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(A) :: De Donald Trump a JD Vance, de Mike Johnson a Marco Rubio. Governo estava em peso no jantar e não é claro se havia "sobrevivente designado"

De Donald Trump a JD Vance, de Mike Johnson a Marco Rubio. Governo estava em peso no jantar e não é claro se havia "sobrevivente designado"

Os três detentores dos cargos mais importantes dos EUA estavam todos na mesma sala. "Ainda assim estamos todos seguros", respondeu procurador-geral interino.

Leonor Riso
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Na noite do Jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, o “assassino federal amigável” — como se intitulou Cole Tomas Allen — tinha um objetivo: atingir elementos da Administração Trump, sem especificar quais. Além do próprio Presidente Trump, no hotel Washington Hilton encontravam-se o Vice-Presidente JD Vance e Mike Johnson, o presidente da Câmara dos Representantes, os três detentores dos cargos mais importantes do país.

Questionado acerca dos problemas de segurança motivados por ter no mesmo local os três primeiros governantes, o procurador-geral interino Todd Blanche garantiu em conferência de imprensa que os protocolos tinham funcionado e que o atirador não se tinha aproximado deles. “O facto de que o Vice-Presidente e de outros elementos da liderança estavam na noite passada numa sala é a razão pela qual tínhamos um dispositivo robusto de segurança a rodear o local, e dentro do local. E é essa a razão pela qual estamos todos seguros”, assinalou Todd Blanche numa entrevista à ABC News.

https://observador.pt/especiais/qualquer-pessoa-podia-entrar-no-hotel-com-armas-as-falhas-do-servico-secreto-no-ataque-a-trump/

Certo é que, segundo o The Wall Street Journal, o procurador-geral interino não revelou se existia um “sobrevivente designado” — o membro do governo dos EUA que deve ficar longe de qualquer evento onde possa ocorrer um ataque que neutralize os líderes na linha de sucessão ao cargo ao mesmo tempo — para o Jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca. Questionado diretamente pela CBS, disse: “Não vamos parar de fazer coisas como o que fizemos na noite passada nesta Administração e este homem, se um dos seus objetivos era assustar-nos, falhou.”

Além de Trump, Vance e Johnson, também o secretário de Estado Marco Rubio, o Secretário do Tesouro Scott Bessent, e o Secretário da Defesa Pete Hegseth estavam no jantar. “É verdade, todas estas pessoas estavam na sala e mais, e ainda assim estamos todos seguros”, afirmou ainda o procurador-geral interino.

Também Tulsi Gabbard, diretora dos Serviços Secretos dos EUA, bem como o Secretário dos Transportes Sean Duffy, o Secretário da Saúde Robert Kennedy Jr., a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt, e o diretor do FBI Kash Patel estavam na sala International, que acolheu o jantar. Depois do tiroteio, Donald Trump garantiu que a “primeira-dama, mais o Vice-Presidente, e todos os membros do governo, estão em perfeitas condições”.

Os jornalistas captaram ainda o vice-chefe de gabinete de Donald Trump, Stephen Miller, a proteger a mulher, Katie Miller, que está grávida. Acabaram por ser retirados por elementos da equipa de segurança:

https://twitter.com/liveaction/status/2048247612344828152?s=48&t=8rbZa2oapu8iBzOfcx470Q

O mesmo aconteceu com o Secretário do Tesouro, Scott Bessent:

https://twitter.com/zachaschonfeld/status/2048208505341976803?s=48&t=8rbZa2oapu8iBzOfcx470Q

Pete Hegseth, o Secretário da Defesa, também foi retirado com a mulher, Jennifer Hegseth.

https://twitter.com/kelfitton/status/2048229692373602796?s=48&t=8rbZa2oapu8iBzOfcx470Q

No seu manifesto, o atirador Cole Tomas Allen troçou com a falta de segurança do local. “Aparentemente, ninguém pensou no que acontece quando alguém faz o check in no dia anterior”, escreveu. Com esse tempo, pôde circular por todo o hotel e preparar-se para o ataque, que foi travado quando passou a correr por uma zona onde existiam detetores de metais.

Para Donald Trump, o que podia ter acontecido na sala onde se concentrava o governo norte-americano deve acelerar um dos seus projetos mais queridos: a construção do salão de bailes da Casa Branca, avaliado em 400 milhões de dólares (370 milhões de euros) e que está a ser alvo de um processo por parte do Fundo Nacional para a Preservação Histórica. O Departamento de Justiça dos EUA já pressionou o Fundo com uma carta em que insiste que o salão é “essencial para a proteção e segurança do presidente”.