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Diomande, a trave-mestra que nunca vergou — nem quando perdeu a coluna do lado

O central costa-marfinense foi um dos melhores do Sporting no Dragão e tornou-se o real líder da defesa leonina depois da saída de Gonçalo Inácio, mantendo o discernimento na asfixia da segunda parte.

Mariana Fernandes
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Gonçalo Inácio saiu lesionado na primeira parte, Hjulmand saiu lesionado na segunda parte, Maxi Araújo pediu para sair e Trincão e Luis Suárez cumpriram uma noite de visível sofrimento. Antes do jogo, João Simões e Nuno Santos confirmaram que não jogam mais até ao fim da época, algo que também deve ser verdade para Ioannidis e Iván Fresneda. Pelo meio, apareceu uma trave-mestra.

Com a equipa a cair, desgastada e exausta, Ousmane Diomande carregou o Sporting às costas. O central costa-marfinense, que perdeu o colega do lado logo nos minutos iniciais, foi o melhor jogador dos leões no empate contra o FC Porto que garantiu a passagem à final da Taça de Portugal e voltou a mostrar o porquê de ser um dos candidatos a um bom encaixe financeiro já no próximo mercado de verão.

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Diomande, que também teve problemas com lesões ao longo da temporada, parece agora ser um dos poucos jogadores às ordens de Rui Borges com pernas para correr, pulmão para resistir e corpo para dar às balas — literalmente, como aconteceu em diversas ocasiões em que se ofereceu a si próprio para intercetar remates adversários. Com apenas 22 anos, o internacional pela Costa do Marfim manteve a serenidade durante uma segunda parte em que o FC Porto carregou e o Sporting viu-se obrigado a juntar linhas, assumindo-se claramente como o líder da defesa.

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O central chegou a Alvalade em 2023 e como pedido expresso de Ruben Amorim, que ficou impressionado com as exibições no Mafra, na Segunda Liga, durante o empréstimo dos dinamarqueses do Midtjylland. Os números mostraram desde logo que Diomande não era um jogador qualquer: custou 7,5 milhões de euros inicialmente, num valor total que ascendeu aos 12,5 milhões com objetivos, ficou com uma cláusula de 80 milhões de euros e os dinamarqueses ainda têm direito a 20% de uma futura venda. Renovou contrato até 2030 no passado mês de janeiro — mas a cláusula ficou no mesmo sítio.

Numa semana muito difícil para o Sporting, entre a eliminação na Liga dos Campeões e o praticamente certo adeus ao Campeonato com a derrota contra o Benfica, Diomande assumiu o peso da responsabilidade e encarnou o papel do patrão que lá estava quando chegou a Alvalade: Sebastián Coates, tornando-se o espírito e a alma de uma equipa que só tinha mesmo a atitude a sobrar.

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