O Departamento de Justiça norte-americano arquivou a investigação criminal que tinha aberto a Jerome Powell, ainda presidente da Reserva Federal. O encerrar deste processo abre a porta à confirmação no Congresso do sucessor, Kevin Warsh, que esta semana foi ouvido.
“Dei ordens ao meu gabinete para encerrar a nossa investigação”, anunciou a procuradora em Washington DC na rede X, Jeanine Pirro, explicando que o fez enquanto espera que o Inspetor-Geral da Reserva Federal, órgão de fiscalização interno, avalie os “custos excessivos de construção” na sede do banco central norte-americano.
Um juiz federal já tinha anulado ações do Departamento de Justiça a determinar que a Fed disponibilizasse um conjunto de documentos sobre a sede, considerando as intimações contra Powell eram impróprias e não havia “praticamente nenhuma evidência” de irregularidades criminais, o que já tinha colocado em risco a investigação de Pirro.
Diz a procuradora que vai aguardar esta investigação interna, salientando que o inspetor-geral tem autoridade para responsabilizar a Reserva Federal perante os contribuintes americanos, mas acrescenta que não hesitará em reabrir a investigação criminal perante outros factos. Acredita que o relatório “completo”, a ser concluído em breve, “ajudará a resolver, de uma vez por todas, as questões que levaram este escritório a emitir intimações”.
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A intimação do Departamento de Justiça, em janeiro deste ano, seguiu-se a acusações por Donald Trump de que o banco central estava a exceder o orçamento para as obras na sede, insinuando que poderia haver fraude. Trump falava de um custo total de 3,1 mil milhões de dólares (2,66 mil milhões de euros) face aos custos anunciados pela Fed e que já vinham num crescendo. Esta investigação do Departamento de Justiça, no limite, poderia levar à destituição do presidente do banco central, cujo mandato termina em maio.
Os ataques a Powell sucedem-se desde que Trump assumiu o seu mandato presidencial. O nome do seu sucessor já é conhecido, uma escolha do Presidente dos Estados Unidos. Kevin Warsh, embora se tenha alinhado com o Presidente nas críticas a Powell, tem sido apontado como alguém que pensa pela própria cabeça e que dá mais garantias de que a Fed irá manter uma distância saudável em relação aos desígnios da Casa Branca. Só que a sua confirmação no Congresso ficou “pendurada” à espera da investigação do Departamento de Justiça que, agora, cai e, por isso, estende a passadeira a essa decisão.
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Ainda assim, na audição que esta semana teve no comité dos serviços financeiros no Senado, e na análise do Commerzbank, Kevin Warsh não terá conseguido dissipar dúvidas sobre a sua independência, ainda que tenha garantido aos senadores que não prometeu ao Presidente norte-americano qualquer corte nas taxas de juro. Warsh tem de conseguir uma votação maioritária nesse comité — onde os republicanos tem 13 dos 24 lugares — para depois o seu nome ser confirmado pelo Senado. Nesse comité o republicano Thom Tillis recusou votar a favor de Warsh enquanto a Administração Trump não pusesse fim à investigação criminal a Powell, apesar de se ter referido a Warsh como “o candidato perfeito”. O senador ainda sugeriu, como forma de avançar, a realização de uma investigação pelo próprio Congresso.