(c) 2023 am|dev

(A) :: Entre dois vermelhos, a festa foi verde-rubra: Marítimo vence Benfica B no Seixal e volta à Primeira Liga três anos depois

Entre dois vermelhos, a festa foi verde-rubra: Marítimo vence Benfica B no Seixal e volta à Primeira Liga três anos depois

Centenário do único título nacional (Campeonato de Portugal) foi assinalado da melhor forma pelo Marítimo, que garantiu subida à Primeira Liga três anos depois após derrotar Benfica B no Seixal (1-2).

Bruno Roseiro
text

À terceira parecia que ia ser de vez, à terceira parecia que tudo iria ter de recomeçar outra vez. Após largas décadas na Primeira Liga, o Marítimo, que conseguiu consolidar-se num patamar de “histórico” no principal escalão, acabou por descer ao segundo escalão em 2023 no seguimento de um 16.º lugar e posterior desaire num playoff dramático nos Barreiros decidido a favor do Estrela da Amadora nas grandes penalidades após um golo marcado pelos insulares no sexto minuto de descontos. Seguiu-se uma quarta posição na Segunda Liga em 2023/24 com os mesmos pontos do AVS que chegou ao playoff, um 12.º posto em 2024/25, a nova tentativa de chegar à subida na presente temporada. Tudo estava a correr bem até novembro, tudo ficou quase “estagnado” na sequência da saída de Vítor Matos do comando a troco de um milhão de euros.

https://observador.pt/2023/06/11/esperavam-desejaram-conseguiram-estrela-da-amadora-afasta-maritimo-e-esta-de-volta-a-primeira-liga-14-anos-depois/

O treinador que passou pela formação do FC Porto, esteve na China e juntou-se depois à equipa técnica de Jürgen Klopp no Liverpool aceitou o convite feito pelos galeses do Swansea, do Championship, e saiu ainda antes do final da primeira volta com a missão de salvar a equipa da descida (algo que conseguiu e com larga margem). O Marítimo esteve em terceiro, com os mesmos pontos do Torreense e tendo apenas o Sporting B na frente, mas a troca técnica iria sempre ser um risco para a caminhada que estava a ser feita. Mais uma vez, a opção foi “fora da caixa” e Miguel Moita, que esteve durante mais de uma década nas equipas de Leonardo Jardim entre Desp. Chaves, Beira-Mar, Sp. Braga, Olympiacos, Sporting, Mónaco, Al Hilal, Al Ahli ou Al-Rayyan e que não acompanhou depois o número 1 na passagem para o Brasil (Grémio e Flamengo).

https://observador.pt/2023/06/12/miguel-albuquerque-lamenta-descida-do-maritimo-e-pede-reflexao-sobre-financiamento-do-futebol-na-madeira/

Aos 42 anos, Miguel Moita tinha a primeira experiência como treinador principal e logo com essa missão de peso de dar continuidade ao trabalho que tinha sido iniciado por Vítor Matos no verão. Era um “risco”, tornou-se uma aposta certa. Sem derrotas nos oito primeiros jogos, entre cinco vitórias e três empates, os madeirenses foram conseguindo destacar-se na classificação, ganharam margem para momentos menos conseguidos e, com mais uma série de 13 pontos em 15 possíveis, ficaram apenas a uma vitória para chegar a essa promoção à Primeira Liga (dependendo apenas de si). No primeiro match point, o Torreense ganhou nos instantes finais. Agora, chegava uma segunda hipótese, no Seixal Campus, frente ao Benfica B. Uma hipótese que dificilmente poderia motivar maior mobilização, com cerca de 1.200 adeptos esperados no jogo.

https://twitter.com/MaritimoMadeira/status/2048485797603463483

Era a subida que estava em causa, era mais um recorde que estava também na calha. Num plantel onde se têm destacado o guarda-redes Samu Silva, o defesa Madsen e os avançados Martín Tejón e Carlos Daniel, o Marítimo estava apenas a uma vitória de superar a melhor marca de sempre numa temporada a jogar fora depois dos dez triunfos conseguidos por Tulipa e Fábio Pereira em 2023/24 (agora levava dez, quatro com Vítor Matos e seis com Miguel Moita). Tudo depois de um mercado de transferências de janeiro onde foram para o Funchal Alfonso Pastor (Rio Ave) e José Melro (Benfica) entre as saídas de André Rodrigues, Martim Tavares, Alberth Elis e Gonçalo Tabuaço. Ou seja, a base ficou toda e foi preciso encontrar um plano B.

Por uma questão de equilíbrio financeiro, necessitávamos de vender jogadores. Mas não surgiram ofertas que fossem de encontro às nossas pretensões, pelo que optámos por emagrecer o plantel em termos de custos, mas de uma forma que não afetasse a unidade do grupo e o rendimento desportivo. E tivemos uma redução significativa nos custos salariais. Continuamos numa situação que obriga a engenharia financeira mas isto vem nos dar um alívio”, assumiu após o fecho do mercado o presidente dos insulares, Carlos André Gomes, no Marítimo na TSF.

https://twitter.com/ligaportugal/status/2048701774698025238

Havia um outro dado a deixar os adeptos maritimistas particularmente eufóricos com aquilo que se poderia passar no Seixal este domingo, na sequência de um jantar realizado no conhecido restaurante O Madeirense, do empresário Manuel Fernandes, para celebrar o centenário da conquista do Campeonato de Portugal pelo Marítimo, único título nacional do clube entre muitas dezenas de Campeonatos e Taças da Madeira e mais duas taças de campeão da então Segunda Divisão, em 1977 e 1982. Mais: com a esperança de que seria agora que a subida ficaria confirmada, o Marítimo decidiu organizar uma Fan Zone na zona dos Barreiros para que todos os adeptos seguissem a partida no Seixal… e ficassem em caso de festa.

https://twitter.com/MaritimoMadeira/status/2048385006892892256

“Os nossos adeptos têm sido incansáveis no apoio. Continuam sempre ao nosso lado, mesmo nos momentos mais difíceis. Depois do jogo com o Torreense, estavam à nossa espera, o que foi algo fantástico. Nunca deixam de nos apoiar e aquilo que queremos agora é fazer do Benfica Campus, no Seixal, o nosso Caldeirão, recriando o ambiente forte que temos conseguido no nosso estádio. Preparámo-nos para entrar em campo de uma forma mais personalizada mas com a confiança e a responsabilidade de sempre. Temos perfeita noção do que conquistámos até agora e de que fomos a equipa mais consistente. É muito mais confortável estar nesta posição do que nos últimos lugares, dependemos só de nós. É muito importante termos isso na cabeça, para entrarmos e fazermos o que temos a fazer”, apontara o técnico Miguel Moita.

https://twitter.com/ligaportugal/status/2048488856039629242

https://twitter.com/sporttvportugal/status/2048735768781193407

O objetivo foi alcançado, o sofrimento durou até ao final do encontro. Apesar da vantagem de dois golos ao intervalo, com golos de Butzke (16′) e Simo (45+2′), os madeirenses viram o Benfica B reduzir logo depois do intervalo com um autogolo (48′), ficaram reduzidos após vermelhos diretos a Martín Tejón (55′) e Igor Julião (73′) mas, mesmo reduzidos a nove, conservaram a vantagem de 2-1 e acabaram a fazer a festa.

https://twitter.com/ligaportugal/status/2048456013213229361

https://twitter.com/ligaportugal/status/2048463257212481779

https://twitter.com/MaritimoMadeira/status/2048485318488178910

https://twitter.com/ligaportugal/status/2048488957340495979