Uma jornalista do “New York Times”, Elizabeth Williamson, teve uma pista que indiciava que Alexis Wilkins, cantora country e namorada do atual diretor do FBI, Kash Patel, estava a ter acesso a segurança de topo e transportes fornecidos com meios e recursos humanos da administração norte-americana. E a jornalista seguiu a pista, falando com a própria Wilkins e com gente à sua volta, para escrever a notícia — um procedimento perfeitamente normal, defende o jornal. Já para o FBI de Patel, a conduta da jornalista mereceu investigação e foi rotulada como uma “perseguição” à sua namorada — embora a averiguação tenha acabado por ser travada.
A história, contada agora pelo próprio jornal, ganhou dimensões muito maiores do que é costume numa investigação jornalística normal. Isto porque o FBI decidiu investigar a jornalista, pesquisar informações sobre ela e recomendar que existisse uma averiguação mais aprofundada para saber se esta teria violado leis federais, explica o “New York Times”.
Ora as intenções da liderança do FBI “geraram preocupação” entre elementos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que consideraram que a decisão não passava de uma retaliação contra a jornalista, uma vez que tinha escrito um artigo de que Patel e a namorada não gostaram. Assim, o Departamento de Justiça acabou por determinar que não havia fundamentos legais para prosseguir a investigação.
Em resposta ao jornal, o FBI justificou a investigação à jornalista dizendo que os seus agentes estavam “preocupados por as técnicas de reportagem agressivas ultrapassarem a linha da perseguição”. Sem sucesso.
O “New York Times” posiciona-se agora sobre o tema, defendendo que o “escrutínio” a esta jornalista é um exemplo da Casa Branca a ponderar se vai “criminalizar recolha de informação jornalística de rotina”, considerada protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA (que protege, entre outras liberdades, a liberdade de imprensa e de expressão).
O diretor executivo do jornal, Joseph Kahn, criticou a tentativa do FBI de “criminalizar” práticas jornalistas: “É uma violação flagrante dos direitos concedidos à Elizabeth pela Primeira Emenda e outra tentativa desta administração de impedir os jornalistas de a escrutinarem. É alarmante, é inconstitucional e é errado”.
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