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Dos tiros em Butler à invasão impedida a Mar-a-Lago: os outros atentados a Donald Trump

O tiroteio no Jantar dos Correspondentes foi a quarta vez que Trump foi alvo de um ataque desde 2024, quando foi alvejado durante um comício, escapando com ferimentos numa orelha. Recordamos os casos.

António Moura dos Santos
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Este sábado à noite, Donald Trump foi alvo de um novo atentado, quando um homem de 31 anos tentou entrar armado no jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca em Washington DC. Entretanto, responsáveis pela investigação acreditam que qualquer membro da administração Trump era um pontencial alvo.

Tanto o Presidente quanto a sua mulher, Melania Trump, e o vice-presidente, JD Vance, foram retirados do salão do hotel onde decorria o jantar após terem sido ouvidos disparos. O suspeito, identificado como Cole Tomas Allen, terá tentado passar por um controlo de segurança munido de várias armas, resultando num tiroteio que deixou um agente dos Serviços Secretos ferido mas estável, salvo pelo colete à prova de bala.

O suspeito foi neutralizado sem sofrer qualquer disparo, saindo ileso do atentado, mas ainda assim sendo levado para um hospital para receber avaliação médica. Foi detido e vai ser presente a tribunal esta segunda-feira, não se sabendo ainda o que terá motivado o ataque.

Na conferência de imprensa que se seguiu, Donald Trump aludiu aos outros atentados falhados de que foi alvo. “Esta não é a primeira vez nos últimos anos que a nossa república é atacada por um potencial assassino que procurava matar”, afirmou. Foram estes os outros atentados:

Butler, Pensilvânia — 13 de julho de 2024

Donald Trump foi alvejado enquanto discursava num comício em Butler, na Pensilvânia, na campanha para as presidenciais de 2024, sofrendo um ferimento de raspão na orelha esquerda. O à época candidato — concorria contra Joe Biden — foi rapidamente retirado do local e levado para uma unidade de saúde nas proximidades, tendo alta poucas horas depois.

O atirador foi identificado como Thomas Crooks, de 20 anos, que ter-se-á colocado num telhado a 135 metros e com linha de visão para o palco onde Trump discursou, efetuando vários disparos com uma espingarda de assalto AR‑15. As motivações de Crooks nunca foram apuradas porque foi morto no local por membros do Serviço Secreto dos EUA.

https://observador.pt/2024/07/14/gostava-de-xadrez-estudava-programacao-e-era-eleitor-republicano-quem-e-thomas-crooks-o-jovem-de-20-anos-que-disparou-contra-trump/

Além de Crooks, o incidente provocou outro morto, um bombeiro de 50 anos que se encontrava entre o público, e dois feridos graves, todos eles atingidos pelos disparos. Registaram-se ainda quatro membros do Serviço Secreto dos EUA com ferimentos ligeiros por serem atingidos com detritos resultantes do impacto das balas.

O caso levantou polémica devido às aparentes falhas de segurança no trabalho dos Serviços Secretos durante o comício, tendo em conta que Crooks estava armado e conseguiu posicionar-se num telhado desprotegido, demasiado perto do palco. Além disso, o atirador já tinha sido avistado 20 minutos antes dos disparos contra Trump por snipers do Serviço Secreto, que não terão agido por não se aperceberem que ele estava armado. O secretário da Segurança Interna dos Estados Unidos à época, Alejandro Mayorkas, admitiria dois dias depois que ocorreu uma “falha” que “não pode acontecer”.

O incidente teve ainda a consequência de fortalecer a campanha presidencial de Donald Trump, sendo apontado como um acontecimento mobilizou eleitores a apoiá-lo. Para isso contribuiu também a postura combativa após o ataque, com Trump a ser levado por membros do Serviço Secreto de punho no ar e a gritar “lutem, lutem, lutem”.

