(c) 2023 am|dev

(A) :: Soldados a desmaiar com fome. Exército ucraniano destitui comandantes após denúncia de falta de água e comida

Soldados a desmaiar com fome. Exército ucraniano destitui comandantes após denúncia de falta de água e comida

Militares estariam a desmaiar com fome e a ser obrigados a beber água da chuva. Caso chocou Ucrânia. Forças Armadas ucranianas destituíram comandantes responsáveis pela falta de comida.

Agência Lusa
text
José Carlos Duarte
text

O Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia destituiu esta sexta-feira os comandantes do 10.º Corpo de Exército e da 14.ª Brigada Mecanizada Independente, após denúncias de fome e falta de água potável entre soldados, segundo a imprensa ucraniana.

O anúncio surge depois da filha de um ex-soldado de um batalhão da 14ª Brigada Mecanizada ter publicado fotos, que causaram indignação no país, de soldados extremamente magros e debilitados, alegadamente estacionados na região de Kharkiv sem comida ou água devido à negligência do comando.

Os militares estariam a desmaiar de fome e a ser obrigados a beber água da chuva, segundo relata o diário Kyiv Independent.

A mulher de um dos soldados da brigada, Anastasiia Silchuk, denunciou que os soldados enfrentam há sete meses atrasos contínuos na entrega de alimentos, água, material médico essencial e combustível para as suas posições, com remessas que por vezes demoram sete a 14 dias a chegar.

Anastasiia Silchuk acrescentou que são frequentes as interrupções de comunicação nas posições, ficando o serviço por vezes indisponível durante três a quatro dias.

O Ministério da Defesa da Ucrânia respondeu às denúncias na quinta-feira, dizendo que o comandante da 14ª Brigada tinha tomado conhecimento da situação e que, apesar dos desafios logísticos, estavam a ser feitos esforços para resolver os problemas de abastecimento das tropas e de rotação do pessoal.

O Estado-Maior anunciou que o comandante da 14ª Brigada, Anatolii Lysetskyi, tinha sido substituído, tal como o comandante do 10º Corpo, Serhii Perts, destituiu do cargo e despromovido.

Ainda assim, segundo informa o jornal Ukrainska Pravda, os dois comandantes vão ser colocados noutra funções militares até que fique concluída uma “investigação interna”, da qual serão “tomadas as decisões administrativas apropriadas”.

A 14ª Brigada Mecanizada ocupa posições a leste da cidade de Kupiansk, na região de Kharkiv, desde que a área foi libertada da ocupação russa na contraofensiva ucraniana do outono de 2022.

O Estado-Maior ucraniano assinalou também que o bombardeamento constante russo das travessias sobre o rio Oskil tem prejudicado significativamente o apoio logístico às unidades na área.

Desde que a linha da frente passou a ser dominada por drones em 2025, o transporte logístico regular por veículos para as posições de infantaria tornou-se praticamente impossível em toda a linha da frente. Em vez disso, todos os mantimentos, desde alimentos e água a munições e medicamentos, são em grande parte lançados por drones.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após a desagregação da antiga União Soviética – e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

[Um beijo no primeiro encontro e três viagens em menos de três meses. Ao 85.º dia de relação, o aspirante a modelo matou o cronista socialOs ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]