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Brasileiras são "raça maldita", afirma enviado especial para assuntos globais de Donald Trump

Paolo Zampolli considera que “mulheres brasileiras são programadas para criar confusão”. Foi acusado de ter contactado o ICE no âmbito de um processo que culminou na deportação da ex-mulher.

Larissa Faria
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Margarida Vieira dos Santos
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As declarações polémicas aconteceram durante uma entrevista à emissora de rádio italiana RAI: Paolo Zampolli, enviado especial para parcerias globais de Donald Trump, afirmou que “mulheres brasileiras são programadas” para causar confusão. Em referência à sua ex-mulher, a ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, com quem foi casado cerca de 20 anos, o conselheiro do Presidente dos Estados Unidos acrescentou ainda que considera as mulheres brasileiras uma “raça maldita”.

“As mulheres brasileiras criam confusão com toda a gente, não é? Não foi a primeira vez”, afirmou Zampolli durante a entrevista, segundo o G1. Questionado se se trataria de uma questão genética, terá respondido que, no seu entender, “as mulheres brasileiras são programadas”. Confrontado pelo jornalista, que perguntou em seguida se seria para “extorquir”, o representante norte-americano esclareceu: “Para causar confusão”.

Mais tarde, o jornalista questionou o conselheiro do Presidente dos Estados Unidos sobre uma amiga da sua ex-mulher, Amanda Ungaro, que apelidou de “Lídia”, relata o portal de notícias da Globo. “É uma dessas p**** brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais. Aquela vaca, estávamos juntos, trepava com ela, depois ela também ficou louca”, afirmou Zampolli.

Paolo Zampolli mantém uma relação com Donald Trump há várias décadas. Segundo o The Times, o empresário ítalo-americano e antigo agente de modelos afirma ter apresentado o Presidente norte-americano à sua atual mulher, Melania Trump, em 1998.

Em março deste ano, o The New York Times relatou que o enviado especial para assuntos globais “pediu um favor ao governo”. Ao tomar conhecimento de que a sua ex-mulher estava detida em Miami, na sequência de acusações de fraude profissional, Zampolli aproveitou para tentar obter a guarda exclusiva do filho que ambos têm em comum.

Segundo registos obtidos e uma fonte ao jornal norte-americano, o antigo agente de modelos informou David Venturella, um funcionário do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), de que a sua ex-mulher estaria em situação irregular nos Estados Unidos. Em resposta, Venturella contactou um escritório ICE em Miami, para garantir que os agentes iam buscar Amanda Ungaro à prisão, antes que fosse libertada sob fiança e sublinhou que o caso era importante para alguém próximo da Casa Branca.

Amanda Ungaro foi colocada sob custódia do ICE, acabando mesmo por ser deportada do país. Entretanto, já n Brasil, a ex-modelo revelou ao New York Times que acredita que a influência de Zampolli foi determinante na sua deportação. Disse ainda que, durante o relacionamento, o enviado especial lhe teria garantido estabilidade no seu estatuto migratório.

Em entrevista a um jornal norte-americano, Paolo Zampolli negou ter pedido qualquer “favor” ao ICE para deter ou deportar a sua ex-mulher, ou ter solicitado qualquer outra intervenção nesse sentido. Afirmou ainda que apenas pediu a David Venturella que lhe explicasse o que estava a acontecer no caso dela.

Entretanto, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, que supervisiona o ICE, afirmou que Amanda Ungaro foi detida e deportada porque o seu visto caducou e porque tinha sido acusada de fraude. “Qualquer sugestão de que foi presa e deportada por motivos políticos ou para obter favores é falsa”, refere o comunicado, citado pelo G1.

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