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(A) :: Fact Check. Homem “islâmico” e apoiante do Irão foi responsável pela explosão de bomba no Rio de Janeiro?

Fact Check. Homem “islâmico” e apoiante do Irão foi responsável pela explosão de bomba no Rio de Janeiro?

Publicações alegam que cedência de base militar brasileira aos EUA (usada depois nos ataques contra o Irão) motivou um atentado no Rio de Janeiro. Mas as duas alegações são falsas.

Tiago Caeiro
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A frase

“COMEÇOU atentados terroristas no BRASIL! […] Inicialmente a polícia suspeitou de um ataque por facções criminosas, mas essa opção acaba de ser descartada após a prisão de um suspeito de origem islâmica que apoia o Irão !!”

— Utilizador de Facebook, 23 de março de 2026

Publicações que circulam nas redes sociais, nomeadamente no Facebook, alegam que a explosão de uma bomba na ilha do Governador, no Rio de Janeiro, em março, e que provocou várias feridos, foi levada a cabo por um homem “islâmico” e apoiante do Irão no atual conflito no Médio Oriente. “COMEÇOU atentados terroristas no BRASIL! […] Inicialmente a polícia suspeitou de um ataque por facções criminosas, mas essa opção acaba de ser descartada após a prisão de um suspeito de origem islâmica que apoia o Irão !!”, diz uma das publicações, acrescentando que a alegada cedência de uma base militar brasileira aos EUA — que terá sido usada como plataforma de reabastecimento dos aviões de guerra norte-americanos — poderá ter motivado o ataque.

“O Brasil cedeu a base militar de Anápolis a Trump para logística de abastecimento de aeronaves militares para a guerra contra o Irã !!! O ataque pode ter sido uma retaliação do Irã pelo Brasil ter apoiado os EUA ????????! Se isso for real, novos ataques terroristas no BRASIL estão na iminência de ocorrer!!”, avisa a publicação.

A 20 de março de 2026, uma bomba explodiu numa paragem de autocarro na ilha do Governador, no Rio de Janeiro, a maior ilha da Baía de Guanabara, onde vivem mais de 200 mil pessoas. Em resultado da explosão, oito pessoas ficaram feridas, duas delas em estado grave. Segundo a imprensa brasileira, as vítimas foram assistidas e acionado o departamento antimbombas da Polícia Militar.

Segundo a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, uma bomba artesanal feita com pólvora e outros materiais (designada como calíca) acabou por explodir, após ter sido manuseada por um motorista de autocarro. O caso está a ser investigado pelas autoridades, que já ouviram várias testemunhas.

No entanto, a Polícia Civil do Rio de Janeiro nega que a explosão se trate de um atentado e rejeita que tenha sido detido um “homem islâmico”. Ao jornal Estadão ou à agência AFP, a polícia refere que e “não procede a informação sobre prisão de ‘homem islâmico’ ou sobre um ‘atentado terrorista na Ilha do Governador’” e que “não tem ninguém preso pela ocorrência” em causa.

Já quanto à outra alegação feita no vídeo, de que o governo brasileiro cedera uma base militar no estado de Goiás aos EUA (usada na guerra contra o Irão), não existe qualquer informação oficial nem notícias publicadas nesse sentido. Aliás, não só o governo brasileiro já demonstrou a sua oposição à guerra no Médio Oriente como é conhecida a relação distante entre o atual governo brasileiro, liderado por Lula da Silva, e a administração Trump.

Conclusão

É falso que a explosão de uma bomba na ilha do Governador, no Rio de Janeiro, se tenha tratado de um ato terrorista e que o autor tenha sido identificado como um “homem islâmico”. As duas alegações, que estão a ser difundidas nas redes sociais, foram desmentidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.