assediar o povo republicano, bombardeá‑los nas suas próprias casas, sem aviso prévio. Temos Semtex em abundância e bastantes especialistas, e sabemos onde eles vivem”, advertiu o Novo IRA.

Além disso, o grupo paramilitar estende as suas ameaças a quem colaborar com as autoridades, afirmando que “qualquer pessoa que dê informações às forças da Coroa, seja quem for, ou venha de onde vier, será severamente punida”.

Segundo o Irish News, esta reencarnação do IRA foi formada em 2012 pela junção do grupo de vigilantismo Republican Action Against Drugs ao Real IRA, criado por dissidentes do Exército Republicano Irlandês (o IRA original) que se opuseram ao cessar-fogo negociado em 1997 com as forças britânicas e ao Acordo de Belfast do ano seguinte. Este pôs fim a décadas de violência política cometida através de operações de guerrilha, atos de represália e atentados à bomba, num período conhecido como os “Troubles”.

O Novo IRA reafirma esse propósito — de unir a Irlanda do Norte à República da Irlanda, expulsando o Reino Unido da ilha — ao prometer que vai continuar a cometer ataques “até que os britânicos emitam uma declaração de retirada”.

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