Cansaço, fadiga, desgaste, exaustão. As últimas semanas trouxeram muitos sinónimos para o momento físico do Sporting, entre as visíveis dificuldades em campo e as consequentes e demoradas lesões que vão aparecendo, e o tema tornou-se o verdadeiro protagonista da reta final de temporada dos leões. Com o Campeonato cada vez mais longe, o sonho da Liga dos Campeões já terminado e a Taça de Portugal a servir como tábua de salvação, abriu-se a porta à discussão sobre o que se passa no departamento clínico do clube.
Ainda assim, Rui Borges continuava a manter alguma serenidade e até racionalidade sobre o assunto. Este domingo, já depois de o Benfica ter goleado o Moreirense e o FC Porto ter vencido o Estrela da Amadora, o Sporting visitava o já despromovido AVS e estava obrigado a ganhar para continuar a defender o segundo lugar e manter-se matematicamente na corrida pelo primeiro — e o treinador leonino não quis escudar-se nas inúmeras baixas no plantel, de Gonçalo Inácio a Hjulmand, passando pelos casos paradigmáticos de Iván Fresneda, Nuno Santos ou Ioannidis.
Ficha de jogo
AVS-Sporting, 1-1
31.ª jornada da Primeira Liga
Estádio do Clube Desportivo das Aves, na Vila das Aves
Árbitro: Pedro Ramalho (AF Évora)
AVS: Adriel Ramos, Mateus Pivô, Cristian Devenish, Paulo Vitor, Leonardo Rivas, Roni Moura, Gustavo Mendonça (Óscar Perea, 73′), Pedro Lima (Guillem Molina, 84′), Tunde (Carlos Ponck, 90+2′), Diego Duarte (Nenê, 84′), Guilherme Neiva (Tiago Hernández, 73′)
Suplentes não utilizados: Pedro Trigueira, Simão Bertelli, Aderllan Santos, Afonso Silva
Treinador: João Henriques
Sporting: Rui Silva, Vagiannidis, Debast, Diomande, Ricardo Mangas (Maxi Araújo, 74′), Morita, Kochorashvili (Daniel Bragança, 84′), Geovany Quenda (Geny Catamo, 57′), Trincão, Pedro Gonçalves (Luis Guilherme, 74′), Rafael Nel (Luis Suárez, 57′)
Suplentes não utilizados: João Virgínia, Salvador Blopa, Eduardo Quaresma, Eduardo Felicíssimo
Treinador: Rui Borges
Golos: Rafael Nel (47′), Pedro Lima (gp, 66′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Gustavo Mendonça (12′), a Tunde (45+6′), a Adriel Ramos (90+6′), a Daniel Bragança (90+7′)
“A sobrecarga tem sido imensa, por todas as contrariedades que temos tido, lesões que nos tiraram momentos de gestão. Mas a parte da motivação está lá. Temos de fazer a nossa parte, estamos motivados por estarmos na final da Taça. Há cansaço, não fugimos a isso, mas acho que a motivação de querer ajudar é maior e tem sido maior. A motivação vai levar-nos a passar esta parte difícil e depois entramos em semanas normais, o que facilita. Eles correm e trabalham dentro do que fazem sempre, o sumo é que às vezes não é o mesmo. Estamos orgulhosos do que fizeram e disse logo, até depois do jogo com o Benfica em que perdemos e ficámos mais longe do objetivo, que enquanto há vida temos de lutar por ela”, disse Rui Borges na antevisão da partida.
Assim, na Vila das Aves e sem surpresas, Rui Borges assinou uma autêntica revolução no onze inicial: Ricardo Mangas, Kochorashvili e Rafael Nel eram titulares, sendo que o médio georgiano não jogava há três meses, Geny Catamo, Maxi Araújo, Eduardo Quaresma, Daniel Bragança e Luis Suárez começavam todos no banco e Diomande, Morita, Pedro Gonçalves e Trincão acabavam por ser os sobreviventes. Do outro lado, na primeira jornada depois da confirmação da descida à Segunda Liga, João Henriques não tinha o castigado Tomané e lançava Diego Duarte, Guilherme Neiva e Tunde no ataque.
