O caos instalou-se no interior do Hotel Hilton, em Washington, quando o norte-americano Cole Tomas Allen passou a correr pelos seguranças mobilizados para o Jantar dos Correspondentes que contava com a participação do Presidente Donald Trump. O plano, escreveu num manifesto que enviou à família dez minutos antes do ataque no qual se autointitulava de “assassino federal amigável”, era matar membros da administração Trump.
“Dar a outra face é para quando tu próprio és oprimido”, escreveu, segundo o New York Post, o atirador, uma aparente referência a uma passagem bíblica do Evangelho de S. Lucas (“A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra”). “Eu não sou a pessoa violada num campo de detenções. Eu não sou o pescador executado sem um julgamento. Eu não sou a criança que passa fome, nem a adolescente abusada pelos muitos criminosos desta administração. Oferecer a outra face quando outra pessoa está a ser oprimida não é um comportamento cristão, é cumplicidade com os crimes do opressor”, sublinhou.
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No documento Cole Allen escreveu também que os seus alvos eram elementos da administração Trump, sem especificar quais. “Os elementos da administração (excluindo o Sr. Patel) são alvos, a priorizar do nível mais alto para o mais baixo”, explicou, aparentemente afastando o diretor do FBI, Kash Patel. Noutra passagem escreveu: “Já não estou disposto a permitir que um pedófilo, violador e traidor suje as minhas mãos com os seus crimes”.
Quando entrou no hotel Hilton o norte-americano transportava duas armas que, sabe-se agora, terão sido compradas em 2023 e 2025. No manuscrito explicava que ia usar um tipo de munições (‘buckshot’ em inglês) para “minimizar” o tipo de vítimas. “Eu eliminaria quase todos aqui para chegar aos alvos se fosse absolutamente necessário (partindo do princípio de que a maioria das pessoas escolheu assistir ao discurso de um pedófilo, violador e traidor, e são, por isso, cúmplices), mas espero sinceramente que não chegue a esse ponto”.
O New York Times, que entretanto também teve acesso ao manuscrito, cita outra passagem em que diz que o Serviço Secreto só é um alvo “se necessário”, os seguranças do hotel, polícia do Capitólio e Guarda Nacional “não são alvos se for possível” e que os funcionários do hotel e convidados “não são alvos”.
No manuscrito o atacante ainda ridicularizou a falta de segurança no Hilton, notando que estava concentrada no exterior do edifício e apenas focada nos protestos e nas chegadas novas ao hotel. “Aparentemente ninguém pensou no que acontece quando alguém faz o check in no dia anterior”, escreveu Cole Tomas Allen, que no dia 25 de abril se hospedou no hotel.
“A primeira coisa que notei imediatamente ao entrar no hotel foi a sensação de arrogância. Eu entro com múltiplas armas e nem uma única pessoa lá equaciona a possibilidade de eu ser uma ameaça”, afirmou, defendendo que o “nível de incompetência” era “insano”.
“Se eu fosse um agente iraniano, em vez de um cidadão americano, eu podia ter trazido uma Ma Deuce [nome pelo qual é conhecida a metralhadora Browning M2] para aqui e ninguém teria notado nada”, sublinhou. “Muito sinceramente eu espero que isto já tenha sido corrigido quando este país conseguir um líder competente novamente”, escreveu Cole Allen, que assinou o documento como “Cole ‘coldForce’ ‘Assassino Federal Amigável’ Allen”.
Segundo o NYT, na nota, de cerca de mil palavras, ainda constava um pedido de desculpas à sua família, amigos e estudantes pelas ações e um agradecimento a todos os que o apoiaram ao longo da vida.
Segundo a imprensa norte-americana, um dos familiares de Cole Allen alertou as autoridades depois de receber o manifesto, que não faria referência ao Jantar de Correspondentes. O próprio Presidente o confirmou em entrevista à Fox News, especificando que contactaram a polícia do Connecticut.