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CAP "não está disponível para reabrir pontos já fechados" da reforma laboral

A confederação dos agricultores critica a falta de "boa-fé e de boa-vontade" da UGT nas negociações do pacote laboral e rejeita analisar propostas que considera já fechadas.

Ana Sanlez
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O que está fechado, fechado está. A confederação dos agricultores, um dos parceiros sociais que voltará à mesa da concertação social no próximo dia 07 de maio, recusa-se a apreciar medidas que já foram dadas como tratadas no âmbito das negociações do pacote laboral.

Numa nota enviada esta sexta-feira, um dia depois de a UGT ter dado a conhecer o seu chumbo à versão mais recente do pacote laboral, e de a ministra do Trabalho ter remetido para 7 de maio a reunião final com os parceiros, a CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal) reagiu com críticas à central sindical e afirma “de forma claríssima que não está disponível para reabrir pontos já fechados”. A confederação “informa que analisará, exclusivamente, propostas que não tenham ainda sido apresentadas” entre esta sexta-feira e o próximo dia 07 de maio.

Num tom muito crítico para a UGT, a confederação presidida por Álvaro Mendonça e Moura começa por referir que “desde o início do processo” defendeu “que se procurassem linhas verdes entre todos os participantes em vez de se definirem linhas vermelhas”. E afirma que todas as confederações patronais “cederam múltiplas vezes às posições e propostas da UGT”. Uma “atitude de boa-fé e de boa-vontade negociais” que “nunca mereceram reciprocidade”, na visão da confederação. “A CAP, até prova efetiva em contrário, entende aquela declaração de disponibilidade para negociar como uma mera proclamação vazia de intenção“.

A confederação dos agricultores diz que estará presente na reunião de concertação social, marcada para depois do 25 de Abril e do 1º de Maio, “e que nela participará com a mesma atitude colaborativa e construtiva de sempre. Mas a CAP manifesta de forma claríssima que não está disponível para reabrir pontos já fechados”.

Para a CAP passou o tempo de negociar, sendo agora o tempo de “decidir” e de “todos assumirem responsabilidades”. A 07 de maio o processo ficará, previsivelmente, fechado em sede de concertação social antes de seguir para o parlamento, onde se vai abrir “um novo ciclo”. A CAP diz ainda que “participará nessa próxima sede de discussão com o mesmo empenho e foco com que desde a primeira hora participou no processo de revisão da legislação laboral”.

À saída da reunião que teve com o Presidente da República esta semana para discutir esta e outras matérias, Álvaro Mendonça e Moura defendeu que, para a CAP, o último documento negociado “é equilibrado” após “mais de 200 horas de discussão”. “A nosso ver é um documento que está largamente consensualizado e que não vejo que possa trazer algumas dificuldades para os sindicatos”, afirmou. O presidente da CAP já tinha tinha realçado também, sobre a hipótese de mais negociações, que não vê “mais vantagem em adicionarmos outras 200 horas” à discussão.

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