O World Press Photo anuncia a Foto do Ano e os dois finalistas do Concurso World Press Photo de 2026, que premia o melhor do fotojornalismo e da fotografia documental do mundo.
“Por favor, compreendam que viemos para aqui em busca de uma oportunidade melhor, não apenas para nós, mas para os nossos filhos”. Esta fotografia foi captada no interior de um dos poucos edifícios federais dos Estados Unidos onde fotojornalistas tinham autorização para entrar, um único corredor onde Carol Guzy e outros jornalistas marcavam presença, dia após dia, para documentar o que ali acontecia.
https://observador.pt/2026/04/09/guerra-na-ucrania-incendios-em-los-angeles-e-a-acao-dos-ice-o-melhor-do-fotojornalismo-mundial-em-137-fotos-do-world-press-photo-de-2026/
A imagem regista um momento angustiante, como descreve a fotojornalista: uma família separada pelo Estado. Luis foi detido por agentes do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas (ICE) após uma audiência no tribunal de imigração da cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, a 26 de agosto de 2025. Luis, um imigrante equatoriano que, segundo a família, não tinha antecedentes criminais, era o único sustento do agregado familiar. A sua esposa, Cocha, e os seus três filhos, de sete, 13 e 15 anos, ficaram sozinhos, confrontados com dificuldades financeiras imediatas e um profundo trauma emocional, descreve a fotojornalista. Numa democracia, a presença da câmara naquele corredor constitui uma testemunha essencial de uma política que transformou tribunais em lugares de vidas destroçadas, diz Carol Guzy.
À organização do prémio, a fotojornalista Carol Guzy, vencedora do prémio World Press Photo do Ano em 2026 e distinguida também com o prémio Pulitzer em anos anteriores, afirmou que este prémio sublinha a “importância crucial desta história a nível global. Testemunhámos o sofrimento de inúmeras famílias, mas também a sua dignidade e resiliência, que transcendem a adversidade, o que tem sido profundamente comovente. A coragem de abrirem as suas vidas às nossas câmaras permitiu-nos contar as suas histórias. Este prémio pertence-lhes, não a mim”.
Em 2025, mudanças na política de imigração dos Estados Unidos transformaram os tribunais em pontos centrais dos esforços de deportação em massa conduzidos pelo Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas dos EUA (ICE). Agentes do ICE, muitas vezes com a cara tapada, detinham migrantes sem documentos imediatamente após as suas audiências, provocando frequentemente separações familiares profundamente traumáticas para toda as partes envolvidas. Estas táticas agressivas, aliadas às condições severamente sobrelotadas e insalubres do centro de detenção provisória no 10.º andar do Edifício Federal Jacob K. Javits, em Nova Iorque, desencadearam fortes protestos públicos, ações judiciais coletivas e a detenção de responsáveis políticos locais que exigiam responsabilização.
Esta imagem foi selecionada de um conjunto mais vasto de trabalhos de Guzy, “Prisões do ICE no Tribunal de Nova Iorque”, distinguido na categoria Histórias da região da América do Norte e Central.