West Palm Beach, Flórida — 15 de setembro de 2024

Apenas dois meses após o atentado de Butler — e a menos de dois meses das presidenciais, decorridas a 7 de novembro desse ano — Trump voltou a ser alvo de uma tentativa de assassinato, quando se encontrava a jogar golfe com Steve Witkoff no Trump International Golf Club, em West Palm Beach.

O responsável foi Ryan Routh, um homem de 59 anos que se encontrava há vários meses a planear um ataque e que numa nota dirigida a um amigo admitiu estar a planear “uma tentativa de assassinato contra Donald Trump“, antevendo o fracasso do seu plano e oferecendo 150 mil dólares a quem concluísse o objetivo.

Routh acampou durante 12 horas ocultado por arbustos junto à vedação do campo de golfe, num local a 370 metros de distância de onde passaria o alvo, encontrando-se munido de uma carabina, uma mira, duas mochilas, uma câmara GoPro e uma lista com locais onde Trump estaria presente.

Ao colocar o cano da carabina entre a vedação, um agente do Serviço Secreto apercebeu-se do ataque iminente e efetuou quatro disparos, obrigando Routh — que se encontrava com um colete à prova de bala — a fugir. Acabou por ser capturado durante uma operação de controlo de trânsito.

Inicialmente acusado apenas de crimes com armas de fogo, foi mais tarde formalmente acusado de tentar assassinar um candidato presidencial. Routh declarou-se inocente, mas em fevereiro desde ano seria mesmo condenado a prisão perpétua.

https://observador.pt/especiais/um-pai-amoroso-trabalhador-e-disposto-a-morrer-pela-ucrania-quem-e-ryan-wesley-routh-o-suspeito-de-tentar-assassinar-trump/

A viver no Havai depois de passar a maior parte da sua vida na Carolina do Norte, Routh começou a planear o atentado a Trump depois de já ter sido seu apoiante, votando no republicano nas eleições presidenciais de 2016 e ajudando-o a vencer essa corrida à Casa Branca. No entanto, quatro anos depois, retirou esse apoio e mostrou estar desiludido: “Eu e o mundo esperávamos que o Presidente Trump fosse diferente e melhor do que o candidato, mas todos ficámos muito desapontados e parece que está a piorar e a deteriorar-se”, escreveu na sua conta na rede social X, que entretanto foi suspensa.

Mar-a-Lago, Flórida — 22 de fevereiro de 2026

Já este ano, um jovem de 21 anos tentou entrar armado na propriedade de Donald Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, chegando de carro ao portão norte da propriedade do presidente dos EUA antes de ser morto a tiro pelos serviços de segurança. O presidente, de resto, não se encontrava no local.

Segundo o líder da polícia de Palm Beach, o jovem levava uma espingarda e um jerricã, sendo ordenado pelas autoridades a pousar ambos os objetos. O suspeito largou o jerricã, mas levantou a arma e colocou-a em posição de disparo, motivando a reação das forças de segurança.

O jovem foi mais tarde identificado como Austin Tucker Martin, que horas antes tinha sido dado como desaparecido pela família, apanhada de surpresa com o incidente. “Ele é um bom rapaz. (…) Nunca acreditaria que ele fizesse algo como isto. É incompreensível. Ele era incapaz de fazer mal a uma formiga, nem sequer sabia como usar uma arma”, afirmou um primo seu à Associated Press.

Não foram apuradas as motivações para a tentativa de ataque que levou Martin a viajar de propósito da Carolina do Norte para a Flórida, sabendo-se apenas era membro de uma família de apoiantes de Donald Trump, mas não estava filiado em nenhum partido. Entretanto, descobriu-se que o caso Epstein poderá ter levado à sua radicalização. “Não sei se já leste os ficheiros Epstein, mas o mal é real e inconfundível. A única coisa que as pessoas boas como eu e tu podem fazer é usar a pouca influência que temos. Contas às pessoas o que sabemos dos ficheiros Epstein e o que o governo está a fazer sobre isso“, escreveu o jovem numa mensagem a um colega de trabalho.