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Fact Check. Fotografia captada pela Artemis II mostra lado oculto da Lua?

Publicações sugerem que imagem da Bacia Oriental da Lua foi captada pela missão Artemis II, da NASA. Mas a imagem é falsa e foi gerada com recurso a Inteligência Artificial.

Tiago Caeiro
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A frase

“Artemis II da NASA mostra toda a bacia. Pela primeira vez na história, a misteriosa bacia oriental foi completamente fotografada. Graças a Artemis II, a humanidade agora vê a Lua com um detalhe sem precedentes, lembrando-nos das infinitas maravilhas que estão além da Terra”

— Utilizador do Facebook, 07 de abril de 2026

A primeira viagem tripulada à Lua num período de 50 anos foi seguida ao detalhe um pouco por todo o mundo, com as imagens captadas pela missão Artemis II a serem insistentemente partilhadas. Nas redes sociais, várias publicações estão a difundir uma foto que alegadamente terá sido tirada pela missão da NASA e que mostrará o lado oculto do satélite natural da Terra. “Artemis II da NASA mostra toda a bacia. Pela primeira vez na história, a misteriosa bacia oriental foi completamente fotografada. Graças a Artemis II, a humanidade agora vê a Lua com um detalhe sem precedentes, lembrando-nos das infinitas maravilhas que estão além da Terra”, lê-se numa das publicações.

Na imagem pode ver-se uma cratera de grandes dimensões observada do que aparenta ser uma nave espacial.

A 1 de abril, a NASA lançou a missão Artemis II, tripulada por quatro astronautas (três norte-americanos e um canadiano), para uma viagem de 10 dias, que incluía uma passagem pela órbita da Lua. O objetivo? Fazer testes e preparar a próxima missão, a Artemis III, e, sobretudo, a Artemis IV, que, em 2028, deverá implicar uma aterragem lunar — algo que só aconteceu uma vez na história, em 1969.

Ao quarto dia da missão espacial, os astronautas revelaram já conseguir ver o lado oculto da Lua, algo que apenas os tripulantes de algumas missões Apollo tinham conseguido ver até aos dias de hoje, embora apenas parcialmente.  “O lado escuro da Lua é algo que nunca tínhamos visto“, disse a astronauta norte-americana Christina Koch, numa entrevista à NBC, a partir do espaço.

https://observador.pt/2026/04/16/fomos-amigos-e-voltamos-melhores-amigos-astronautas-da-artemis-ii-descrevem-missao-historica-que-dedicam-a-toda-a-humanidade/

As zonas do lado oculto da Lua não são visíveis da Terra porque essa parte da Lua está sempre voltada para o lado oposto ao nosso planeta. Nem mesmo os astronautas da Apollo conseguiram observar grande parte do lado oculto da Lua devido às trajetórias das missões.

No lado oculto da Lua, um dos pontos de maior interesse para os astrónomos é a chamada Bacia Oriental da Lua, uma cratera de cerca de 965 quilómetros quadrados de largura, que se estende da face visível até à face oculta da Lua — razão pela qual só parcialmente visível a partir da Terra.

A 7 de abril, a NASA divulgou imagens do lado oculto da Lua captadas pela Artemis II. Uma delas mostra a Terra no horizonte, com parte do globo ainda às escuras. Outra fotografia revela um eclipse completo do Sol. Outra mostra as crateras resultantes do impacto de asteróides na superfície lunar.

https://twitter.com/NASA/status/2041557036274475228

No entanto, nenhuma das fotografias mostra a Bacia Oriental. A imagem difundida nas redes sociais não consta do grupo de imagens partilhadas pela NASA nem na publicação do dia 7 de abril nem em nenhuma das outras publicações da agência especial norte-americana feitas durante a missão. A imagem em causa foi, aliás, gerada com recurso a Inteligência Artificial como mostram vários sites de verificação de conteúdos produzidos com IA, como o SightEngine, que apenas para uma probabilidade de 99% de a foto ter sido gerado por IA.

Conclusão

É falso que a fotografia difundida nas redes sociais, e que alegadamente mostra a Bacia Oriental da Lua, tenha sido captada pela missão Artemis II da NASA. A imagem em causa foi gerada com recurso a IA, como mostram os sites de deteção deste tipo de conteúdos produzidos artificialmente.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.