O momento do Chelsea é, no mínimo, preocupante. Sete derrotas consecutivas entre Premier League e Liga dos Campeões, cinco delas por três ou mais golos de diferença, e um treinador despedido pouco mais de três meses depois de assinar por seis anos. Pelo meio, já este domingo e no que era uma autêntica tábua de salvação da temporada, uma meia-final da Taça de Inglaterra.
Em Wembley, os blues defrontavam o Leeds poucos dias depois do despedimento de Liam Rosenior, que não resistiu às tais sete derrotas consecutivas pouco mais de três meses após substituir Enzo Maresca, despedido nos últimos dias do ano mais por se desentender com a estrutura do clube do que propriamente por maus resultados. Calum McFarlane voltava a ser o interino, algo que já tinha acontecido em janeiro, e tinha a responsabilidade de aliviar a nuvem negra que se vive em Stamford Bridge através do apuramento para a final da Taça de Inglaterra.
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Na antecâmara do jogo deste domingo, entre os muitos comentários e as diversas reações ao despedimento de Liam Rosenior, evidenciou-se uma em particular — pelo humor, pela experiência envolvida e pela desresponsabilização do treinador inglês. “Os génios que são os proprietários do Chelsea estão agora à procura do quinto treinador efetivo desde que assumiram o cargo, em 2022. O Chelsea não percebeu o ponto-chave e está a tentar fazer um Big Mac melhor do que o do McDonald’s a ignorar o pão que segura tudo. Virou costas à noção de experiência, no campo e no banco, e está a pagar o preço. Com Reece James lesionado, uma vez mais, Enzo Fernández tem usado a braçadeira de capitão. Isto resume o circo do Chelsea perfeitamente: o homem que está a pressionar no sentido de fugir á agora o líder deles. Esta é a cultura que acabou com Rosenior”, escreveu Troy Deeney, lenda do Watford, no jornal The Sun.
Certo é que, com Calum McFarlane como interino até ao final da temporada, o Chelsea ainda não tem um alvo totalmente definido para assumir o papel de treinador principal — sendo que a imprensa internacional garante que Francesco Farioli, prestes a ser campeão nacional com o FC Porto, é um dos nomes no topo da lista de Todd Boehly e companhia. Enzo Maresca e Liam Rosenior não serviram, as centenas de milhões em contratações não chegaram e o clube continua à deriva. Por tudo isso e por tudo mais, portanto, era crucial estar na final da Taça de Inglaterra onde já estava o Manchester City, que eliminou o Southampton este sábado.
Ora, neste contexto, Enzo Fernández — o homem que ainda há poucas semanas esteve castigado pelo clube por ter dito publicamente que gostaria de jogar no Real Madrid — era naturalmente titular e capitão em Wembley. Calum McFarlane lançava Pedro Neto e Alejandro Garnacho no apoio a João Pedro, com Cole Palmer a começar no banco, enquanto que Daniel Farke, num Leeds que ainda não tem a permanência na Premier League totalmente assegurada e estava na meia-final da competição pela primeira vez desde 1987, tinha Dominic Calvert-Lewin como referência ofensiva.
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Numa primeira parte animada, Enzo Fernández protagonizou o primeiro lance de perigo, com um remate forte de fora de área que Lucas Perri encaixou (6′), mas a primeira grande oportunidade até pertenceu ao Leeds: Brenden Aaronson ficou isolado depois de um bom passe de Calvert-Lewin e atirou rasteiro e cruzado para Robert Sánchez, com uma enorme defesa, manter o nulo (15′).
Os blues cresceram depois do susto e João Pedro, com um remate cruzado já na área, acertou no poste (22′). Logo a seguir, o golo apareceu mesmo: Pedro Neto recebeu de João Pedro na direita e cruzou para a área, onde Enzo Fernández, sem grande oposição, cabeceou para abrir o marcador (23′). Ao intervalo, o Chelsea estava a vencer o Leeds em Wembley e ligeiramente mais perto da final da Taça de Inglaterra.
Daniel Farke mexeu no início da segunda parte e lançou Joe Rodon e Anton Stach, com este último a ter desde logo uma boa oportunidade para empatar com um remate de longe que Robert Sánchez defendeu (46′). Calvert-Lewin apareceu na área a cabecear, também para as mãos do guarda-redes espanhol (58′), e o Leeds ia procurando o golo — aproveitando também alguma apatia do Chelsea, que parecia mais preocupado com a gestão da vantagem do que propriamente com a dimensão dessa mesma vantagem.
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Andrey Santos entrou já depois da hora de jogo e Cole Palmer, regressado de lesão, também foi opção a cerca de 20 minutos do fim, com Daniel Farke a apostar em Wilfried Gnonto e Lukas Nmecha na mesma altura. Os blues entraram numa fase de controlo quase absoluto, aproveitando também a quebra de rendimento do adversário, e demonstraram uma competência que raramente tem aparecido nos últimos meses. Liam Delap ainda entrou nos descontos, mas já nada mudou até ao apito final.
No fim, o Chelsea venceu o Leeds e vai defrontar o Manchester City na final da Taça de Inglaterra, mantendo a única tábua de salvação da temporada e terminando uma série de sete derrotas consecutivas entre Premier League e Liga dos Campeões. E tudo à boleia de Enzo Fernández, o homem que quer alegadamente sair, mas continua a ser o líder de um grupo órfão de liderança.
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