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Presidente russo vai manter cortes na internet apesar de críticas generalizadas no país

Presidente russo defendeu restrições à internet para prevenir ataques terroristas, mas rejeitou avisos prévios à população. Medidas custam caro à economia e à popularidade do Kremlin.

Agência Lusa
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O Presidente russo defendeu, esta quinta-feira, a existência de restrições à internet móvel nas grandes cidades do país, alegando preocupações de segurança, apesar das críticas generalizadas às medidas.

“É claro (que defendo] quando estes [cortes] se devem a operações para prevenir ataques terroristas — e sabemos que, infelizmente, alguns escapam por vezes”, afirmou Vladimir Putin durante uma reunião do Governo transmitida em direto pela televisão. “Garantir a segurança das pessoas será sempre uma prioridade”, alegou.

Numa das poucas declarações públicas sobre o assunto, Putin reconheceu “alguns problemas” com o serviço de internet em cidades como Moscovo e São Petersburgo e pediu o desenvolvimento de um “mecanismo para garantir o funcionamento ininterrupto dos serviços essenciais”.

O líder russo referia-se especificamente aos sistemas de pagamento, à marcação de consultas médicas e ao acesso ao Gouslugi, o sistema digital de serviços públicos.

No entanto, Putin rejeitou a possibilidade de os cortes na internet serem precedidos de um aviso à população.

“Informar o público com antecedência pode dificultar o trabalho operacional” da polícia, uma vez que “os criminosos também ouvem e veem tudo”, argumentou.

“Se receberem qualquer tipo de informação, vão modificar o comportamento e os planos criminosos”, insistiu Putin.

Ainda assim, o Presidente da Rússia considerou que “as pessoas devem ser informadas sobre o que acontece após a conclusão da operação” e, nesse sentido, pediu às forças de segurança que “mostrem imaginação” para encontrar um meio de comunicação fiável junto das autoridades civis.

Embora o Kremlin (presidência russa) e as autoridades tenham insistido que a razão para os cortes da internet seja a segurança, a maioria dos russos não acredita nas escassas explicações oficiais, até porque, em algumas regiões, as interrupções já duram há um ano.

Para os analistas, as forças de segurança cometeram um grave erro, que provocou a maior queda nas taxas de aprovação do Presidente desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.

Segundo a imprensa independente e oficial, todos, desde a administração presidencial aos membros do parlamento, passando por líderes empresariais, ‘bloggers’ e militares, estão descontentes com a lentidão da internet, que tem custado caro à economia russo.

Todos os partidos políticos criticaram estas medidas, que incluem o bloqueio de plataformas de redes sociais como o Telegram a qualquer recetor com exceção do Rússia Unida — o partido do Kremlin — que, segundo as sondagens, tem agora menos de 30% das intenções de voto a cinco meses das eleições legislativas.

Nas últimas semanas, algumas figuras leais ao Kremlin juntaram-se ao coro de críticas, como Victoria Bonya, uma conhecida ‘blogger’ radicada no Mónaco, cujas reportagens sobre os problemas da Rússia — de internet, a crise económica, os derrames de petróleo no mar Negro, as inundações no Cáucaso e o abate de gado na Sibéria — foram vistas por dezenas de milhões de pessoas.

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