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(A) :: A festa de Deniz entre as travessuras a correr do Pimentinha (a crónica do Estrela-FC Porto)

A festa de Deniz entre as travessuras a correr do Pimentinha (a crónica do Estrela-FC Porto)

Mais do que correr muito, FC Porto sabe correr e, na segunda volta, percebe que o melhor é ter as corridas de Pietuszewski. No entanto, também sofreu na Amadora... quando não conseguia correr (1-2).

Bruno Roseiro
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Mais um clássico, mais polémica, pelo meio mais um objetivo que caiu por terra. Apesar da superioridade que foi conseguindo sobretudo na segunda parte frente a um Sporting “afundado” perante o jogo mais físico do adversário, o FC Porto não conseguiu impedir a eliminação nas meias-finais da Taça de Portugal, ficando assim apenas resumido a um Campeonato que vale bem mais do que isso. No entanto, e na antecâmara dos últimos quatro encontros de uma temporada que há muito parecia talhada a acabar nos Aliados em festa, a partida frente aos leões acabava por ser, em parte, a “gasolina” para os azuis e brancos acelerarem em força até à Amadora para a partida que podia funcionar como xeque-mate na luta pelo título. Por um lado, havia um dado que funcionava como Estrela para guiar a equipa. Por outro, existiam contas por saldar a propósito desse nulo para a Taça, nomeadamente por um lance que marcou tudo o resto para os portistas.

https://observador.pt/liveblogs/estrela-fc-porto-dragoes-procuram-xeque-quase-mate-ao-titulo-na-amadora/

“Se voltarmos à Taça, houve um jogo antes e depois do minuto 5. Havia três pessoas bem próximas do lance e vários monitores para ver o lance. Pelas lesões de William [Gomes] e [Gonçalo] Inácio depois disso e os três possíveis penáltis, percebe-se que o jogo mudou… O resultado não foi bom, o desempenho foi. A voz do Dragão falou bem alto e não foi a primeira vez. É muito comum ouvirmos este apoio mesmo quando perdemos. Estamos muito conectados para dar aos adeptos o que merecem. Estamos muito focados nisso e queremos transportar isso para dentro de campo. Lance do Gabri? Já deixei bem claro que a minha análise do jogo acabou ao minuto 5. Nunca ficamos contentes de ver alguém lesionado mas faz parte do futebol. Vi o pé do Morten [Hjulmand], também estou curioso por ver o pé do Gonçalo…”, voltou a apontar Farioli.

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“O que significa que o FC Porto está de volta? A minha frase teve a ver com o nosso espírito e quando se vê a equipa a correr 49 vezes mais do que o adversário esta época percebe-se que estamos num bom caminho. Nesta parte temos gerido muito bem o nosso plantel. Mesmo a jogar com dez frente ao Nottingham Forest e nos minutos finais contra o Sporting conseguimos dar uma resposta, tivemos pernas. Há que dar crédito à Unidade de Performance e aos jogadores. Corremos mais do que os adversários 49 vezes e isso diz bem da força desta equipa. Tento ter cuidado com o bem estar dos jogadores, mesmo com a recuperação entre jogos. Parece-me que está para chegar uma regulação da FIFA para limitar minutos dos jogadores, porque os minutos que cada jogador faz agora não me parece viável a longo prazo. Rodri é um exemplo pelo que diz e por ter tido uma longa paragem. Algo tem de ser feito”, acrescentara o técnico dos azuis e brancos.

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Era neste contexto que chegava a deslocação à Amadora, com os bilhetes esgotados em pouquíssimo tempo para mais uma romaria dos adeptos numa das últimas “finais” da época que iria também assinalar o jogo 50 de Farioli no comando dos dragões. “A partir de agora vamos ter uma semana completa para trabalhar e temos de estar em forma. 11 jogadores vão ser titulares e cinco vão entrar, por isso 16 jogadores têm de estar sempre prontos nos próximos quatro jogos. Acho que os jogadores estão mais preocupados com os minutos que podem fazer e menos com os que vão falhar. É uma deslocação sempre difícil, eles precisam de pontos. Vamos ter de abordar o jogo com a atitude certa, num campo que conhecemos bem e vamos ter de abordar de maneira correta. Título? Como disse após o Tondela, vamos passo a passo. Estamos na nossa bolha e só ouvimos a Famiglia Portista, queremos ganhar e vamos passo a passo”, destacara.

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A família marcou presença em força na Amadora com um grau de confiança que permitia perceber que não há ninguém capaz de explicar a todos aqueles adeptos um cenário que não seja o de um FC Porto campeão. No entanto, o triunfo valeu sobretudo pelo que aconteceu na primeira parte, altura em os dragões foram conseguindo soltar Oskar Pietuszewski em prol do coletivo para Deniz Gül sair como herói com dois golos. Depois, houve uma quebra. O FC Porto é uma equipa que corre muito mas que sabe sobretudo como e para onde correr pela facilidade com que levava os encontros para uma vertente mais física. Na Amadora, quando quebrou nesse aspeto, sofreu. O Estrela teve três bolas nos ferros, Diogo Costa teve uma intervenção gigante e a formação da Amadora não conseguiu mais do que reduzir a desvantagem. Sem deixar a melhor imagem no segundo tempo, as jogadas até ao intervalo valeram um xeque quase mate ao título.

