106 dias e 23 jogos depois, Liam Rosenior deixou de ser treinador do Chelsea. Apresentado a 6 de janeiro como o substituto de Enzo Maresca, o inglês de 41 anos chegou a Inglaterra depois de ter levado o Estrasburgo às competições europeias e de ter terminado a fase de liga da Liga Conferência no primeiro lugar, o que lhe valeu a entrada direta nos oitavos de final da terceira competição europeia. O objetivo era “simples” e passava por recolocar os blues nos lugares cimeiros da Premier League. A expectativa era grande, até porque Rosenior foi contemplado com um contrato válido até… 2032. Contudo, o trajeto acabou ao fim de apenas três meses, nos quais o Chelsea venceu 11 dos 23 jogos, foi eliminado nos oitavos de final da Liga dos Campeões e nas meias-finais da Taça da Liga e está no oitavo lugar da Premier League. Nos últimos oito jogos, os londrinos perderam sete, só ganharam um e sofreram 19 golos.
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“Foi uma decisão difícil, mas necessária. Senti que não estava a conseguir contribuir da forma que esperava e que o melhor era seguir outro caminho. A minha prioridade é estar numa posição onde possa realmente fazer a diferença e ajudar a equipa a vencer”, disse ao The Debrief o treinador logo após a sua saída ter chegado ao conhecimento público. Na terça-feira, o Chelsea foi goleado em casa do Brighton (0-3), num resultado que acabou por ser a gota de água na relação entre a direção e o agora ex-técnico. Segundo a BBC, Rosenior começou por perder a confiança do plantel e, posteriormente, da direção do clube. Os jogadores terão ficado insatisfeitos com a mudança de ideias promovida pelo inglês, que deixou para trás alguns conceitos estabelecidos por Maresca.
No último fim de semana, o Manchester United foi a Stamford Bridge ganhar ao Chelsea pela margem mínima (0-1), sendo que um dos episódios que saltou à vista foi a substituição de Wesley Fofana por Trevoh Chalobah, aos 83 minutos. Quando se dirigia para o banco de suplentes, o central francês ignorou James Walker, adjunto de Rosenior, quando este o tentou cumprimentar. Em sentido inverso, os jogadores ingleses dos blues, como Chalobah, Cole Palmer ou o capitão Reece James, tinham uma relação bastante próxima com Liam, mas as lesões acabaram por deteriorar essa ligação, deixando o treinador sozinho no seio do balneário. Havia até quem apelidasse o treinador de “professor substituto”.
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Essa quebra na ligação entre Liam Rosenior e os jogadores acabou por traduzir-se na divulgação de informações privilegiadas do Chelsea, nomeadamente relativas às opções do treinador, algo que acabou por se tornar mais frequente nas últimas semanas, fosse através das redes sociais ou da imprensa inglesa. Nesse capítulo, o principal caso aconteceu quando o onze dos blues frente ao Chelsea, nas duas mãos dos oitavos de final da Champions, começou a circular na imprensa antes do previsto. Por outro lado, o momento insólito protagonizado pelos jogadores no jogo frente ao Newcastle, que realizaram a habitual roda em torno do árbitro Paul Tierney, também não foi bem vista pelo treinador.
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Outro tema que ganhou repercussões nas últimas semanas foi o afastamento de Enzo Fernández, que é um dos líderes do balneário inglês. Numa altura em que o futuro do ex-jogador do Benfica parece ser incerto, com o Real Madrid a posicionar-se como candidato a contratá-lo, Enzo utilizou uma livestream na plataforma Kick para comentar, ainda que indiretamente, o interesse dos merengues, referindo que gostava muito de viver em Madrid e que a capital espanhol era parecida com Buenos Aires. Depois do sucedido, Rosenior deixou o argentino de fora das suas opções durante dois jogos, admitindo que “houve um limite que foi ultrapassado”.
Já na terça-feira, na antecâmara do jogo com o Brighton, o barbeiro de Marc Cucurella terá sido a principal fonte de informação do adversário do Chelsea. O profissional resolveu partilhar uma fotografia na rede social X em que aparecia a cortar o cabelo do lateral. Contudo, pelo meio, acabou por revelar que “Palmer e João Pedro” estavam “lesionados”. “Este é o vosso exclusivo”, chegou a dizer. O que é certo é que, há noite, o inglês e o brasileiro não marcaram presença no duelo e a publicação foi apagada. Para além disso, o encontro ficou marcado pela contestação dos adeptos londrinos que estiveram no Falmer Stadium, onde entoaram diversos insultos dirigidos ao treinador que, na análise ao jogo, acusou alguns jogadores de não terem lutado pelo resultado.
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Com todos esses fatores em cima da mesa, a direção do Chelsea decidiu despedir Liam Rosenior e vai agora tentar salvar a temporada. O principal objetivo passa por estar nas competições europeias da próxima época, algo que não se prevê fácil, já que os blues estão no oitavo lugar da Premier League a um ponto do Bournemouth, que é a primeira equipa em zona europeia. A próxima partida do Chelsea no Campeonato, já com Calum McFarlane no comando técnico, vai ser frente ao Nottingham Forest, em casa, a 4 de maio. Seguem-se Liverpool (fora), Tottenham (casa) e Sunderland (fora). A estreia do antigo adjunto vai acontecer no domingo, na meia-final da Taça de Inglaterra, frente ao Leeds. Quem vencer vai defrontar Manchester City ou Southampton na final de Wembley.