O contexto era complicado, a missão também não melhorava o cenário. Depois do empate sem golos em Londres frente ao Arsenal que valeu a queda nos quartos da Liga dos Campeões e da derrota em Alvalade nos descontos com o Benfica que praticamente hipotecou a luta pelo Campeonato, o Sporting tinha o terceiro jogo grande numa semana no Dragão frente ao FC Porto, desta vez para a Taça de Portugal. Chegava com apenas uma vantagem: o golo que valera a vitória na primeira mão das meias-finais em Alvalade. E foi a essa vantagem que se agarrou durante quase 100 minutos, saindo com uma “vitória” dentro de um nulo.
Com o 0-0 no reencontro com os dragões, naquele que foi o quarto empate fora da temporada noutros tantos jogos fora com FC Porto, Benfica e Sp. Braga, o Sporting teve a pior série de resultados da época, com três encontros consecutivos sem vitórias entre dois empates e uma derrota, mas não só conseguiu pela primeira vez nos últimos 30 anos passar quatro vezes no Dragão sem desaires como carimbou mais uma presença na final da Taça de Portugal, onde irá agora defrontar Torreense ou Fafe. Com isso, e apenas pela segunda vez na sua história, os leões conseguiram chegar ao Jamor pela terceira temporada consecutiva, algo que acontecera apenas na década de 70 com um total de cinco decisões seguidas entre 1970 e 1974.
Tudo com uma outra curiosidade, que tentarão agora quebrar: nas outras quatro ocasiões em que o Sporting eliminou o FC Porto nas meias-finais, nunca ganhou o troféu (1952, 1987 e 1996 com o Benfica, 2018 com o Desp. Aves). Ao todo, esta será a 32.ª presença do Sporting na decisão da prova rainha (a duas do FC Porto e a sete do Benfica), tentando agora a 19.ª vitória numa final da competição que será sempre inédita.
“Foi um jogo de resiliência, de sofrimento quando tocou sofrer e ter personalidade. Nas duas eliminatórias, fomos superiores. Tivemos muita qualidade com e sem bola. O FC Porto também poucas oportunidades claras de golo teve, tanto num jogo como noutro. Temos de destacar muito esta competitividade que tivemos ao longo da eliminatória. Tanto no primeiro como no segundo jogo. Sabíamos que ia ser um segundo jogo muito difícil aqui em casa do FC Porto. Mas destacar que, depois destes jogos em que fomos submetidos a um desgaste imenso, penso que a equipa demonstrou uma grande personalidade”, começou por salientar Rui Silva, internacional português que teve uma defesa fulcral aos 90+9′, em declarações à RTP.
“Foram muitos jogos e de grau de exigência muito elevado. No Arsenal, apesar de sermos eliminados, fizemos uma grande eliminatória diante de uma das melhores equipas do Mundo. Depois acabámos por perder o dérbi com o nosso rival. Foi duro, ainda por cima em nossa casa, ficámos mais longe do nosso objetivo que é a conquista do Campeonato, e passado três dias vir aqui não é fácil, tanto física como mentalmente. Mas destacar esta personalidade. Estamos cansados mas satisfeitos por esta resiliência. Problemas na coxa? Na coxa, no gémeo, no tornozelo… Faz parte. Muitos jogos nas pernas, muito desgaste mas quero destacar este compromisso, resiliência e capacidade de sofrer da equipa, que é o mais importante”, acrescentou.
“Estou contente pois vamos para a final. Conseguimos este objetivo após dias duros e é bom dar uma alegria a estes adeptos que merecem muito. Sabíamos que eles iam começar muito fortes e fizemos a nossa partida. Soubemos sofrer pois eles tinham de dar tudo pois estavam atrás na eliminatória. Campeonato? Eu já disse após o jogo com o Benfica que vamos lutar até ao fim. Sabemos que podemos dar um título aos nossos adeptos, às nossas famílias, e vamos lutar até ao fim. Condição? A minha bateria está cheia. São muitas partidas nesta fase, o calendário é apertado mas vamos recuperar e pensar na próxima partida”, referiu também Luis Suárez, avançado colombiano, lançando também à SportTV o jogo com o AVS.