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EUA. Empresário britânico condenado a 10 anos de prisão por esquema fraudulento com vinhos de topo

James Wellesley e o seu cúmplice desviaram 97 milhões de dólares a investidores. Britânico fez-se passar por diretor executivo de empresa de vinhos fictícia, com escritórios em Hong Kong e Londres.

Margarida Vieira dos Santos
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Durante quase dois anos, o britânico James Wellesley, em conjunto com o seu cúmplice Stephen Burton, enganou investidores ao fazê-los acreditar que representava um grupo (fictício) de colecionadores de vinhos de topo e que intermediava empréstimos em seu nome. No início desta semana, Wellesley foi condenado a 10 anos de prisão por um tribunal federal em Nova Iorque, nos Estados Unidos, acusado de ser responsável por um esquema que lesou mais de 140 vítimas em todo o mundo, num total superior a 97 milhões de dólares (aproximadamente 83 milhões de euros). Como parte da sentença, a juíza ordenou o pagamento de um milhão de dólares ao britânico e adiou a restituição do restante montante para uma data posterior.

“James Wellesley desviou quase 100 milhões de dólares de investidores, fingindo ser um diretor executivo de uma empresa de vinhos de topo. Wellesley manchou a reputação de um setor prestigiado, além de ter traído a confiança dos seus clientes”, declarou o diretor-adjunto do FBI, James C. Barnacle, em comunicado.

Desde junho de 2017 até fevereiro de 2019, Wellesley, também conhecido pelos nomes “Andrew Fuller” e “Andrew Templar”, fez-se passar pelo diretor financeiro e gestor de operações da “Bordeaux Cellar“. Juntamente com o seu cúmplice, angariou investidores em conferências nos Estados Unidos e noutros países e alegava que a empresa tinha escritórios em Hong Kong e Londres, segundo o The Telegraph. Os homens, ambos de nacionalidade britânica, afirmavam que a empresa fictícia intermediava empréstimos entre investidores e colecionadores com elevado património.

Os empréstimos eram garantidos por um stock de vinhos que incluía rótulos como o Domaine de la Romanée-Conti, cujo preço online ultrapassava os 17 mil dólares por garrafa (cerca de 14,5 mil euros), e o Château Lafleur, em Bordéus, com valores superiores a 5 mil dólares (cerca de 4,2 mil euros), segundo o jornal britânico. Wellesley e Burton prometiam aos investidores pagamentos regulares de juros através da sua empresa fictícia, a Bordeaux Cellars, que ficaria responsável pela custódia dos vinhos. No entanto, a dupla usava os fundos angariados para pagar juros fraudulentos a novos investidores e para financiar despesas pessoais.

De acordo com o Gabinete do Procurador dos EUA, dos mais de 97 milhões de dólares angariados junto das vítimas, a “Bordeaux Cellars” devolveu apenas cerca de 14 milhões de dólares (cerca de 12 milhões de euros)  antes de o esquema ser desmantelado, deixando prejuízos superiores a 83 milhões de dólares (70.8 milhões de euros).

Entretanto, o seu cúmplice, Stephen Burton, figura conhecida nos círculos do vinho em Londres, foi detido pela polícia de Kent num hotel no Dia dos Namorados de 2019, revela o The Telegraph. Em julho de 2025, declarou-se culpado de conspiração para fraude eletrónica e de conspiração para branqueamento de capitais, aguardando atualmente a sentença.

“Ao contrário de um bom vinho que melhora com o tempo, o arguido passará anos na prisão a refletir sobre o seu esquema fraudulento de vinhos”, afirmou Joseph Nocella Jr., procurador dos EUA para o Distrito Leste de Nova Iorque, sobre James Wellesley, citado pelo jornal britânico.

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