Péter Magyar ainda não tomou posse e já procura projetar a presença da Hungria em Bruxelas. O primeiro-ministro eleito da Hungria propôs criar uma aliança informal com a Eslováquia, a República Checa, a Áustria e a Polónia, que partilham semelhanças políticas, culturais e económicas, para impulsionar a sua capacidade de influenciar a agenda da União Europeia, noticia o Politico.
A proposta foi feita durante durante uma conferência de imprensa no início do mês, em que sugeriu juntar duas alianças informais que já existem: o Grupo de Visegrado, que junta a Hungria, a Polónia, a República Checa e a Eslováquia, e o formato Slavkov que junta a Áustria, a República Checa e a Eslováquia. “Acho que isto é do interesse de todos os países, incluindo a Áustria e a Hungria, por isso espero que possamos fazer progressos”, afirmou Péter Magyar.
O plano de Budapeste traduz-se no destino das primeiras viagens oficiais que Magyar irá fazer depois de tomar posse no dia 9 de maio: a Varsóvia e a Viena. A visita do novo líder húngaro é aguardada na Áustria, que Magyar classificou no seu discurso de vitória como “um parceiro económico chave da Hungria”. “Somos todos Estados mais ou menos do mesmo tamanho e com interesses semelhantes e, juntos, seríamos mais relevantes em termos de capacidade de voto”, concordou um diplomata austríaco, sob anonimato, ao Politico.
Na viagem, é esperado que o primeiro-ministro húngaro e o chanceler austríaco continuem discussões que já foram feitas à margem da Cimeira de Segurança de Munique, em fevereiro, sobre o aprofundamento da relação económica, um plano de ação para as migrações e ainda a questão da Central European University, fundada em Budapeste, mas obrigada a deslocar a sua sede e a maior parte dos seus cursos para Viena depois das ações de Viktor Orbán contra a instituição. Ambas as partes salientam a relação profunda dos dois Estados do Império austro-húngaro.
Já a visita à Polónia, avizinha-se mais complicada. Não só foi a Polónia que recusou uma proposta de cooperação semelhante feita no início do século XX pela Áustria, como a posição de Varsóvia na política externa é muito diferente dos restantes parceiros da região. A Polónia tem uma posição muito mais próxima da Ucrânia, tendo desenvolvido a sua indústria de Defesa à medida que a guerra se prolongou, e muito mais crítica da Rússia, recusando, ao contrário dos outros países, uma relação económica pragmática com Moscovo.
[Um beijo no primeiro encontro e três viagens em menos de três meses. Ao 85.º dia de relação, o aspirante a modelo matou o cronista social. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]
