Acompanhe o nosso artigo em direto sobre os conflitos internacionais
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, alertou que o Irão dispõe de urânio suficiente e capacidade técnica para produzir material para mais de dez armas nucleares em poucas semanas, embora sublinhe que Teerão ainda não possui uma bomba nuclear.
Em entrevista conjunta aos jornais argentinos Clarín e La Nación esta quarta-feira, Grossi afirmou que existem, no território iraniano, cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo do grau militar. “Em alguma semanas pode atingir os 90% de enriquecimento. Isso constitui um perigo de proliferação”, disse, acrescentando: “Não significa que o Irão tenha a bomba, mas tem um elemento importantíssimo para [fabricar] várias [armas nucleares]. Para mais de dez“.
O responsável da AIEA explicou que o material permanece armazenado em cilindros, em estado gasoso, numa instalação que foi alvo de bombardeamentos por parte dos Estados Unidos e de Israel em junho de 2025, mas que continua acessível. Segundo Grossi, apesar dos danos, a agência tem uma estimativa do impacto com base em análises técnicas.
Grossi confirmou, ainda, que mantém “contactos informais” com Washington e Teerão, no sentido de avaliar possíveis soluções para o impasse nuclear. Entre as hipóteses em discussão estão a exportação do material para um terceiro país ou a sua diluição, um processo conhecido como downblending, para reduzir o nível de enriquecimento e o potencial militar. Desvalorizou, também, qualquer hipótese de os Estados Unidos realizarem uma “operação especial” para remover o urânio, uma vez que “a manipulação deste material é extremamente complexa e contaminante“.
Sobre os riscos de uma possível utilização de uma arma nuclear, Grossi descartou um cenário semelhante ao desastre de Chernobyl, indicando que o material pode causar contaminação “a quem o manuseia”, mas não provocar uma catástrofe de grande escala.
Grossi é um dos candidatos a liderar as Nações Unidas. O argentino conta com o apoio do seu país-natal. Diplomata há mais de 40 anos, Grossi já foi embaixador da Argentina na Áustria, tendo-se especializado, durante as últimas três décadas, nos temas do controlo de armas e energia nuclear. Ocupou também o cargo de representante da Argentina em Genebra, a sede europeia da ONU.
https://observador.pt/2026/04/01/com-mandato-de-guterres-na-reta-final-corrida-ao-cargo-de-secretario-geral-da-onu-aquece-ha-quatro-candidatos/
Na carta onde explica a sua visão para a ONU, Grossi defendeu uma ONU renovada e orientada para apresentar resultados. “A relevância das Nações Unidas perdura, mas a sua eficácia deve ser renovada. É urgentemente necessária uma abordagem honesta e corajosa para alcançar uma Organização que seja relevante e impactante. O mundo não precisa de mais declarações”, assinalou o atual diretor-geral da AIEA, numa crítica velada ao mandato de António Guterres. O candidato argentino acrescentou que é necessário uma ONU “capaz de responder às exigências reais do nosso tempo, com imparcialidade e uma abordagem orientada para os resultados, fundamentada em factos”.
[Um beijo no primeiro encontro e três viagens em menos de três meses. Ao 85.º dia de relação, o aspirante a modelo matou o cronista social. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, o terceiro episódio e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio e aqui o segundo]
