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(A) :: Morreu Jack Thornell antigo fotógrafo da AP que venceu Prémio Pulitzer

Morreu Jack Thornell antigo fotógrafo da AP que venceu Prémio Pulitzer

Thornell morreu na quinta-feira num hospital no subúrbio de Metairie, em Nova Orleães. A sua carreira foi marcada pela justiça racial e nas várias formas de protesto contra a segregação.

Agência Lusa
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O antigo fotógrafo da agência Associated Press (AP), Jack Thornell, cuja fotografia vencedora do Prémio Pulitzer tornou-se uma imagem icónica do Movimento dos Direitos Civis, morreu aos 86 anos, foi esta sexta-feira divulgado.

Thornell morreu na quinta-feira num hospital no subúrbio de Metairie, em Nova Orleães, devido a complicações de uma doença renal, divulgou o seu filho, Jay Thornell.

Trabalhou para a AP de 1964 a 2004 e teve uma variedade de trabalhos ao longo dos anos, fotografando políticos, desastres naturais e locais de crime. Mas a luta pela justiça racial marcou a carreira de Thornell na agência de notícias desde o início.

Em junho de 1966, Thornell, então com 26 anos, foi destacado para cobrir uma marcha pelos direitos civis liderada por James Meredith, que já tinha feito história ao integrar a Universidade do Mississipi em 1962 e, na altura, organizava uma “Marcha Contra o Medo” pelo Estado, incentivando os residentes negros a registarem-se e a votarem.

Meredith caminhava pela Autoestrada 51, perto de Hernando, no Mississipi, e Thornell e um fotógrafo rival estavam num carro estacionado à beira da estrada, quando o som do primeiro tiro de espingarda os fez fugir.

Uma das imagens resultantes, captada por Thornell, permanece como uma impactante memória fotográfica da violenta resistência à segregação.

A fotografia mostra um Meredith ferido, a fazer cara de dor enquanto se arrastava até à berma da estrada. Juntamente com a imagem, estava a fotografia vencedora do Prémio Pulitzer que Thornell inicialmente não se apercebeu ter captado: Meredith está no chão, à beira da autoestrada, com os braços estendidos e as mãos no asfalto — não é claro se ainda está a cair ou se está a levantar-se após a queda. Tem a cabeça virada e parece estar a olhar para o seu potencial assassino, visível no extremo esquerdo da imagem, no meio da folhagem à beira da estrada.

Meredith foi hospitalizado e recuperou. Aubrey James Norvell, que foi detido no local do tiroteio, declarou-se culpado e cumpriu 18 meses de uma pena de cinco anos de prisão.

Até revelar a película e examinar os negativos com atenção, Thornell acreditava que poderia ser despedido. Temia que o seu concorrente tivesse uma imagem do atirador e ele não. Em vez de ser despedido, Thornell ganhou o Prémio Pulitzer em 1967.

Thornell documentou a violência que antecedeu a integração racial nas escolas de Grenada, no Mississipi, em 1966.

Fotografou o reverendo Martin Luther King Jr. por diversas vezes, incluindo durante a marcha de Selma a Montgomery, no Alabama, em 1965, e em manifestações de apoio aos trabalhadores de limpeza urbana em greve em Memphis, Tennessee, em 1968, na semana anterior ao assassinato de King.

Thornell tinha regressado à sua base em Nova Orleães antes do assassinato de King, mas foi posteriormente enviado para Atlanta, onde fotografou a família de King a ver o corpo na Capela das Irmãs do Spelman College.

Anos mais tarde, em 1977, o assassino de King, James Earl Ray, fugiu de uma prisão no Tennessee. Thornell estava presente quando Ray, enlameado e abatido, foi recapturado.

Thornell nasceu e cresceu em Vicksburg, no Mississipi. A sua carreira como fotógrafo talvez não tivesse acontecido não fosse um contratempo militar enquanto servia no Exército no final da década de 1950, de acordo com um relato de 1967 na revista corporativa AP World.

“O Exército dos EUA tinha decidido que ele seria técnico de rádio. Mas, em Fort Monmouth, o seu nome foi confundido com o de um aficionado da fotografia que queria frequentar uma escola de fotografia. Assim, Thornell, que não sabia a diferença entre abertura e focagem, fez o curso rápido de fotografia enquanto o aficionado da fotografia aprendia a reparar rádios”, pode ler-se.

Depois de deixar o Exército, Thornell conseguiu um emprego no jornal Jackson Daily News, do Mississipi, antes de ser contratado pela AP em Nova Orleães.

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