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(A) :: Pentágono faz lista de punições para aliados que não apoiaram guerra e quer suspensão de Espanha. Sánchez reage: país é "parceiro leal"

Pentágono faz lista de punições para aliados que não apoiaram guerra e quer suspensão de Espanha. Sánchez reage: país é "parceiro leal"

Entre as punições que surgem num email interno do Pentágono é sugerida a suspensão de países "difíceis" da NATO, como Espanha. Sánchez desvaloriza e diz só trabalhar "com base em documentos oficiais".

Mariana Marques Tiago
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Acompanhe aqui o artigo em direto sobre os conflitos no Médio Oriente

Um email interno do Pentágono foi divulgado esta sexta-feira por um funcionário da Casa Branca. Nesse documento, avança a agência Reuters, são elencadas algumas opções a que os EUA podem recorrer para punirem os aliados da NATO que não apoiaram a operação militar contra o Irão, como é o caso de Espanha. Contudo, o tratado fundador desta aliança não prevê a suspensão ou expulsão de qualquer membro. O líder espanhol Pedro Sánchez reagiu pouco tempo depois de o email ser conhecido, frisando que o seu país é um “parceiro leal” da NATO. Seguiu-se o gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido, que recusou quaisquer pressões. E também o primeiro-ministro português.

Na lista que consta do documento divulgado surge, por exemplo, a opção de suspender países “difíceis” da NATO. É o caso de Espanha, que já disse “rejeitar” este conflito. Desde o início da guerra, Pedro Sánchez tem sido bastante vocal na oposição a esta operação militar, algo que desagradou a Donald Trump.

“Repudiamos o regime do Irão, que reprime, que mata vilmente os seus cidadãos, em especial as mulheres, mas ao mesmo tempo também rejeitamos o conflito e pedimos uma solução diplomática e política”, disse no início do mês passado. E acrescentou ser “ingénuo acreditar que as democracias e o respeito entre nações brotam das ruínas”.

Para Sánchez, a posição espanhola “não é ingénua, é coerente”: “Não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo e contrário aos nossos interesses simplesmente por medo de represálias de alguém”, afirmou à época já em resposta a Donald Trump, que tinha criticado a posição de Espanha e, inclusivamente, ameaçou cortar todo o comércio com o país.

https://observador.pt/2026/03/04/pedro-sanchez-reitera-oposicao-a-ataques-no-medio-oriente-e-diz-nao-ter-medo-de-represalias/

Neste alegado email divulgado esta sexta-feira surge também como opção a revisão da posição americana sobre a reivindicação britânica das Ilhas Malvinas, um arquipélago na costa da América do Sul, ocupadas pelo Reino Unido. Este cenário levou a que o gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reagisse, garantindo que não vai ceder à pressão que os EUA estão a fazer.

“Não podíamos ser mais claros sobre a posição do Reino Unido em relação às Ilhas Malvinas. Ela é de longa data e permanece inalterada. A soberania pertence ao Reino Unido e o direito das ilhas à autodeterminação é primordial. Essa tem sido a nossa posição constante e continuará a sê-lo”, disse o porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer à agência Reuters.

De acordo com a agência Reuters, estas opções de punição surgem num email no qual está também expressa alguma frustração com o facto de alguns países da NATO terem negado o acesso das tropas norte-americanas a bases militares. Segundo a fonte da Casa Branca ouvida pela Reuters, no email interno não consta como opção fechar bases militares na Europa, nem a saída dos EUA da NATO.

Espanha está “a cumprir responsabilidades” e Portugal não comenta

Poucas horas depois de ser divulgado o conteúdo deste email interno, o primeiro-ministro espanhol reagiu a esta possível punição por parte dos EUA. Foi o primeiro líder a fazê-lo. Falando à margem da cimeira da União Europeia que decorre no Chipre acerca deste conflito, Pedro Sánchez afirmou que Espanha é um “parceiro leal” da NATO.

“Não trabalhamos com base em emails, trabalhamos com base em documentos oficiais e nas posições assumidas pelo governo dos EUA, neste caso. A posição do Governo espanhol é clara: cooperação absoluta com os aliados, mas sempre dentro da estrutura do direito internacional”, disse. E afirmou ainda que Espanha está “a cumprir as suas responsabilidades com total segurança, como um bom aliado da NATO”.

Sánchez destacou ainda que Espanha é capaz de cumprir as suas obrigações na Defesa, dedicando a esta área 2,1% do seu PIB, pelo que está a cumprir as suas “responsabilidades”. Nesse sentido, o líder espanhol sente-se “absolutamente confiante” com o papel que tem desempenhado.

Já o primeiro-ministro português foi o líder com a intervenção mais curta. Luís Montenegro, que também marca presença na cimeira da UE no Chipre, foi confrontado com esta alegada intenção dos EUA e, quando pediram uma reação, o governante limitou-se a dizer: “No comments” (“sem comentários”, em português).

NATO diz que Estado-membro só sai da aliança por vontade própria

O Pentágono foi também confrontado com este alegado email, sendo que a secretário de Imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, não só não o negou como começou por salientar: “Como disse o presidente Trump, apesar de tudo o que os Estados Unidos fizeram pelos nossos aliados da NATO, eles não estiveram lá para nós”, escreve a RTP.

E depois acrescentou: “O Departamento de Guerra irá assegurar que o Presidente tem opções viáveis para assegurar que os nossos aliados fazem a sua parte. Não temos mais comentários a fazer sobre quaisquer deliberações internas nesse sentido.”

Ao final da manhã, a NATO esclarecia que o seu tratado fundador, o Tratado de Washington,  “não contém quaisquer disposições relativas à suspensão da adesão à NATO, à expulsão ou à participação limitada” de um Estado-membro, afirmou um porta-voz da organização militar citado pela agência de notícias Europa Press.

Segundo este porta-voz, a única forma de um Estado-membro abandonar a Aliança Atlântica é por sua própria vontade, conforme estipulado no artigo 13.º do Tratado de Washington, que refere que “qualquer parte pode deixar de ser parte” um ano após “notificar o Governo dos Estados Unidos da sua retirada”.

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Notícia atualizada às 12h53 com reação de Luís Montenegro, do gabinete de Keir Starmer e da NATO