
A frase
Piloto norte-americano que foi um dos responsáveis pela morte de 175 meninas iranianas em uma escola foi abatido por mísseis do Irāo
— Utilizador do Threads, 29 de março de 2026
O ataque aéreo a uma escola feminina iraniana em Minab, a 28 de fevereiro de 2026, que causou 156 vítimas foi um dos momentos mais marcantes da guerra no Irão. O assunto tem sido muito comentado nas redes sociais como prova da falta de humanidade no conflito dos Estados Unidos e de Israel, que foram acusados de serem os principais responsáveis.
https://observador.pt/factchecks/fact-check-irao-confirma-ter-bombardeado-por-engano-uma-escola-em-minab-onde-morreram-centenas-de-alunas/
Uma publicação alega agora que um dos pilotos norte-americanos que foi um dos responsáveis pelo ataque à escola feminina na cidade no sul do Irão foi morto após um ataque iraniano.
Surgindo acompanhada de uma fotografia do alegado piloto juntamente com a imagem de um caixão com a bandeira norte-americana, a publicação indica que o militar se chamaria Taylor Jaeger. Teria sido morto durante um ataque de Teerão contra a base militar norte-americana Al-Kharj, localizada na Arábia Saudita.

“Ele foi acusado por algumas fontes de ter estado envolvido no bombardeamento na escola feminina durante os ataques iniciais”, lê-se na imagem que acompanha a publicação.
No entanto, os Estados Unidos nunca confirmaram oficialmente a morte de nenhum Taylor Jaeger na base Al-Kharj. Nenhuma fonte oficial credível no seio das Forças Armadas norte-americanas anunciou a notícia. É verdade que a 28 de março de 2026 a infraestrutura militar na Arábia Saudita foi atacada pelo Irão, mas Washington apenas deu conta de 15 feridos — e nenhuma vítima mortal.
A 6 de março de 2026, a Guarda Costeira norte-americana adiantou que morreu alguém com um nome muito parecido àquele que está agora a circular nas redes sociais: Tyler Jaggers. O técnico de aviação na Estação Aérea de Astoria morreu após tentar resgatar um marinheiro na costa do estado norte-americano de Washington. Este militar nunca esteve envolvido em qualquer operação militar no Irão, ainda que esteja a ser associado ao ataque à escolha feminina.
Aliás, a fotografia do caixão com a bandeira norte-americana que aparece na publicação e que está a ser relacionada com o ataque à escola iraniana é verdadeira. Foi publicada a 27 de março por Cassandra Weaver, a namorada de Tyler Jaggers.
Por causa dos rumores que foram surgindo, a companheira de Tyler Jaggers recorreu às redes sociais para esclarecer o assunto. Cassandra Weaver escreveu uma longa publicação no Instagram em que garantiu que o militar morreu num “resgate”: “Em nenhuma guerra. Em nenhum conflito. Apenas a dar tudo o que tinha para salvar outra vida”. “Não vou tolerar qualquer tipo de desinformação sobre a sua vida ou o seu legado”, garantiu.
Além disso, a fotografia que mostra o alegado militar (juntamente com uma jovem) que está a circular nas redes sociais não é, com elevado grau de certeza, verdadeira. Segundo vários detetores de inteligência artificial, a imagem foi gerada através daquela tecnologia.

Conclusão
Não é verdade que nenhum piloto chamado Taylor Jaeger tenha morrido na Arábia Saudita. Os Estados Unidos nunca publicaram qualquer informação sobre o assunto. As publicações que relatam a morte do militar que teria estado envolvido no ataque à escola em Minab procuram um fundo de verdade para a história ao usarem uma fotografia verdadeira de um membro da Guarda Costeira que morreu em março de 2026 — Tyler Jaggers —, o que obrigou a companheira a garantir que ele nunca esteve no Irão. Outra foto que também surge nas redes sociais com o rosto do suposto piloto é, no entanto, falsa e foi muito provavelmente gerada com inteligência artificial.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.