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Uma doença condicionou Catalunha, afetou preparação e deitou o grande objetivo por terra: João Almeida falha Giro

Depois das dúvidas que se iam levantando em torno da real condição física de João Almeida, a pior notícia foi confirmada pelo próprio: português vai falhar Giro, que era o grande objetivo da época.

Bruno Roseiro
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Ao contrário do que se passa no futebol ou em tantas outras modalidades coletivas de pavilhão ou ao ar livre, uma temporada de ciclismo é sobretudo marcada por uma reunião. “A” reunião. Tendo em conta todas as contingências do desporto, das equipas e dos corredores, a nível de nacionalidades, residências ou estágios, é ali que tudo fica definido não para uma semana, um mês ou meio ano – é para o ano todo. Depois, mediante uma realidade que é dinâmica, as coisas até podem mudar mas naquele dia existe um calendário extenso que fica acertado com dezenas de ciclistas que fazem parte das formações do World Tour. Para João Almeida, e ao contrário do que se passou em 2025, o objetivo era claro: lutar pelo Giro. Agora, tudo mudou.

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Alguns meios especializados chegaram mesmo a falar de uma “surpresa” por parte de Tadej Pogacar, chefe de fila da UAE Team Emirates que estaria à espera de contar com o português no ataque à quinta Volta a França da carreira mas que acabou por aceitar esse desejo de Almeida, um dos corredores com quem tem melhor relação na equipa até pela proximidade de idades. Apesar de considerar que, sendo o grande trunfo da equipa para qualquer temporada, deveria ter toda a estrutura à sua volta, o esloveno percebeu o desejo do corredor de A-dos-Francos de 27 anos em alcançar o sonho real que mais procura nesta fase: ganhar uma grande volta. A partir daí, tudo foi montado nesse sentido mas uma doença contraída entre o final de fevereiro e o início de março acabou por deitar por terra essa ambição. Havia a suspeita, agora chegou a confirmação.

“Infelizmente, não estarei no arranque do Giro d’Itália no próximo mês, como estava previsto. Uma doença nos últimos meses afetou muito a minha preparação e significa que não estarei pronto a tempo, o que é uma pena, pois é uma prova que adoro. Depois de falarmos com a equipa, decidimos que o melhor seria descansar um pouco e focarmo-nos em novos objetivos mais para o final da época”, assumiu o português num texto colocado no seu Instagram onde confirmava a desistência da prova que arranca a 8 de maio.

https://twitter.com/cycloben2/status/2048683485271916573

“Ainda não definimos estes novos objetivos, mas isso será feito com calma nas próximas semanas… Por agora, é tempo de descansar um pouco e retomar a atividade aos poucos. Boa sorte aos rapazes no Giro, estarei a torcer a partir de casa”, acrescentou ainda João Almeida, que fez a última prova há um mês na sequência de síndrome viral dois ou três dias depois da Volta ao Algarve que afetou respiração e resistência.

https://twitter.com/giroditalia/status/2048710829621838197

Depois de um arranque regular de temporada, com um segundo lugar na Volta à Comunidade Valenciana só atrás de um Remco Evenepoel que batia tudo e todos no início do ano e de uma terceira posição na Volta ao Algarve num duelo com Juan Ayuso e a revelação Paul Seixas, João Almeida foi enfrentando dificuldades físicas que condicionaram e muito o estágio preparado para a antecâmara da Volta à Catalunha. Aí, essa condição mais débil ficou mais do que exposta, com o português a quebrar de uma forma “anormal” logo nas primeiras etapas de montanha até acabar no 38.º lugar a mais de 20 minutos de Jonas Vingegaard, que deveria ser o grande adversário no Giro e que dominou por completo uma prova onde Lenny Martínez e Florian Lipowitz acabaram por ser opositores mais diretos do que o próprio Remco Evenepoel.

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“Não me sinto muito bem na bicicleta, nesta altura. Talvez precise de descansar, perceber o que se passa de errado comigo e continuar a trabalhar no duro. Queda na quinta etapa? Não foi por aí, já me sentia assim antes de começar. Talvez precise de fazer alguns exames e e algumas análises. Terei de ver com a equipa médica”, confidenciou João Almeida antes do início da sétima etapa da Volta à Catalunha. Depois disso, a UAE Team Emirates e o corredor acreditaram que um estágio na Serra Nevada podia ser a chave para a recuperação após ter desistido também da Paris-Nice, onde iria reencontrar Vingegaard. No entanto, as dificuldades continuaram a manifestar-se, com o atraso na preparação a “abortar” a presença no Giro.

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Depois de conseguir a melhor época da carreira em 2025, com as vitórias na Volta ao País Basco, no Tour da Romândia e na Volta à Suíça entre os segundos lugares na Volta à Comunidade Valenciana e na Volta ao Algarve e a sexta posição no Paris-Nice antes de “vingar” a desistência no Tour após queda com um inédito segundo posto na Volta a Espanha, João Almeida colocava todas as “fichas” no Giro, prova que funcionou como rampa de lançamento para a carreira com a quarta posição em 2020 na sequência de duas semanas com a camisola rosa. Daí para cá, na Volta a Itália, o português acabou em sexto em 2021, desistiu em 2022 quando ocupava o quarto lugar e chegou finalmente ao pódio em 2023, com a terceira posição.

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Agora, embora não exista ainda nenhuma confirmação oficial, levanta-se a possibilidade de João Almeida poder reforçar a equipa da UAE Team Emirates no Tour, recuperando o plano que foi adotado nos dois últimos anos em que o português terminou em quarto na estreia na Volta a França em 2024 e desistiu após queda em 2025. Para mais tarde ficará depois a decisão sobre a Volta a Espanha, que também vai depender daquilo que será o plano de Tadej Pogacar para a segunda metade da época após o Tour.