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O jogo começou equilibrado, com o AVS a tentar não juntar demasiado as linhas para não afundar no próprio meio-campo, mas o Sporting não demorou a assumir o controlo total das ocorrências. Debast teve a primeira grande oportunidade da partida, com um remate que Adriel Ramos defendeu na sequência de um canto na direita (6′), e os leões viveram os minutos de maior inspiração daí e até ao final do quarto de hora inicial.
Geovany Quenda rematou por cima depois de um livre de Pedro Gonçalves (8′), Vagiannidis atirou ao lado após passe de calcanhar de Morita (10′) e o mesmo Pedro Gonçalves, depois de uma assistência deliciosa do mesmo Morita, permitiu a defesa a Adriel Ramos tanto no primiro pontapé como na recarga (13′). A partir daí, porém, o Sporting voltou a esmorecer — e o AVS aproveitou para respirar fundo depois de minutos de asfixia, espaçando as linhas.
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Pedro Lima e Guilherme Neiva protagonizaram as situações de perigo dos avenses, com um remate por cima da trave (35′) e outro que Rui Silva defendeu (39′), e Trincão ainda ficou perto de abrir o marcador com um pontapé em jeito de fora de área que passou ao lado (36′). Já à beira dos descontos, apareceu o momento de maior polémica: Rafael Nel ficou em dificuldades depois de um lance com Devenish na área, Pedro Ramalho foi chamado ao VAR, mas decidiu que não houve grande penalidade e mandou seguir — causando uma enorme onda de desagrado no banco leonino.
Ao intervalo, AVS e Sporting estavam ainda empatados sem golos na Vila das Aves. Os leões conseguiram demonstrar superioridade, mas continuava a existir uma dimensão física que obrigava a uma lentidão fora do normal e travava algum discernimento nos momentos decisivos — e que ficou clara quando Pedro Gonçalves foi assistido a um desconforto muscular fora do relvado e regressou para jogar mais sossegado atrás de Rafael Nel, motivando a ida de Geovany Quenda para a esquerda e de Trincão para a direita.
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Nenhum dos treinadores mexeu no início da segunda parte e o Sporting voltou do balneário a marcar: Vagiannidis recebeu de Geovany Quenda na direita, acelerou até à linha de fundo e tirou um bom cruzamento para o segundo poste, com Devenish a desviar para a própria baliza e Rafael Nel a tocar para assinar o golo (47′). Pedro Gonçalves ficou muito perto de aumentar a vantagem logo a seguir, com um remate de fora de área que acertou em cheio no poste (50′), e o AVS afundou por completo com o golo sofrido.
Rui Borges fez as primeiras substituições ainda antes da hora de jogo, lançando Luis Suárez e Geny Catamo, e o jogo entrou numa fase de algum conformismo: os avenses não tinham capacidade para chegar perto da baliza de Rui Silva, os leões pareciam satisfeitos com o resultado. Morita e Kochorashvili testaram Adriel Ramos de forma consecutiva, com dois remates de fora de área que o guarda-redes defendeu (62′), até que o VAR voltou a ser protagonista.
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Num lance em que nada fez em jogo corrido, Pedro Ramalho foi chamado ao VAR e assinalou mão na bola de Morita na área leonina, decretando grande penalidade — que Pedro Lima converteu, batendo Rui Silva (66′). Rui Borges voltou a mexer e lançou Maxi Araújo e Luis Guilherme, João Henriques respondeu com Tiago Hernández e Óscar Perea e até foi o AVS a ficar mais perto de voltar a marcar nesta fase, com um remate acrobático de Diego Duarte que Rui Silva defendeu (75′).
Daniel Bragança ainda entrou, Adriel Ramos continuou a ser protagonista com várias defesas cruciais que negaram golos a Luis Suárez, Maxi Araújo ou Luis Guilherme, Geny Catamo acertou no poste (82′) e Óscar Perea, num momento que seria um verdadeiro golpe de teatro, também rematou ao ferro depois de uma cavalgada num contra-ataque que o deixou na cara de Rui Silva (90+5′). O Sporting empatou com o AVS na Vila das Aves, somando o quarto jogo consecutivo sem ganhar em todas as competições, e deixou de depender apenas de si para ficar no segundo lugar do Campeonato — ou seja, se o Benfica vencer nas últimas três jornadas, os leões não estarão na Liga dos Campeões na próxima temporada.
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