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(A) :: Saab admite alargar produção de novos aviões de combate a Portugal. “Não excluiria a hipótese”, diz vice-presidente da empresa

Saab admite alargar produção de novos aviões de combate a Portugal. “Não excluiria a hipótese”, diz vice-presidente da empresa

Empresa quer entrar na discussão sobre os aviões que a Força Aérea vai comprar para substituir os F-16. E já está em negociações para instalar novos sistemas de mísseis em fragatas da Marinha.

Pedro Raínho
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O vice-presidente da Saab, e responsável pelo programa de desenvolvimento do Gripen, admite que parte do processo de montagem dos aviões de combate Gripen E/F possa ser feita em Portugal. Num encontro com jornalistas portugueses na base aérea de Linköping, Daniel Boestad referiu que “a procura [por estes modelos] é grande” e “não excluiria a hipótese” de uma das fases finais da montagem da estrutura destes equipamentos ser feita em território nacional.

É esperado que, ainda durante este ano, o Ministério da Defesa Nacional entregue no Parlamento a proposta para a nova versão da Lei de Programação Militar, um documento em que ficam inscritos os investimentos em equipamento — os mais pesados do ponto de vista financeiro — para os vários ramos ao longo dos próximos anos. Em março, foi já aprovada a diretiva que lançou esse processo e que levou à criação de um grupo de trabalho para preparar o anteprojeto. A expectativa de deputados da Comissão de Defesa, na Assembleia da República, ouvidos pelo Observador é a de que a proposta demore pelo menos seis meses até estar concluída.

A seguir, o Ministério da Defesa Nacional deverá começar formalmente o processo de avaliação do modelo de aviões de combate que vai substituir os atuais F-16 que a Força Aérea opera a partir da Base Aérea de Monte Real, em Leiria. É nesse processo que a Saab quer entrar — em particular, com a venda do Gripen E/F.

A favor da empresa, a Saab considera que tem alguns argumentos fortes. “Estudámos os nossos concorrentes e percebemos em que tínhamos de apostar: performance de combate, capacidades múltiplas, resistência a climas extremos, manutenção eficiente no terreno, destacamento rápido, custo eficiente ao longo do ciclo de vida”, resume Johan Segertoft, responsável pelo programa de Desenvolvimento do Gripen.

A Saab não revela o custo unitário de cada Gripen. Mas vários responsáveis da empresa sublinham a ideia de que o custo de operação e manutenção deste modelo ao longo da vida útil é “um terço do custo que os nossos concorrentes apresentam”.

A empresa já está a trabalhar de perto com algumas empresas em Portugal no desenvolvimento do software utilizado por estes aparelhos. Um exemplo é a forma como a Critical Software já está envolvida na criação de um simulador que os pilotos do Gripen usam para treinos em cenário virtual. Aquilo que Daniel Boestad admite agora é a possibilidade de a fase de produção física destes sistemas ser alargada a empresas nacionais.

Mas a Saab não é a única interessada no negócio. Além da empresa sueca, entre os fabricantes mais referidos estão a norte-americana Lockheed Martin — que fabricou os F-16 que Portugal já usa e que tem promovido o mais avançado F-35 — e a europeia Airbus — com o Eurofighter.

O atual contexto geopolítico tem, a este respeito, um peso significativo, ainda que não seja determinante para a escolha final. Ao Observador, uma fonte bem posicionada do Ministério da Defesa admite que a avaliação das “capacidades” que o país venha a adquirir para substituir os atuais F-16 se baseará numa “preferência” de partida por empresas europeias. Em equipamentos equivalentes, diz a mesma fonte, a opção tenderá a recair sobre os “players” europeus.

Fragatas Vasco da Gama equipadas com sistema de míssil sueco

Mas a Saab não está apenas a tentar reforçar a posição no processo para a substituição dos F-16. John Belanger, responsável pelo desenvolvimento do sistema de mísseis RBS15 da empresa sueca, assume que a Saab já está em negociações com a Marinha portuguesa para a integração destes sistemas de armas nas fragatas Vasco da Gama.

O sistema incorpora tecnologia sueca e engenharia alemã, tem um alcance superior a 300km e um peso de mais de 200 kg. Mas é a capacidade de provocar danos em infraestruturas como navios inimigos ou edifícios que mais se destaca na apresentação em vídeo que John Belanger apresentou no encontro com jornalistas portugueses.

As fragatas Vasco da Gama vão ser submetidas a uma atualização (a chamada Mid Life Upgrade) que deverá estar concluída entre 2028 e 2029, segundo avançou em fevereiro o ramo.

É nesse contexto que poderão vir a ser instalados os sistemas para a utilização dos mísseis RBS15.

O jornalista viajou para a Suécia a convite da Saab

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