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Como seria de esperar, o FC Porto não demorou a assumir o domínio do encontro, sabendo também que um episódio no período de aquecimento com a lesão de Renan Ribeiro e a chamada de David Grilo para fazer a estreia na Primeira Liga iria deixar o Estrela mais “desconfiado” nos minutos iniciais. No entanto, e durante os minutos iniciais, o conjunto da Amadora foi tentando manter a organização defensiva mais densa sem bola, permitindo apenas sinais de perigo na área na sequência de bolas paradas como aconteceu num livre lateral batido por Gabri Veiga e com assistência de Denis Gül para o remate ao lado de Bednarek (4′) e num canto em que David Grilo socou contra Pablo Rosario e viu depois a bola sair perto do poste (7′). Houve ainda uma tentativa de meia distância de Gabri Veiga ao lado que mostrou outras formas de chegar à baliza mas percebia-se que faltava a parte individual para colocar a brilhar o coletivo. Era uma questão de tempo.

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Havia dois movimentos que conseguiam começar a desmontar a organização da equipa da casa. Por um lado, os movimentos pelo corredor central de Pablo Rosario. Por outro, os momentos em que Froholdt descaía na direita, com Bruno Langa a pegar em Pepê mas sem hipótese de ir travar o médio nórdico. Foi assim que, num lance em que foi a esse corredor ganhar vantagem, o dinamarquês colocou Deniz Gül na cara do golo para um desvio atabalhoado que saiu por cima apesar de haver fora de jogo (14′). Faltava agora mais até que apareceu de forma inevitável o desbloqueador que mudou o paradigma do futebol dos dragões na segunda volta: Oskar Pietuszewski recebeu aberto na esquerda, foi para a jogada 1×1, passou por dois adversários com a mesma finta, arriscou mais uma passagem a furar a defesa do Estrela e foi derrubado de forma clara de Jansson que escorregou na abordagem ao lance, permitindo que Deniz Gül fizesse o 1-0 de penálti (17′).

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Tudo estava desbloqueado, tudo estava “resolvido”. Abraham Marcus ainda teve uma grande arrancada antes do meio-campo em versão Maradona até à entrada da área portista antes de Kiwior conseguir desviar a bola e anular a possibilidade de perigo mas o Estrela tinha poucas soluções ofensivas, não dava mais do que quatro a cinco toques em posse no seu meio-campo face à pressão em zonas altas dos portistas e estava cada vez mais à mercê de um ataque organizado dos azuis e brancos que procurava o espaço para encontrar depois as referências na zona de finalização. Foi assim, de forma natural, que o FC Porto conseguiu aumentar para 2-0 ainda antes do intervalo, de novo com o corredor direito a ganhar vantagem para Alberto Costa ter todo o tempo e espaço para colocar a bola ao segundo poste na área para Gül desviar de cabeça para o bis com uma particularidade – nunca tinha marcado como titular, agora já ia nos dois (decisivos) golos (37′).

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João Nuno ainda procurou algo mais do encontro ao intervalo, com as saídas de Scholze, Jansson e Doué para as entradas de Jovane Cabral, Jefferson Encada e Paulo Moreira, mas tinha pela frente a equipa da Liga que melhor consegue jogar a defender vantagens e que mais diferença consegue fazer na finalização de lances de bola parada. Kiwior, a meias com o compatriota Bednarek, obrigou David Grilo a nova intervenção mais apertada para canto no seguimento de novo livre lateral descaído sobre a esquerda de Gabri Veiga (50′). No entanto, houve uma parte do jogo do FC Porto que ficou no balneário: a intensidade. Os dragões corriam mas corriam sem a mesma convicção, sem o mesmo pragmatismo, às vezes sem o mesmo objetivo. Quando Jovane Cabral conseguiu aparecer mais no jogo de frente para a baliza, tudo começou a mudar. E só não mudou mais porque começou o festival do tiro ao ferro na Amadora: Abraham surgiu isolado para rematar rasteiro ao poste (58′), Stoica atirou em jeito ao poste (63′), Abraham fez a recarga ao poste (63′).

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Os avisos estavam dados e nem mesmo outra bola no ferro mas da baliza de David Grilo, com William Gomes a arriscar o 1×1 com Bruno Langa antes de fazer o cruzamento de pé direito que bateu no poste antes de sair pela linha de fundo (67′), impediu esse crescimento do Estrela numa fase em que o gás de Pietuszewski já estava quase em valores mínimos. Farioli ainda foi tentando mexer, com Martim Fernandes e Rodrigo Mora a serem lançados depois de William Gomes e Moffi, mas o conjunto da Amadora tinha perdido por completo o receio de fazer o jogo pelo jogo, vendo Diogo Costa tirar mais um golo feito a Marcus Abraham sozinho ao segundo poste (75′) antes do 2-1 marcado por Jovane Cabral após um livre lateral em que Sydney van Hooijdonk fez lembrar a forma de bater livres do pai, Pierre (82′). Sydney van Hooijdonk ainda teve um cabeceamento para as mãos de Diogo Costa quando o FC Porto tinha dado o estouro em termos físicos mas a reação já chegou tarde e os dragões conseguiram mesmo segurar a vantagem… que dá quase o título.

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