Tiago Antunes, antigo secretário do executivo de António Costa, diz ter sido “vítima de cancelamento” depois de o seu nome não ter sido aprovado na primeira eleição para provedor de Justiça no passado dia 16 de abril. A denúncia foi feita numa coluna de opinião publicada esta quinta-feira no semanário Expresso.
O “académico e professor universitário” começa por ressalvar a longa carreira no ensino, carreira que estava reticente em abandonar para ser sujeito a uma votação para ocupar o cargo de provedor. “Por isso, desde cedo expliquei, a ambos esses lados, que apenas estaria disposto a interromper a minha carreira académica se o meu nome fosse consensual para o exercício de funções como provedor”, explica no texto. “Esse acordo existiu e foi firmado, há cerca de nove meses, diretamente entre os líderes do PS e do PSD. Infelizmente, não foi honrado“, critica. Por esse motivo, não se irá sujeitar a uma segunda votação.
https://observador.pt/2026/04/16/tiago-antunes-falha-eleicao-para-provedor-da-justica/
Contudo, o facto de o acordo não ter sido “honrado” não é, para Tiago Antunes, a “pior” parte do processo. Essa classificação fica reservada para o inquérito a que foi submetido no Parlamento, onde diz ter sido “alvo de uma campanha vil, assente em falsidades e absolutamente descabida”, em que foi caracterizado como “um perigoso socratista“. “Fui vítima de cancelamento por, há duas décadas, ter tido um papel menor num gabinete governamental, desconsiderando-se ou mesmo omitindo-se o meu contributo político e cívico posterior, o meu percurso académico e a minha visão para a Provedoria de Justiça”, elabora. A campanha, escreve, “é apenas risível“.
O artigo continua com um destaque para Mário Raposo, Menéres Pimentel e Nascimento Rodrigues, que diz serem exemplos de como a ligação partidária — foram militantes, deputados e integraram executivos do PSD — não impede o desempenho exemplar das funções enquanto provedor de Justiça.
https://observador.pt/2026/04/15/eleicao-de-tiago-antunes-como-novo-provedor-de-justica-em-risco/
O ex-secretário de Estado remata o artigo expressando as suas “dúvidas” que os cargos públicos possam continuar a ser ocupados por “pessoas qualificadas”. “Os deputados desrespeitam acordos, brincam com o bom-nome das pessoas e alimentam campanhas persecutórias absolutamente infundadas e ridículas. Assim, não contem comigo“, conclui.
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